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Entrevistamos o coletivo de Hqs RISCØ

Com projeto em andamento na plataforma de financiamento coletivo Catarse (veja AQUI), os integrantes do RISCØ bateram um papo conosco e falaram um pouco de mercado, projetos, dificuldades e claro, paixão em se fazer HQs. Nascido da parceria entre três amigos entusiastas dos quadrinhos, o selo busca trazer histórias novas para os amantes da nona arte. Formado por Diego Porto (ilustrador), Gabriel Calfa (designer e ilustrador) e Marcus Leopoldino (roteirista), o grupo estréia em grande estilo com o início da saga Dias Estranhos, uma história sobre feitiçaria e poder no Brasil dos dias de hoje.

1 – Primeiramente muito obrigado pelo tempo e atenção de vocês… Para começarmos, que tal uma apresentação do grupo RISCØ para nossos leitores?

A RISCØ foi a forma que nós três (Diego, Gabriel e Marcus) encontramos de assinar um trabalho feito a seis mãos. Nos conhecemos em junho deste ano através de um curso de férias de uma escola de São Paulo, que foi ministrado no Rio de Janeiro, tivemos muita afinidade já no primeiro contato e logo em seguida já estávamos falando sobre lançar algo próprio. Marcus tinha uma trilogia sobre fantasia criada minuciosamente e viu no Diego o traço que ele sonhava pra seus personagens. A ideia de Dias Estranhos deixou Diego extremamente empolgado e logo em seguida Gabriel se voluntariou para participar do projeto. Foi aí que entre conversas de bar e dezenas de emails, vimos que tínhamos histórias de gêneros diferentes, mas com entonações que se encaixavam e decidimos que precisávamos de uma marca. Assim nasceu o selo RISCØ, visando ampliar o mercado de quadrinhos independentes nacional. 

2 – Vocês poderiam se apresentar individualmente e falar, cada um, de suas respectivas influencias para trabalhar no segmento de HQs?

riscø

Vamos começar pelo cérebro por trás de Dias Estranhos.

Marcus Leopoldino, 32, psicólogo e roteirista. De dentro do universo dos quadrinhos, minhas principais referências são o Brian K. Vaughan (Y: the last man, Saga) pelas grandes sagas que cria e os gêmeos Bá e Moon pela poesia que fazem com temas cotidianos. De fora dos quadrinhos algo que me ajuda muito foram as leituras de filosofia de modo geral, que dão muitas ideias para pensarmos fora da caixa, e também os rpgs, onde eu rascunhei praticamente todas as histórias que quero agora transformar em HQ.

Diego Porto, 28, ilustrador e quadrinista. Comecei a ler quadrinhos influenciado pelo estilo mangá, no boom da invasão japonesa aqui no Brasil, em meados da década de 90. Depois conheci mais à fundo o mundo dos comics, sendo minha porta de entrada alguns projetos da Image Comics.
Bem, minhas influências diretas nos quadrinhos são caras como Adam Hughes, Travis Charest, Mike Mignola, Frazetta e em especial o grande mestre Moebius.
Mas sempre senti que a minha principal inspiração partia fora do mundo dos quadrinhos, em caras como Alphonse Mucha e o movimento Art Nouveau em geral. Ainda tenho influência da arte oriental também, em caras como You yoshinari, Noriyoshi Ohrai, Takeshi Obata, etc…

Gabriel Calfa, 29, designer e diretor de arte. Vivo quadrinhos desde muito pequeno, tive muita influencia a partir dos gostos de meu pai que me apresentou os clássico europeus Asterix, Luke Luke, Humpá-pá e Tintin, lembro dos enormes almanaques em formato europeu com muita saudade. Mas cresci e encontrei minhas próprias influências, tive minha fase comics, com DC e MARVEL. Tive também a fase mangá, anime e como sou formado em publicidade tenho muita influência de diretores de cinema com Kubrick e Scorsese além de designers como Saul Bass e Shigeo Fukuda. Pras cores de Dias Estranhos minha maior referencia esta sendo o “monstro” Katsuhiro Otomo.

3 – Vocês estão com um projeto a pleno vapor no Catarse (AQUI), falem um pouco do projeto em si, ideias principais, como surgiu e o que vem por aí com Dias Estranhos

Dias Estranhos é uma história sobre a feitiçaria invadindo a rotina de três amigos e as consequências desastrosas que isso vai trazendo na vida de cada um. Nossa campanha atual lançará o início da história, tendo o Jean como protagonista. É um cara tentando levar uma vida normal mas que, depois de uma série de pesadelos recorrentes, começa a acreditar que está ficando louco. Ele tem um encontro com um velho misterioso que aponta o caminho da feitiçaria como sua única chance para não enlouquecer. Jean aceita, mas seu jeito impulsivo de agir acaba comprometendo seus amigos e suas chances de escaparem vivos dessa.
Essa ideia surgiu de uma longa aventura de rpg jogada a muitos anos atrás. Jean era apenas um npc (non-playing character), mas eu gostei tanto da trama que não parei de inventar mais histórias para o personagem, suas origens e tal, e sem ter com quem jogar, tudo isso virou uma pilha de roteiros e argumentos arquivados esperando ver a luz um dia.

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4 – No Catarse não existe a concorrência entre os projetos de forma direta, mas indiretamente há uma “disputa” pela atenção dos apoiadores em potencial. Diante disso qual o grande diferencial de Dias Estranhos para o leitor que costuma apoiar projetos por lá?

Há sim uma disputa, mas nossa intenção sincera é não entrar nela. Queremos muito que o projeto seja financiado, será a realização do sonho atual, mas o Marcus por exemplo já apoiou 50 projetos do catarse, em sua maioria quadrinhos independentes. Queremos é que surjam mais e mais projetos a cada dia. Mas se tem um diferencial no nosso projeto, é seu tamanho. Dias Estranhos não termina no número 1, tem enredo pra diversas sagas. É um quadrinho de luxo, se é que existe uma definição para esse termo. Tem mais de 100 páginas, capa cartonada, colorido do início ao fim, com detalhes em hot stamp na capa, extras, além das recompensas serem colecionáveis. 

5 – Vencendo essa etapa do Catarse com Dias Estranhos, já há um planejamento do grupo para o que vem a seguir ou vocês pretendem deixar algo mais livre para depois?

Bem, temos toda a trilogia inicial de Dias Estranhos escrita com a intenção de lançar um volume por ano. Além disso o Gabriel tem três contos já escritos, dos quais Marcus dividirá a criação do roteiro. Esses contos devem sair em modelos mais modestos, por se tratar de histórias mais curtas e consequentemente terão metas de campanha menores. 

Temos alguns planos. Vamos ver como vai ser a receptividade de Dias Estranhos, ainda temos alguns dias de campanha e precisamos da colaboração de todos pra que tudo aconteça. Saindo do papel, pretendemos conseguir nosso espaço em algumas das feiras e eventos de 2016. 

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6 – Os eventos de cultura pop/nerd vem fazendo um bom barulho no eixo central do país; gente de fora, artistas independentes encarando o merco diretamente com seu material debaixo do braço e tudo mais… qual o planejamento de vocês para esse segmento de eventos? Vão encarar? Vão planejar mais coisas para pegar mais embalo em 2016? 

Temos alguns planos. Vamos ver como vai ser a receptividade de Dias Estranhos, ainda temos alguns dias de campanha e precisamos da colaboração de todos pra que tudo aconteça. Saindo do papel, pretendemos conseguir nosso espaço em algumas das feiras e eventos de 2016.

7- Na ultima década vimos que a produção de quadrinhos esta crescendo cada vez mais, com qualidade profissional e principalmente com ótimos roteiros. Temos quadrinhos nas escolas e em programas do Governo e um aumento na procura de material nacional por parte de nosso mercado editorial.

Vocês acreditam que estamos rumando finalmente para consolidarmos este tão sonhado mercado de produção de quadrinhos brasileiros e que com isso já se possa almejar viver do oficio sem tem que recorrer ao mercado internacional para ser um profissional reconhecido e remunerado? 

Tem gente na luta há muito tempo. As Graphics MSP são uma sacada genial do grupo Maurício de Souza. Conseguiram se adequar ao mercado com muita precisão, trazendo trabalhos de autores e artistas fenomenais. Achamos que a galera independente está fazendo a roda girar no tranco mesmo. Ainda falta incentivo das grandes editoras nacionais, sentimos que eles têm medo de arriscar, mas é notório que estamos passando por uma mudança de cenário.

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8 – O grupo pretende alguma abordagem para os meios digitais de acesso ao conteúdo de vocês como o Social Comics, por exemplo? 

Já analisamos previamente o Social Comics e dependendo do andamento da campanha no Catarse ele pode ser uma opção. Se tudo correr bem, não vamos lançar o Dias Estranhos através da plataforma, pois seria injusto com aqueles que colaboraram pra produção da versão impressa. No caso do projeto não ser financiado, pode vir a ser a melhor opção.

9 – Gostaríamos de agradecer o tempo e a disponibilidade de vocês mais uma vez para essa entrevista e pedir para vocês deixaram um recado para os leitores em geral e em especial aos fãs de HQs. Valeu galera. 

APOIEM! DIVULGUEM! Não só a nossa campanha. Tem muita gente boa tentando por aí. Todos merecem a chance de mostrar seu trabalho. Sabemos que muitos ainda ficam com os pés atrás quando se trata de campanhas de financiamento coletivo, mas garantimos que contribuir é altamente seguro e satisfatório. Viver de quadrinhos no Brasil é trabalho árduo e nosso intuito com a campanha nunca foi ganhar dinheiro. Toda a verba está direcionada para o produto final. O trabalho intelectual e manual aplicado aqui é doação, é amor, é o desejo de construir um conteúdo novo e de qualidade pra todos os aficionados por quadrinho.

[divider]Dias Estranhos no Catarse[/divider]

A feitiçaria passa a ser o único caminho possível, transformando a vida de três amigos para sempre.

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Os pesadelos voltaram. E Jean logo percebe que tem algo muito pior dessa vez – são mais frequentes, mais reais, mais assustadores, e parece que estão invadindo o mundo real agora. Talvez esteja ficando louco mesmo, de vez, ou talvez esteja deixando passar alguma coisa. E se aquela visão for mesmo um fantasma? E se aquele velho misterioso for mesmo um feiticeiro? E se o chefe realmente souber de mais coisas do que diz?

Iniciando entre a paranóia e a aventura, Dias Estranhos é uma série que conta a história de Jean e seus amigos Luana e César em suas descobertas no lado sobrenatural do mundo. O que de início parece o delírio de um louco revela-se como os traços de um poder altamente cobiçado, deixando os três amigos com a difícil tarefa de diferenciar os aliados dos inimigos neste jogo que vai se mostrando cada vez mais perigoso, enquanto fantasmas antigos e feiticeiros ambiciosos travam sua própria guerra.

A-Revista

A revista terá 112 páginas, totalmente colorida e com capa cartão. Será um arco fechado, visando o início de uma saga. No final da revista traremos para vocês um pouco do nosso processo criativo com uma seleção especial de extras, como páginas do roteiro, model sheets, rascunhos, layouts de página, comissions, etc.

Vai ser um trabalho longo, mas que já está iniciado independente da campanha. Aos poucos postaremos fotos de páginas e ilustrações que se tornarão os prints.

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É Designer de produtos e gráfico, desenhista nas horas vagas e aos trancos e barrancos um estudioso de Semiótica. Nutre estranhas fixações por processos narrativos experimentais e acredita que o mundo caminha para ser cada vez mais parecido com um Game

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