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VINGADORES: A ERA DE ULTRON | A PROGRESSÃO NATURAL

Tudo começou no longínquo ano de em 1939 a Marvel surgia como Timely Comics, são 76 anos de histórias, gerações de leitores e incontáveis sagas…

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Já o universo cinematográfico da Marvel já esta com quase uma década de vida, 11produções na bagagem, fora séries de TV e agora os novos seriados do serviço de streaming Netiflix. Com similaridades e particularidades à sua matéria prima, as HQs, o Universo Cinemático da Marvel conseguiu o que pra muitos era inimaginável, seu universo compartilhado chega a Vingadores: A Era de Ultron enxuto e em franca expansão, prestando um serviço inestimável tanto aos fãs dos quadrinhos como para aqueles que se tornaram fãs deste universo dos cinemas, e este serviço é a diversão acima de tudo…

Vingadores: A Era de Ultron, parte da premissa básica que o time dos heróis mais poderosos da Terra já é uma equipe mais coesa e em muitos pontos amadurecida, isto fica claro na batalha inicial onde vemos nossos heróis trabalhando de forma orquestrada no fictício país da Sokovia, para recuperar o cetro de Loki que esta em posse da H.I.D.R.A. comandada pelo Barão Von Strucker, ação esta que conta com um recurso que procura emular cenas de quadrinhos como se fosse uma splash page  para alegrar aos fãs das HQs, o que vai se repetir em outras partes do filme…

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O problema de querer agradar aos fãs das HQs especificamente pode se tornar o tiro pela culatra, lembram quando reclamaram que Superman o Retorno não tinha tido quase ação, e ai Homem de Aço deu esta ação e os fãs acharam exagerado? Pois bem, depois voltamos a este assunto…

Este novo Vingadores convida o espectador a uma jornada diferente do seu antecessor, se no primeiro tínhamos um final de “fase” em Vingadores: A Era de Ultron, fica claro que esta função não é mais do time de heróis, a sensação é outra, tudo esta maior e em franca expansão, não vamos encontrar resoluções imediatas, Os Vingadores  também fazem parte de algo maior…

A ação esta numa escala maior, batalhas grandiloquentes, golpes sincronizados entre parceiros de time, e o melhor cada um dentro do possível, já que temos um elenco enorme, tem suas camadas aprofundadas, vemos uma sensacional e cativante inter-relação entre a Víuva Negra e o Gigante Esmeralda e entre Natasha e Bruce Banner, um detalhe o Hulk tem sua melhor versão nas telas os efeitos estão incríveis o monstro “vive de verdade”. Steve Rogers define cada vez mais sua posição diante dos acontecimentos, o que sutilmente o coloca em rota de colisão com Stark que também se posiciona perante os fatos sempre de forma um tanto exagerada e distorcida, o que vai ecoar na sua maior criação, Ultron. Isto tudo já mostra que o novo filme evento sem dúvidas será Guerra Cívil, os lados e ideologias começam a ser definidos, é dinamite pura!

O que um filme evento deve ter? Grandes batalhas? Confere! Novos personagens? Confere! Grandes efeitos especiais?  Confere! Um grande vilão? Confere! Um novo super-herói que parece que saiu das páginas de quadrinhos? Confere!

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Mas Vingadores: A Era de Ultron tem o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) também, o fator humano que vai ser a pedra fundamental desta aventura, se antes o personagem parecia deslocado, aqui ele é certeiro, o que mostra que é sempre bom lembrar que nem só de super poderes se faz um verdadeiro herói ou super-herói, como queiram, a essência é fundamental a atitude, aquele comportamento que vai te inspirar nos momentos mais difíceis, ele vai ser o elo fundamental com os irmãos Maximoff

Ultron (James Spader) é o vilão mais interessante em tempos, ególatra, canastrão, piadas de gosto duvidoso, um assassino frio, como uma máquina que não deixa de ser, mas acima de tudo uma criatura tentando justificar o motivo para sua existência, com direito a um plano simples, aqueles reservados aos melhores vilões de quadrinhos porque eles podem se dar a este luxo.

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A criatura vê e entende o mundo através das motivações de seu criador, mesmo com as distorções de propósitos peculiares a seres artificias de ficção cientifica, buscando de forma pura e simples completar a missão para qual foi idealizado, ainda que a solução para esta equação seja exterminar a raça humana, matriz do problema segundo a ótica de Ultron, para isso ele precisa evoluir, evolução, portanto seria mais uma das camadas propostas por Whedon em Vingadores: A Era de Ultron

Neste processo de evolução buscado por Ultron, surge o que sem duvida alguma é o melhor em Vingadores: A Era de Ultron, finalmente conhecemos o Visão (Paul Bettany), o que falar sobre este personagem? Naqueles momentos que se tornam pura magia o Sintozoide parece ter saído das páginas de quadrinhos, o Jorge de 11 anos que lia estas maravilhosas sagas explodiu de alegria, e ao adulto ficou reservado o tão maravilhoso momento lágrima nos olhos…

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Com pouca participação, já que não devemos esquecer que o universo cinematográfico Marvel sempre conta com outras franquias e possibilidades, o Visão foi essencial e ao mesmo tempo utilizado na medida exata, querer mostrar todo o seu potencial em um único filme é tentador, porém perigoso, já que tinham outros pontos a serem desenvolvidos na trama maior, contudo quando ele esta em cena os holofotes são todos pra ele…

Os irmãos Maximoff são legais, o problema fica por conta de Aaron Taylor-Johnson que esta sendo o que é um ator meia boca, mas Wanda (Elizabeth Olsen) rouba a cena, mesmo que também não tenha tido uma introdução mais elaborada, já vemos todo o potencial da personagem dentro do Universo Marvel dos cinemas, seus poderes ganham uma representação muito interessante e são fundamentais para explorar alguns personagens e suas particularidades. Não contei nenhum spoiler que vai estragar sua experiência até agora, mas cara tem um olhar entre Visão e Wanda que para quem é fã diz tudo…

O 3D é horrível, só encarei devido o horário só ter sessões neste formato, os exibidores e indústria em geral forçam uma situação para extorquir dinheiro…

TEMPOS DE INSATISFAÇÃO

Poderia abordar outros pontos da película e personagens mais quero voltar à questão dos fãs, percebi muita gente reclamando e dizendo que o filme não era o que esperavam. Ok, gosto cada um tem o seu, mas o problema foram alguns argumentos, tipo que não foi à mesma sensação do primeiro, que o primeiro foi melhor porque concluía uma fase, que a ação esta muito exagerada, alguém falou Homem de Aço? Mais do mesmo, etc…

Cara! Nunca mais vamos experimentar a sensação do primeiro filme, o deslumbramento em vários sentidos existiu justamente pelo ineditismo, e a mesma coisa de se querer ter a mesma sensação de quando se perde a virgindade na sua segunda transa, meu amigo perdeu já foi, se for bom ou ruim já é outro papo, se ainda não chegou neste momento de sua vida, vai entender quando chegar lá…

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Parece que temos uma super valorização de expectativas, onde o foco parece estar sempre em algo que no fundo só reside na sua imaginação, se não entendeu?  Não dá para condensar 76 anos de historia da Marvel a cada película feita, não dá para te dar todas as sensações de quando você lia suas revistas e sagas preferidas, a experiência é coletiva, ai vem a maravilha do compartilhamento, cada franquia é uma “revista em quadrinhos” com sua proposta, tom, cores e particularidades e outra sejamos menos egoístas os fãs apenas dos filmes não devem ser esquecidos, muita gente não leu e nem vai ler uma historia em quadrinhos especifica de cada franquia, mas pode ir ao cinema e se divertir com Vingadores: A Era de Ultron, assim como com qualquer outro produto desta proposta magnifica da Marvel

Quer diversão descompromissada, assista Guardiões da Galáxia, quer aventura hi tech Homem de Ferro, quer super evento Os Vingadores, quer uma trama densa e ação de tirar o folego assista Capitão América: O soldado Invernal, quer uma experiência arrebatadora com ação, violência extrema e realismo, veja Demolidor, etc…

Como em suas melhores revistas em quadrinhos a Marvel não esta enganando ninguém, ela esta tentando entregar um universo rico cheio de possibilidades e camadas para os mais variados gostos e idades, basta você se decidir se ainda quer participar desta jornada ou não. Compartilhamento de universo em maior ou menor escala continua sendo a proposta, à questão é que agora o universo expandiu pra valer, no entanto como qualquer coisa na vida nada é perfeito, mas na soma de tudo acredito que a Marvel ainda esteja fazendo o melhor produto possível e servindo aos propósitos básicos de diversão e entretenimento, o bom e velho escapismo!

Uma dica valiosa, aprendida a duras penas em Homem de Ferro 3, esqueça trailers, eles não são o filme, como se diz popularmente não julgue o livro pela capa, pode haver surpresas ou decepções mas o pior é ficar refém de expectativas imaginárias. Em tempos de internet com tudo ao alcance de um simples teclar, muitas vezes a ignorância é uma benção, ela pode dosar suas expectativas, talvez o que esteja acabando com nossas experiências seja este imediatismo ou compulsão pra saber tudo antes da hora, nada mais parece ser o suficiente…

Valeu Joss Whedon! O “brinquedo” agora é dos Irmãos Russo, que façam um grande espetáculo!

A próxima empreitada da Marvel nos cinemas é Homem-Formiga, que promete ser diversão pura, vamos ver aonde Scott Lang vai nos levar!

Já ia me esquecendo, não existe a cena pós-créditos, apenas um fanservice bem legal durante os créditos, porém caso duvide fique até o final, fã que é fã fica!…

Avengers: Age of Ultron (2015)
Avengers: Age of Ultron poster Rating: 7.7/10 (315,824 votes)
Director: Joss Whedon
Writer: Joss Whedon, Stan Lee (based on the Marvel comics by), Jack Kirby (based on the Marvel comics by)
Stars: Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Chris Evans
Runtime: 141 min
Rated: PG-13
Genre: Action, Adventure, Sci-Fi
Released: 01 May 2015
Plot: When Tony Stark and Bruce Banner try to jump-start a dormant peacekeeping program called Ultron, things go horribly wrong and it's up to Earth's Mightiest Heroes to stop the villainous Ultron from enacting his terrible plans.
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É Bacharel em Psicologia, porém optou por sua grande paixão trabalhando como ilustrador e quadrinhista. É sócio do Pencil Blue Studio e Ponto Zero, podendo assim viver e falar do que gosta: quadrinhos, cinema, séries de TV e literatura.

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