Novos 52: um ano do reboot DC no Brasil

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Junho marcou o primeiro ano do reboot da DC Comics em território nacional pela Panini Comics. Este ano foi comemorado com a publicação das edições de número Zero de todos os títulos e mixes da Panini. Da primeira leva dos novos 52, tudo, isso mesmo, TUDO foi publicado no Brasil em um total de mais de 10 títulos entre as mensais e as especias, contando com os tops de sempre: Superman, Batman, Liga da Justiça, Novos Titãs; e uma carrada de outros títulos mixes de qualidade duvidosa e necessidade de publicação idem.

Independentemente de qual era o acerto da DC com a Panini, o leitor brasileiro de hq’s não teve motivos para dizer que o reboot não chegou aqui como foi lá… dos lançamentos aos cancelamentos, tudo veio no pacote nacional. Obviamente os cancelamentos não são de controle da Panini, o que foi pro brejo lá fora, invariavelmente foi aqui também.

Títulos como Super-Choque, Sargento Rock, Desafiador, Frankenstein e Besouro Azul foram publicados praticamente na íntegra aqui em um único chute e pronto, sumiram do mapa e das bancas nacionais.

Entre títulos mensais e os chamados especiais, ainda havia a divisão entre o material padrão de banca e o material de distribuição exclusiva para lojas especializadas, um das ideias mais idiotas que já vi em relação ao lançamento de hq’s em território nacional… como se não bastasse distribuição setorizada, mais essa grande “ideia”.

Basicamente todo o material que realmente vende nas bancas foi mantido nelas, e o leitor brasileiro pôde comprar Batman, Superman, Universo DC, Flash, A Sombra do Batman e Liga da Justiça normalmente, enquanto títulos como Novos Titãs com Superboy no mix, Aves de Rapina com Esquadrão Suicida no mix (ou vice-versa) e Universo DC Apresenta eram material exclusivo para comics shops e praticamente fracasso de venda.

batman-1A Panini fez um bom trabalho de um lado e uma verdadeira bosta de outro em seus mixes, apelando para o bom e velho “junta uma coisa boa com muita coisa ruim” para empurrar na goela do fã o que ele não quer que esteja lá e, assim, praticamente todos os mixes nacionais do reboot eram compostos pelo que o leitor quer ler e o que a Panini, sabe-se lá por quais motivos, tem que vender.

Dos títulos de ponta, era possível encontrar coerência entre uns poucos, como Superman, que tinha no seu título Supergirl e Action Comics, e isso faria mais sentido se Superboy também estivesse no mesmo mix, mas como o garoto de aço era integrante dos Novos Titãs, lá foi voar com os garotos. O título principal do Batman também se manteve coerente e uma das melhores revistas a ser acompanhada, já que nela só há material do morcegão em aventuras solo, sendo que toda a bat-família está na inflada “A sombra do Batman” (Mulher-Gato, Asa Noturna, Robin, Batwoman, Batgirl, Batwing).

Obviamente, manteve-se a exclusividade de um título para o microverso dos Lanternas Verdes e as tropas de outras cores, com especiais para os Lanternas Vermelhos. Até aí tudo ok, mas só até aí… então começaram as loucuras na composição dos mixes e tivemos coisas como Capitão Átomo no título da Liga da Justiça, Exterminador e Arqueiro Verde no título do Flash, por exemplo, e a mais absurda das combinações do reboot no Brasil: Universo DC… sim, o que era para ser a revista com o maior número de boas histórias diversificadas se revelou uma das piores jogadas para empurrar o lixo para baixo do tapete e tapar o sol com peneira.

Superman-1Universo DC possui uma média de uns sete ou oito títulos em seu corpo, com destaque para os aclamadíssimos Aquaman e Mullher-Maravilha, dividindo espaço inicial com algumas das piores histórias do reboot como Omac, Sr. Incrível, Firestorm, Gavião Negro e Blackhawks, todos fracassos do reboot nos EUA. O que nos leva a pensar: que almas foram sacrificadas para que a Panini tivesse de empurrar isso no leitor brasileiro que quer ler Aquaman e Mulher-Maravilha? Sinceramente, não sei. Mas como o material americano dos novos 52 sofreu cancelamentos fora, o leitor brasileiro teve a oportunidade de ver o mix Universo DC dar uma substancial melhorada com a chegada do material de Terra 2 e a inclusão do Flash mais adiante.

Aparentemente, aqui os cancelamentos foram menos sentidos, já que os mixes aliviam a sensação de que algo some do nada, mesmo que isso tenha acontecido com os títulos ditos “especiais”. Do material de ponta, o título Flash não segurou as pontas e foi cancelado praticamente com exatamente um ano na edição Zero nacional.

O corredor escarlate foi aliviar a barra do UDC, como dito mais acima. Estranhamente, o título Flash, que era composto pelo corredor escarlate, Exterminador e Arqueiro Verde, é substituído por um título do Arqueiro Verde com Exterminador e Aves de Rapina… obviamente, o novo título é oportuno para ir no embalo do seriado Arrow, que ganhou a atenção dos fãs de seriados.

Dentre as reais novidades do reboot no Brasil, cito sem medo algum o mix da revista Dark, voltado para o lado místico/sombrio/macabro do novo Universo DC. Liga da Justiça Dark, Mônstro do Pântano, Homem Animal, O Ressuceição e Eu, Vampiro tem uma pegada ao melhor estilo Vertigo, com violência gráfica, doses de terror e mistério que estão além do campo dos super-heróis convencionais, permitindo, com isso, a incursão de leitores mais adultos ao novo status quo da DC, abrindo assim o leque de leitores de idade mais elevada, ou até mesmo aqueles que, com o passar do tempo, preferem obras com uma densidade diferente do ambiente colorido dos super-heróis.

Universo-DC-1Enquanto Dark é uma das ótimas novidades, do outro lado temos o desnecessário título Edge, composto basicamente de material derivado do antigo estúdio Wildstorm de Jim Lee: Stormwatch, Bandoleiro e Vodoo integram o mix que, só não é mais fraco que Universo Dc em suas primeiras edições.

Mas UDC ao menos teve Mulher Maravilha e Aquaman para acalentar os ânimos do leitor que desembolsava algo em torno de R$ 15,00. Edge não justificava nem míseros centavos em sua aquisição, imagine então todo o papel, a tinta e o trabalho de distribuição.

O Stormwatch se perdeu em um misto da ideia que era Planetary, misturado com um Authority, só que sem nem um terço do que era a equipe em seu auge, e quanto ao Bandoleiro e Vodoo, já eram ruins e sem profundidade desde sua criação, continuaram ruins e sem profundidade no reboot. Sinceramente? Nada justifica esse título, e claro, durou seu ano nas bancas e agora foi pro limbo… e nunca um ano pareceu demorar tanto.

Outros títulos poderiam também ter sido melhor aproveitados pela Panini, como foi o caso de Aves de Rapina/Esquadrão Suicida e os próprios Novos Titãs, não fosse a “brilhante” ideia do material “exclusivo”, sendo que ambos os títulos possuíam ligação com os títulos de bancas, como no caso de Batman e a saga da Corte das Corujas.

Bom, mas entre erros e acertos, o leitor brasileiro já está acostumado a ver a Panini fazer um carnaval em seus mixes, atolando na conta de bons títulos coisas que ninguém está interessado em ler, onerando o bolso do já pobre fã de hq’s. Independente disso, a ação de relançar tudo que a DC lançou nos EUA é positiva, permitindo assim a adição de novos leitores, sobretudo os vindos no embalo do crescente mercado de adaptações cinematográficas baseadas em hqs, bem como também possibilitando o retorno de uma boa quantidade de velhos leitores que estava perdidos na antiga cronologia.

Flash-1O material dito exclusivo foi eliminado dos planos da Panini e deu lugar aos encadernados de banca, com capa cartonada e um bom volume de página para compensar o sumiço de alguns títulos, o que não facilita também a vida de quase ninguém, já que quem começou a comprar os títulos antigos só precisou migrar para os novos, enquanto quem quer começar agora nesses encadernados que continuam Aves de Rapina e Novos Titãs, por exemplo, vão pegar o bonde andando, e bem rápido.

O foco das mensais ainda é o filão principal do reboot e mantém, a bem da verdade, o conforto da própria editora em seguir o mesmo ritmo do pré-reboot, tocando para frente os tops da DC no Brasil. Batman, Superman, Lanterna Verde e companhia se mantém inalterados neste ano e pouco de reboot no Brasil, enquanto outros mixes vão sendo remodelados aos poucos, como ocorreu com Universo Marvel e o próprio título da Liga da Justiça que sofre mudanças com a dança das cadeiras dos cancelamentos americanos.

Entre a bagunça geral e as boas sagas dentro dos microversos, no final das contas o leitor pode sim encontrar bons títulos e boas aventuras no material de destaque, bem como na periferia do UDC com coisas como Dark, ou até mesmo com material quase inalterado como Lanterna Verde.

Dos cancelamentos e dos lançamentos, o cronograma da Panini esfriou com a redução do que foi a primeira leva dos Novos 52 nos EUA, o lançamento das edições número Zero revelou as origens de forma mais detalhada e em situações que até então o leitor brasileiro desconhecia. Estas edições vieram acompanhadas de pôsteres especiais e um número maior de páginas.

O padrão da Panini parece que vai seguir inalterado até o fim do ano; com exceção de Flash e Edge, acredito que todo o restante das mensais segue firme e forte e é questão de tempo até cancelarem o título do Arqueiro Verde, por melhor que seja; isso é um fato, já que pouco difere do que era o título do Flash. Particularmente, espero que Dark, o mais periférico dos mixes da nova DC no Brasil, é, disparado, um dos melhores em circulação nas nossas bancas e em breve recebe aditivos do mago Constantine, o que, com certeza, tornará o mix ainda melhor.

Fiquemos no aguardo, pois ao menos temos Superman, Batman, Universo DC, Liga da Justiça, A Sombra do Batman e Lanterna Verde como praticamente intocáveis, já que existiam antes da nova numeração, provavelmente existirão sempre, de um modo ou outro.

REVISTAS MENSAIS

  • Batman
  • Superman
  • Lanterna Verde
  • Liga da Justiça
  • Universo Dc
  • A Sombra do Batman
  • Dark
  • Arqueiro Verde

REVISTAS ESPECIAIS

  • Novos Titãs
  • Aves de Rapina

 

Veja o panorama geral do reboot nos EUA AQUI

 

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É Designer de produtos e gráfico, desenhista nas horas vagas e aos trancos e barrancos um estudioso de Semiótica. Nutre estranhas fixações por processos narrativos experimentais e acredita que o mundo caminha para ser cada vez mais parecido com um Game

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