Entrevista | Falamos com Lucio Luiz, editor da Marsupial Editora

 

A Marsupial Editora é uma das surpresas relativamente recentes no segmento de HQs no Brasil. Criada em 2013 focando no mercado de livros teóricos na área de comunicação, educação e sobre quadrinhos pelo viés acadêmico, não tardou para que, no ano seguinte, a Marsupial Editora se aventurasse na publicação de HQs através de seu selo Jupati que, entre seus grandes destaques já conta com Lanfeust de Troy vol. 1: O marfim do Magohamoth e Barbarella, um clássico da Sci-fi sessentista rodeado de polêmicas por conta da sensualidade da personagem título da obra.

Batemos um papo esperto com Lucio Luiz, um dos responsáveis pela Marsupial Editora, para conhecermos melhor seus planos para breve, novidades que estão vindo aí e outras questões mercadológicas, bem como o catálogo que logo mais ganhará mais títulos.

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1 – Primeiramente muito obrigado pelo tempo e atenção de vocês… Para começarmos, que tal uma apresentação da Marsupial Editora para nossos leitores?

A Marsupial Editora foi criada em 2013, inicialmente publicando livros teóricos nas áreas de Educação e Comunicação, incluindo teóricos sobre quadrinhos (tanto que nosso primeiro lançamento foi exatamente um livro com artigos acadêmicos sobre quadrinhos e internet). Em 2014 criamos o selo Jupati Books, para publicar quadrinhos, e também começamos a lançar livros infantis.

2 – Bom, é muito comum entrevistarmos desenhistas do segmento de HQs, o leitor gosta de conhecer o trabalho dos artistas e seus processos… agora o trabalho editorial é outra esfera, falem um pouco de como é a captação de autores, seleção de obras, revisão do material, divulgação e venda (na medida do possível, claro).

Não existe um “padrão” para a captação dos autores. Já lançamos tanto livros que foram propostos pelos autores (como é o caso de “O Astronauta de Pijama”) quanto material cuja ideia inicial foi elaborada pela editora e apresentada para artistas convidados (“Feitiço da Vila”, por exemplo). Porém, independente da “origem” da ideia, o foco sempre é seguir a linha editorial.

Já tive que recusar propostas interessantes porque não se encaixavam no tipo de material que estávamos produzindo. Em um caso desses, eu prefiro geralmente indicar outra editora mais de acordo com a linha do que a pessoa produziu, pois não gostaria de acabar lançando uma obra para a qual eu acabasse não dando a devida atenção ou o respaldo necessário.

A parte de divulgação também não tem uma “regra”, tanto no caso dos livros teóricos quanto dos quadrinhos. Dependendo do assunto ou do autor, pode-se conseguir uma divulgação ampla ou ficar restrito ao nicho ligado ao livro (o que não é algo ruim, especialmente no caso dos livros acadêmicos). Já a venda, é a parte mais trabalhosa para uma editora de pequeno porte. Apesar de já estarmos em algumas das grandes redes de livrarias, é complicado disputar espaço com as editoras de grande porte. Em relação aos quadrinhos, a grande vantagem são as comic shops e os eventos da área, que dão uma boa visibilidade.

3 – Essa é uma pergunta que eu gostaria de deixar mais pro final, no entanto acho que é uma das melhores… como vocês, do lado editorial, estão enxergando uma das frases mais alardeada nos últimos tempos: “este é o melhor momento do quadrinho nacional”? Qual as perspectivas da Marsupial para os lançamentos nacionais?

Esse é um momento muito bom, especialmente para o quadrinho independente. Plataformas de crowdfunding, como o Catarse, e a facilidade de diagramar e imprimir em qualidade a custos baixos, está ajudando a aumentar a quantidade e a qualidade da produção independente de quadrinhos. O espaço que os artistas independentes estão tendo nos grandes eventos também ajuda bastante. Para as editoras, isso também é bom, pois tem material que funciona melhor lançado de forma independente e HQs que se beneficiam da participação de uma editora.

Sempre buscamos trazer HQs nacionais. No livro “Feitiço da Vila”, por exemplo, foram dez artistas convidados para criar histórias baseadas em músicas de Noel Rosa. O legal é que todas as histórias foram feitas em dupla e diversos autores trabalharam juntos pela primeira vez. Também estamos resgatando uma das mais antigas webcomics brasileiras, Magias & Barbaridades, cujo segundo volume de sua coletânea vai ser lançando no FIQ. Fora outros projetos que ainda estamos mantendo segredo por enquanto.

4 – Como tem sido a resposta da chamada mídia especializada ao posicionamento das publicações da Editora? Pessoal tem procurado, tem ajudado a divulgar e alavancar um material diferente na abordagem e estilo visual, já que vocês, por assim dizer, estão posicionados fora do dito mainstream?

Um dos lados bons do quadrinho nacional é que todo mundo, de um jeito ou de outro, se ajuda. A mídia especializada é muito aberta à divulgação de projetos e HQs diferenciadas. Um dos principais exemplos, entre diversos outros, é o Universo HQ, que sempre deu o mesmo destaque tanto ao quadrinho “mainstream” norte-americano quanto à produção independente nacional.

5 – E o leitor? Como está sendo a relação do editorial de vocês com os leitores? Particularmente, como leitor, sempre tive a curiosidade de conhecer as pessoas por trás das publicações que eu comprava e lia, acredito que haja inúmeros outros assim perturbando vocês…

Eu gosto quando alguém comenta sobre o que leu, mesmo que seja para apontar eventuais falhas. Um coisa que eu adoraria que acontecesse é que todos os quadrinhos que lançamos ganhassem resenhas, falando bem ou mal, pois todo feedback ajuda muito a ver se o caminho que estamos seguindo vem funcionando ou não. Nos eventos de quadrinhos, sempre fico batendo papo com várias pessoas que comentam sobre o que gostaram no material que estamos vendendo.

6 – Ano passado alguns eventos fizeram um bom barulho no eixo central do país; gente de fora, artistas independentes encarando o mercado diretamente com seu material debaixo do braço e tudo mais… A Marsupial Editora tem planos para eventos como FIQ, CCXP 2015 e outros?

Estaremos no FIQ e na CCXP. No FIQ, vamos lançar o livro “Na Vida Real”, da norte-americana Jen Wang, e ainda teremos mais uma surpresa que estamos guardando para divulgar em breve.

Na CCXP, como todo mundo já deve ter visto, teremos o livro “O Escultor”, do Scott McCloud.

7 – Que novidades vocês tem para os últimos meses de 2015 e começo de 2016? O lançamento de Lanfeust de Troy volume 1: O marfim do Magohamoth e Barbarella são dois ótimos exemplos de um catálogo bem diferenciado sob o selo Jupati, o que mais vem de surpresas por aí no selo?

O próximo lançamento será Trolls de Troy, uma série derivada de Lanfeust (ambientada no mesmo universo ficcional, mas que pode ser lida de forma independente) que é um enorme sucesso na Europa, com praticamente um álbum inédito por ano. Eles já estão no 23º volume e não devem parar tão cedo. Diferente de Lanfeust, que é uma minissérie, Trolls é uma série regular com histórias fechadas ou, no máximo, em duas partes (com exceção do primeiro arco, que teve quatro edições e será lançado aqui em dois volumes).

8 – Recentemente algumas plataformas de quadrinhos digitais começaram suas fases experimentais com quadrinhos digitais disponibilizados ao leitor através de assinaturas, “os Netflixes das HQs” como estão chamando por aí, algum plano nesse sentido?

Nossa intenção é estar no máximo de plataformas que conseguirmos. Em breve nosso catálogo digital de quadrinhos deve se expandir.

9 – Voltando ao catálogo da editora, quem vem ainda para a excelente coleção Mestres Modernos?

Teremos mais um volume, que provavelmente será lançado na CCXP. Vamos divulgar o autor em breve.

10 – Para fecharmos nossa conversa, qual o recado de vocês para a galera fãs de HQs de modo geral?

Acho que o principal recado é que, se você é fã de determinado gênero, mesmo assim esteja aberto a outras possibilidades narrativas dentro dos quadrinhos. Experimente de tudo: independente, europeu, ficção científica, indie, mainstream, etc. Você certamente vai acabar se surpreendendo em algum momento.

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É Designer de produtos e gráfico, desenhista nas horas vagas e aos trancos e barrancos um estudioso de Semiótica. Nutre estranhas fixações por processos narrativos experimentais e acredita que o mundo caminha para ser cada vez mais parecido com um Game

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