Mascarados e as Virgienses
Mamãe eu quero, mamãe eu quero,
Mamãe eu quero mamar!
Dá a chupeta! Dá a chupeta! Ai! Dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorar!
Um dos corredores de folia na cidade que é opção de carnaval no interior do ParáÉ Carnaval! E é nessa época que muitas pessoas aproveitam para esquecer os problemas do dia-a-dia, aproveitam para liberar suas fantasias e ansiedades. É o tempo da permissividade, onde tudo se pode realizar, graças ao auxílio das máscaras e fantasias. Nela, as diferenças e hierarquia sociais são esquecidas e o que prevalece é a igualdade. Mas não como sentido único e generalizante, e sim, múltiplos e particulares, que variam de acordo com a experiência de cada um dos brincantes.
È claro que existem aqueles que vêem o carnaval apenas como mais um feriado prolongado, e aproveitam para descansar ou arrumar o armário. No entanto, para quem gosta de cair na folia, sair de Belém e pegar a estrada para os interiores do Pará é diversão garantida.
No município de Vigia de Nazaré, localizada no Nordeste paraense e destino de muitos foliões, os blocos dos “Mascarados” e as “Virgienses”, já são tradicionais.
Os Mascarados são figuras marcantes desde o século XIX, quando o mascarado era o principal ícone da folia vigiense. Nessa época, não era permitido trajar igual ao indivíduo de corporação civil, militar ou religiosa do país, sujeito à multa.
Desde então os “Mascarados” continuam animando os foliões de Vigia. Em 2001, ele passou a ter seu bloco e ficou homogêneo (no sentido de unido), mas suas máscaras continuam heterogêneas. Esse bloco abre oficialmente o Carnaval, na sexta-feira gorda, pela programação da Prefeitura Municipal. O bloco é puxado pela banda “31 de Agosto”, que vem sobre um trio elétrico.
Mas pra quem já perdeu a sexta- feira de carnaval em Vigia, posso dizer que o mascarado não brinca somente este dia, pelo contrário, é muito difícil não encontrar um mascarado durante os cinco dias de folia.
Quem aproveitava também o embalo dos mascarados, eram os homens que gostavam de se vestir de mulher, para poderem brincar e não serem reconhecidos. Já em 1940 o homem vigiense começou a brincar vestido com roupa de mulher, agora sem a máscara. De inicio causou certo impacto, mas logo absorvido e aderido no ano posterior. Esses homens brincavam ora sozinhos, ora com grupo de amigo.
Em 1985, essa brincadeira se transformou em um bloco chamado “As Virgienses”. Foi na segunda-feira gorda, quando um grupo de rapazes reuniu-se e tiveram a ideia de pintar em um pedaço de papelão “AS VIRGIENSES”, e saíram brincando pelas ruas da cidade de Vigia. No decorrer dos anos, outros grupos de amigos que desfilavam, também com roupas de mulher, foram se juntando; pessoas que saíam sozinhas também foram se infiltrando; com isso, foi aumentando cada vez mais o bloco.
Hoje, aquele pequeno grupo de uma dúzia de foliões, transformou-se numa festa imensa, que deixa perplexo a quem tem a oportunidade de assistir a passagem do que se chama de “As Virgienses”, homens vestidos com roupa de mulher. As 16h, na segunda-feira gorda, milhares de foliões se aglomeram na concentração (Av. Barão de Guajará) e na Avenida do carnaval (Av. Dr. Marcionilo Alves). Por todas as esquinas próximas, há risos abundantes, gargalhadas, comentários e muita agitação.
A cidade “pára”: mulheres preparam seus maridos, namorados, amigos e parentes. “Os homens ficam nas mãos das mulheres”. Elas pintam os rostos, colocam brincos, emprestam suas roupas, sapatos, etc. Outros se preparam sozinhos, devido à experiência em anos desfilando nesse bloco. E muitos compram as fantasias prontas. As mulheres fazem ou mandam fazer várias iguais, para grupos de amigos. Há quem observa as personagens que se destacam nas novelas da Rede Globo, e incorporam uma roupa e demais detalhes. Tudo isso, com muitos risos e animação.
Então, começa o desfile das “Virgienses”: este é o nome do maior bloco de “sujo” da cidade da Vigia e do Pará. Um bloco carnavalesco de homens vestidos com roupa de mulher.
Texto baseado no livro Memórias dos carnavais de Vigia (1932 – 1970) de Paulo Cordeiro, vigiense, historiador e autor dos livros: Carnavais de Vigia: Das Escolas de Samba à Micareta, O Futebol da Vigia (1920 -1985) e Carimbó da Vigia (veja mais sobre este livro AQUI).
Ponto Zero - Cultura, Entretenimento e Informação Juliana Marruás
É formada em Comunicação na área de relações públicas. Colunas de Música, Cidade, Viagens e Turismo, Eventos, Tecnologia e Artes Cênicas.
