Twitter, microverso de si mesmo...
Deus não te segue...De local virtual dos cults e descolados ao posto de espaço-serviço web preferido de 11 em cada 10 internautas, o Twitter é sem sombra de dúvidas a mídia social da vez, estão nele de pessoas completamente normais, perfis de empresas, artistas, subcelebridades, blogueiros, empresários, profissionais renomados, programas de tv, perfis de animais, de locais, de momumentos, perfis diversos do criador e do filho do criador, diretores de teatro, cinema e personagens de novela e o que mais você possa imaginar, ou não, está no Twitter, um microverso fechado sobre si mesmo...
Assim como diversas outras mídias sociais, o Twitter experimenta seu auge com taxas de crescimento estrondosas na casa dos, sei lá, quase 1000%... dá para imaginar um número de usuários aumentar quase 1000%? É gente demais, vá lá que, dando os descontos dos fakes, dos perfis já abandonados, porém ainda no sistema do microblog e as diversas contas que pertencem a um único usuário (conheço um indivíduo que tem ao menos umas 7 contas diferentes), mesmo assim é gente demais em um único serviço que, até uns anos, era o point de uns poucos interessados aqui no Brasil, haja vista que o serviço está on line desde 2006 quando foi criado por Jack Dorsey, mas ganhou notoriedade e users aos quilos por volta de 2009 e teve seu boom em 2010 ganhando o status de "nova revolução da web".
Mas como tudo na web o destino do Twitter vai ser o mesmo do Second Life que foi o mesmo do Orkut e que será o mesmo de todas essas grandes "revoluções" que cumprem seu papel em um determinado período no tempo e no espaço virtual. Porque de revolução o Twitter não possui absolutamente nada assim como o Orkut e o Facebook também não. Veja bem, não estou dizendo que é ruim ou que é comum, pelo contrário, como utilizador sei bem que o Twitter é uma ferramenta incrível em termos de velocidade e de replicação de informação, só não vejo nele essa tão alardeada revolução que, outrora, foi imposta ao Orkut, hoje ao Facebook e Twitter juntos. Que nada, tudo coisa velha e conhecida de qualquer internauta. Revolução foi a roda.
Aí você se pergunta "Como Assim?". Simples, tudo, absolutamente tudo que está no Twitter já existe, só não no formato que ele usa. Limita-se a 140 toques de teclado, incluindo-se o espaço em branco da barra de espaço, daí entra o exercício de transcrever uma idéia nesse limite de forma que a mesma seja atrativa, incluí-se um hiperlink para um objeto externo ao Twitter como um site, um blog, uma resenha, um vídeo, uma imagem que seja. Daí o utilizador acessa esse link e começa a navegar fora do microverso. E há, claro, os tweets normais, sem nenhuma elaboração e nenhum conteúdo além do umbigo de quem escreve, coisa mais normal do mundo, afinal o serviço é um microblog... saca? Micro e Blog, mais pessoal impossível.
Daí é tudo mais do mesmo, você procura pessoas, elas te procuram, vocês se adicionam (ou não), cria-se uma rede, depois você procura por informações e perfis que possam lhe ser úteis de verdade, porque ficar lendo só o que seus amigos e alguns estranhos dizem não faz muito sentido durante 24 horas por dia, quando algo interessante é encontrado é replicado de imediato entre o máximo possível de pessoas, o mesmo esquema dos emails de correntes, hoje um pesadelo entre os usuários mais antigos. Nada de novo...
"Mas Orlando, um tweet de uma empresa pode conter um link para alguma informação importantíssima", concordo, mas desde quando o hiperlink foi criado no Twitter? Oras, ligar um texto através de um link externo é praticamente da mesma idade da Web. Sem falar que já era feito por email, por scrap, por depoimento e sei lá mais o que.
Aí então as pessoas começam a manifestar suas opiniões pessoais e falar de si para si mesmas, reclamar do que não gostam e elogiar o que gostam, coisa normal, convenhamos, e, pasmem, nada de novo outra vez. Alguns chamam de revolução devido à facilidade de ir até o perfil de uma determinada empresa e falar que ela é boa ou ruim e dizer isso para um número muito grande de pessoas... nada de novo, isso é feito há anos no Orkut também e por email idem.
Casos de clientes insatisfeitos são propagados no Twitter a velocidade de cliques quase que a velocidade da luz, fala-se para um e para muitos ao mesmo tempo... Legal, mas, sempre tem um porém, isso não significa nada. Sabem por que? Porque o Twitter é um microverso fechado em si mesmo. O que começa lá, lá termina. Você fala mal de uma empresa ou serviço dando um mention no perfil dela ou em forma de hashtag, seus seguidores compram a briga com você, ou melhor, os seus amigos que te seguem compram a briga e mais alguns outros desconhecidos e só, no dia seguinte ninguém lembra mais do que estavam falando porque outro assunto entrou em pauta, alguma celebridade falou alguma merda, algum artista lançou um novo álbum, Lady Gaga apareceu com outra roupa esdrúxula ou, o que é mais comum, as pessoas voltam a falar de si para si mesmas... (microblog, né povo).
Não adianta falar mal de empresa no Twitter achando que isso vai mudar algo para a mesma e seus clientes... Aí você olha pra mim e diz "Não? Tu tá doido? Como assim Não?". Simples, microverso fechado em torno de si, focado em uns poucos "privilegiados" que reclamam de serviços reais... eis aí a armadilha, a realidade, o mundo físico draga tudo de forma implacável e sonhos infantis da web se perdem em meio ao turbilhão de realidade, pois o que nasce no Twitter, como disse, morre no Twitter sufocado pela própria estrutura do serviço. Casos isolados de insatisfação por parte do consumidor não fazem com que vendas despenquem, que empresas fechem suas portas e decretem falência ao redor do mundo, ou tão somente em Belém... Já perdi as contas das vezes que vi pessoas com tweets de reclamações com mentions a perfis de empresas, esculhambando meio mundo por mau atendimento, preços caros e outras coisas do gênero sem efeito nenhum além de conquistar a revolta de amigos e os já citados poucos seguidores e nada, absolutamente nada, além disso. Nada de revolução novamente.
Levanta a mão quem leva unfollow direto \o/O que quero dizer é que a tão alardeada revolução do Twitter é tão somente uma ilusão interna do serviço de microblog, pois não há saída e repercussão fora dele, basta analisar o fluxo de assuntos que são oriundos de outras mídias e que invadem o Twitter a todo instante: Política, tv, cinema, música, Big Brother Brasil, novelas, games e por aí vai. Os assuntos do Twitter, quase invariavelmente, são assuntos que estão em outros veículos de comunicação, inclusive a própria Internet através de grandes portais de grandes conglomerados empresariais como Yahoo, Microsoft, Uol, G1 e R7, só para citar uns básicos e populares. Ou seja, o fluxo é muito maior, mais intenso e importante vindo de fora para dentro do Twitter, quase nunca o inverso, quase nunca algo nascido virtualmente passa para o plano físico, já o contrário é quase lei.
Repito, não estou desmerecendo o serviço, como já disse, uso, uso muito e me divirto fazendo isso diariamente, mas não concordo com a dita revolução dos 140 caracteres... Consigo informação de sobra lá, mas também faço isso no Google tão rapidamente quanto, nada de novo e basta ter menos preguiça. Fala-se de tudo no Twitter, do Oscar às incessantes reclamações de que a segunda-feira é chata e a sexta-feira está chegando, que o Justin Bieber é gay, que o fulano do BBB11 está no paredão ou vai sair semana que vem, Mubarak caiu após anos à frente de uma ditadura no Egito devido aos protestos incessantes da população insatisfeita, que Amazonino Mendes mandou uma moça morrer duas vezes diante das câmeras e por aí vai, tudo vindo de fora para dentro. Sem falar nas insuportáveis frases atribuídas a Clarice Lispector e a outros grandes escritores e que são ruins até a alma e são verdadeiros desserviços aos grandes nomes da literatura brasileira e universal.
A bem da verdade, de nada adianta assuntos no Twitter se os mesmo não forem levados da realidade virtual para a realidade física, o microblog é tão somente uma pequena fatia de mercado que contém diversas outras microfatias que refletem padrões de mundo, de cultura e de consumo. O que há no Twitter é só uma parcela pequena da população, empresas não perdem milhões de consumidores porque alguém com mil seguidores diz que essa empresa X é ruim ou que o vendedor da empresa Y o tratou mal. Isso não serve para nada além de desabafo pessoal, além de por para fora sua revolta com algo do mundo real dentro do virtual. Números de RTs, de seguidores, de replies, de mentions não vão fazer diferença nenhuma no mundo real, pois presença virtual sem presença real e nada é a mesma coisa.
Para uma empresa, ter um perfil no Twitter é a mesma coisa que por um comercial na tv, no rádio ou um banner em um site ou blog que seja. É só mais um espaço para se divulgar algo para um público e tuiteiros são somente potenciais consumidores como são qualquer nicho mercadológico.
Uma baleinha da pesa aprontando mil e uma trapalhadas num miccroblog muito louco #NotQuer um exemplo? Projeto Jogo Justo (AQUI e @JogoJusto), com uma ótima presença virtual que é tão somente um reflexo da existência física do projeto que já realizou diversas palestras, tem diversas empresas como parceiras e apoiadoras, tem representantes em, pelo menos, umas três grandes capitais brasileiras, um embaixador representante em Portugal, site, comunidades em várias mídias, já foi matéria em grandes jornais televisivos e impressos, revistas especializadas em games e tecnologia e por aí vai. Ou seja, atacar no Twitter é, pra o Jogo Justo, tão somente atacar mais um filão, arregimentar mais um leque de possibilidades e reafirmação de uma existência virtual e não como muitos pensam do Twitter sendo "O salvador do mundo" e grande meio de atingir público e dominar o mundo.
Como disse, tão somente é mais um nicho a ser abordado, a ser pensado e atingido com especificidades de direcionamento, resumindo, falar ao público do microblog dentro de sua própria linguagem de forma a reforçar o que está sendo dito fora do microblog. Nada mais nada menos que fluxo de entrada no Twitter para gerar fluxo de saída do Twitter para um site, para um portal, para um evento, para um vídeo no Youtube, para uma entrevista que seja... E caso a fatia do Twitter não seja atingida, nada demais se outras fora dele deram o retorno desejado.
E lá se vai mais uma vez, pelo ralo, a revolução que muitos querem empurrar goela abaixo de todo mundo, mas não é. Se não se materializar, morre lá mesmo e dá lugar a inúmeros assuntos nesse eterno ciclo de assunto dando lugar a outro assunto e nada além disso, porque repercussão dificilmente acontece dentro do microverso dos 140 caracteres, é mais fácil o inverso. Pergunte a alguém sobre uma hashtag nascida no Twitter (não vale de assuntos que estiveram primeiro na tv, impressos, radio ou em outros sites), para alguém que não tenha um perfil no Twitter e veja o impacto de ver o mundinho do microblog desmoronar mais uma vez sobre si mesmo.
Indispensável atualmente, o Twitter merece respeito, conquistou seu lugar merecido ao lado do Google, do MSN, do Youtube (esse sim uma revolução) e tantos outros veículos que um dia foram indispensáveis e hoje ocupam um lugar de desprezo entre a dita elite da internet como é o caso do Orkut que, por muitos, é tratado hoje como favela virtual, mas que um dia foi o point desta mesma elite que hoje endeusa o microblog. É preciso ter a ciência que, assim como qualquer reduto de grupos de usuários, o Twitter é tão somente uma representação de um nicho como outro qualquer ao estilo de: Mulheres, homens, pagodeiras, modelos, homossexuais, artistas, adolescentes, casados, solteiros, geeks, nerds, intelectuais, acéfalos e por aí vai, só fatia de mercado e nada mais, nicho e nada mais. A ressalva é para o fato de que nada no Twitter vai mudar o mundo fora dele assim como nada no Orkut nunca mudou o mundo fora dele, mesmo que isso machuque alguns corações ou termine algum relacionamento por causa de um scrap ou depoimento aceito...
E por fim, o Twitter não derrubou Mubarak, não vai derrubar Obama, não vai fazer Justin Bieber parar de cantar e nem vai fazer as pessoas pararem de inventar frases ruins e piegas e atribuí-las a Clarice Lispector (por mais que eu queria, com todas as forças, que isso acabe), também não vai quebrar a Apple ou a Coca-Cola porque um grupo ínfimo de usuários de Twitter estão reclamando de alguma coisa que não gostaram em algum produto dessas marcas, também não vamos parar de reclamar da segunda e comemorar a chegada da sexta ou de inventar hashtags absurdas e nem parar de fugir para as colinas. Para reclamar de empresas vá até a gerência, até o Procom, porque reclamar no Twitter só serve, malmente, como desabafo.
Revoluções são feitas no mundo real, porque cyberativismo sem ativismo físico é palavra ao vento. Microblog é isso, falar de si para si mesmo... e olhe lá. Ao menos até o dia em que o Twitter se tonará tão odiado quanto o Orkut é hoje. Afinal um espaço de perfis pessoais é composto de pura idiossincrasia e nada mais.
Agora vou ali postar uns tweets...
