Riddick volta aos cinemas para tentar resgatar seu posto de anti-herói cult

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Houve uma época que bastava um ator brutamontes, uma missão suicída, códigos de honra, um exército inimigo, tiros, muitos tiros e explosões, uma dezena delas, de todo porte e tamanho para você ter um bom filme de ação. Não à toa a década de 1980 nos legou nomes praticamente eternizados de personagens nessa linha do “atire muito, fale pouco e exploda tudo”. Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Jean-Claude Vandamme, Bruce Willis e Chuck Norris são alguns dos nomes mais emblemáticos dessa safra de máquinas de matar, os verdadeiros exércitos de uma homem só e seus repelentes de bala.

Riddick5Mas era uma outra época e o herói de ação ficou meio defasado e o cinema deste estilo estagnou depois de personagens como Rambo, Exterminador, Braddock. E o mundo parece que intensificou seu apreço pelos anti-heróis, os caras que também são badasses sem nenhum tipo de código de honra ou conduta, sem um vículo com o mundo ou com as pessoas que estão sendo beneficiadas por alguma ação egoísta, mercenária, porém, ironicamente, benéfica a essas pessoas.

Bom, dito isto, a gerção a qual pertence o ator Vin Diesel nasceu pela inspiração dos nomes icônicos que citei, é uma geração que repete em parte a dinâmica desses símbolos da testosterona, da virilidade, da força bruta, da fala curta e do “atire primeir, pergunte depois”. A diferença é que os personagens vividos por Diesel e seus contemporâneos como, por exemplo, Dwayne “The Rock” Johnson, são em sua quase totalidade anti-heróis cuja causa principal gira em torno de algum propósito unilateral em benefício próprio e que acarreta em bater de frente com algum problema bem grande e explosivo, de preferência.

Basicamente isso é Triplo X, Velozes e Furioses e qualquer outro filme com Vin Diesel geralmente interpretando Vin Diesel… mas aí, um belo dia um eclipse obscureceu a vista de todo mundo e conseguiram transformar um pedra de carvão em diamante, no hoje cultuado  “As Crônicas de Riddick – Eclipse Mortal” (Pitch Black no original, direção de David Twohy, 1999/2000). No longa de orçamento modesto, somos apresentados ao brutamontes Richard B. Riddick (você já deve saber que é o Vin Diesel, né?), um dos mais, senão o mais perigoso criminoso espacial já conhecido até então.

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Com a cabeça a prêmio, Riddick está sob pesada escolta sendo levado para um planeta- prisão em sono criogênico quando a espaço-nave é avariada, necessitando assim fazer um pouso de emergência no planeta Hades… bom, pelo nome você sabe que é problema. Daí em diante o que temos é um filme que é misto de suspense, ação, sci-fi e claro, um brutamontes do barulho aprontando mil e uma confusões em um planeta da pesada infestado de criaturas muito loucas e predadoras prestes a devastar tudo no próximo eclipse em iminência de ocorrer.

Cheio de bons momentos de tensão e ação que lembravam e muito os filmes oitentistas, Eclipse Mortal virou cult, arrecadou mais do que o dobro que foi gasto em sua produção e Riddick não redimiu o herói de ação, mas alavancou com muita força a persona do anti-herói brutal, sangue frio, mas que no fim das contas, por ser tão escroto, acaba salvando as pessoas dado seu  amplo poder de escrotice, capaz de ferrar com tudo ao seu redor, exceto com quem precisa ser salvo… afinal, estamos falando de filmes holliwoodianos.

Riddick2Com o respaldo que ganhou com seu personagem, Vin Diesel não tardou a engatilhar mais um capítulo nas crônicas de Riddick chamado “A batalha de Riddick”, no qual temos mais detalhes da origem do misterioso personagem, ainda caçado, ainda feroz e temporariamente exilado quando surge mais um chamado à aventura.

Dessa vez nada de morcegos aliens e eclipses, a briga era contra a força espectral dos Necromongers, uma raça que subjulgava planetas inteiros e trazia para aumentar suas fileiras os caídos em combate. Quase uma raça de fantasmas vivos, os Necromongers tiveram o azar de cruzar o caminho do fodão Riddick num dia ruim… e junto com eles, os mercenários também.

Riddick vai para o planeta-prisão Crematoria, reencotra a pequena Jack… ok, já não mais tão pequena numa coindicência aparentemente absurda, mas que faz um certo sentido adiante. No encalço vem os os bons e velhos Necromongers, com destaque para Carl Urban no papel do matreiro Vaako.

Diferente do “Eclipse Mortal”, o segundo filme é mais focado na ação de todo tipo, com ares de épico espacial, com cospirações, herói predestinado a um grande feito, um quê de amor platônico, explosões e no meio disso tudo Riddick acabou perdendo aquele seu ar de escrotice calculada e todas as outras coisas mais que o tornaram um cara cult lá nos idos de 2000.

RiddickComic-Con2013O fato é que o investimento em “A batalha de Riddick” não deu o resultado esperado, nem mesmo todo apuro visual do filme conseguiu dar ao personagem e ao longa um real posicionamento no mercado de filmes de ação. Acredito eu que isso se deva justamente pela “mistureba” de gênero que é o resultado final do longa, daí Riddick foi para a geladeira e mais uma vez o herói, ou melhor, o anti-herói de ação de modo geral estava em suspensão novamente.

Mesmo a despeito de tudo isso, continuo gostando de “A batalha de Riddick” justamente por ser um filme cheio de mentiras e ainda com um ar de escrotice pulsante e sem vergonha de tentar aloprar em cima do status cult do personagem principal… afinal de contas, ninguém espera que Vin Diesel ganha um Oscar por sua atuação em filmes que ele precisa, necessariamente, fazer escrotices de anti-herói enquanto assobia e chupa cana.

Mas em tempos de releituras, adaptações, remakes, prelúdios e sei lá mais que tipo de reciclagem de conteúdo que os roteiristas e estúdios americanos usam para superar sua ressaca criativa, nada mais fica na gaveta ou em sua mídia original e lá foram eles pegar o Riddick de novo e, tecnicamente, consertar o que não ficou de bom tom para os fãs no segundo filme.

Retire Riddick do convívio com seus novos amiguinhos necromongers, coloque-o em um planeta deserto, cheio de criaturas perigosíssimas e selvagens, uma penca de mercenários explodindo em crueldade e pronto, tá tudo certinho para um terceiro filme que volta aos primórdios de “Eclipse Mortal” para que Riddick possa ser o que realmente é: um escroto da porra que faz escrotices e, de quebra, com uma mão atrás das costas, ainda salva uns otários.

Essencialmente o último furyano precisa ser escroto, ferrar com os mercenários, com as criatureas igualmente escrotas e voltar até seu planeta natal Furya para impedir sua destruição… (e olha que disseram que ele era o último de sua raça), ou seja, é trabalho pra burro se estivessesmo falando de outro tipo de filme e não de um sci-fi de ação, tá, mais ação que sci-fi, onde há o bom e velho exército de um homem só. Então é se preparar para ver Vin Diesel ser Vin Diesel, digo, Riddick, o que não é ruim, retomando os bons e velhos tempos dos eclipses e da tensão com um “quê” de suspense meio claustrofóbico no já tão aguardo terceiro capítulo das crônicas de Riddick.

 

Trailer de “As crônicas de Riddick: Rule the Dark

 

Riddick é cult, Riddick é multimídia

Antes mesmo disso virar modinha, Riddick já havia se tornado um personagem multifacetado e multimídia. Dois games e uma animação diretamente ligados ao contexto cronológico do personagem foram desenvolvidos entre os dois primeiros filmes e uma terceira animação estilo motion comics foi criada entre o segundo e o terceiro filme para expandir o universo fictício do anti-herói.

As crônicas de Riddick: Dark Fury

Entre “Eclipse Mortal” e “A batalha de Riddick” está situada a animação “Dark Fury” (2004), sob a direção de ninguém menos que o genial Peter Cheung da cultuada animação Aeon Flux. A animação expõe as situações que antecedem o exílio de Riddick e sua separação da menina Jack e de Abu, os dois únicos sobreviventes da nave avariada no primeiro filme.

As croônicas de Riddick: Escape from Butcher Bay

Primeiro game do persongem, Escape from Butcher Bay (2004), é um game de tiro em primeira pessoa que mescla ação frenética e stealth, obviamente para potencializar as habilidades de Riddick, tanto para combates com armas quanto para ações furtivas e de infiltração, nos quais o personagem pode aplicar altas perfurações e torções em soldados desavisados que estão em seu caminho para fugir da prisão.

Cronologicamente o game se situa antes dos acontecimentos de Eclipse Mortal, demonstrando inclusive ao gamer a ocasião exata em que Riddick adquire seus “olhar 43”, sucesso de crítica e público, o game é praticamente tão cult quanto o primeiro filme dada sua qualidade gráfica e jogabilidade, o que convenhamos, é quase um milagre, já que dificilmente se encontram jogos adaptados de filme que sejam minimamente aceitáveis.

As crônicas de Riddick: The Chronicles of Riddick: Assault on Dark Athena

Trata-se de um continuação direta do primeiro game na aventura Assault on Dark Athena e ao mesmo tempo um remake que amplia a expeirência do game de 2004 para a nova gerção de consoles. O game conta com uma boa quantidade de melhorias em seu sistema de jogo, haja vista que no mercado de games, de 2004 a 2009, é um intervalo de tempo mais do que suficiente para superar tudo que já havia sido feito até então em termos de engine, inteligência articifial, capacidade gráfica e de processamento. Dark Athena reprisa a dinâmica de FPS de ação com Stealth do primeiro game.

As crônicas de Riddick: Motion Comic Debut

Situado entre os acontecimentos do segundo e terceiro filmes, essa animação nos mostra os acontecimentos que levaram Riddick a ser deixado a própria sorte pelos Necromongers após ser traído e destituído de seu trono.

As crônicas de Riddick: Rule the Dark estreou nos EUA dia 6 de setembro e tem data marcada para chegar aos cinemas nacionais dia 13 de setembro. Na estréia o longa arrecadou com facilidade US$ 18 milhões e abocanhou a primeira posição do ranking no período.

FICHA TÉCNICA

  • Gênero: Ação
  • Direção: David Twohy
  • Roteiro: David Twohy, Oliver Butcher, Stephen Cornwell
  • Elenco: Andreas Apergis, Antoinette Kalaj, Bokeem Woodbine, Conrad Pla, Dave Bautista, Jordi Mollà, Karl Urban, Katee Sackhoff, Keri Hilson, Lani Minella, Matt Nable, Matthew Nable, Neil Napier, Noah Danby, Nolan Gerard Funk, Raoul Trujillo, Vin Diesel
  • Produção: Samantha Vincent, Ted Field, Vin Diesel
  • Fotografia: David Eggby
  • Estréia: EUA  – 06/09 nos e BRA – 13/09

 

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É Designer de produtos e gráfico, desenhista nas horas vagas e aos trancos e barrancos um estudioso de Semiótica. Nutre estranhas fixações por processos narrativos experimentais e acredita que o mundo caminha para ser cada vez mais parecido com um Game

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