Revolução Digital dos raivosos
Anos atrás não se imaginava a Internet como ela é hoje, blogs, sites, portais, twitter, orkut, MSN, vídeos on line no Youtube e tantas outras coisas. Não se imaginava também tantas vozes, tantos discursos, tantas informações em tão pouco tempo. Gente escrevendo, gente filmando, gente comprando, gente replicando, copiando, reproduzindo, plagiando, imitando em questão de minutos. O culto da celebridade instantânea com duração menor que o tempo de vida da própria celebridade instantânea, gente idolatrando um vídeo hoje, compartilhado em segundos e segundos depois esquecendo o vídeo como se ele, coitadinho, nem existisse. Febre por mais, muito mais e um mais cheio de menos ou de muito mais ainda.
A verdade é que, eficiente como qualquer meio bem direcionado, a Internet se tornou, segundos atrás, o terceiro maior veículo de comunicação do mundo atrás dos jornais em segundo e, claro, da Tv em primeiro. Lembrando que a tendência é aumentar ainda mais isso e emparelhar com os jornais e tv ainda em idos de 2012 (pelo amor de qualquer deus maia ou inca ou asteca, o primeiro que falar em fim do mundo fica um ano sem Internet).
Quem fala o que quer...
A grande questão sobre a Internet é: A liberdade de falar as coisas que o usuário tem hoje.
Diante de tantas falas abertas francamente para que o internauta se expresse, não é de se espantar tanta procura pelos diversos formatos comunicacionais disponíveis na rede mundial. Basta acessar os blogs para se ter uma idéia de quantas pessoas estão aí falando, se expressando, se expondo em debates, alguns muito bons outros nem tanto, alguns profundos, relevantes e significativos e outros completamente idiotas e sem sentido. Entretanto, o vazio de significado não é atributo, como acreditam alguns, só da mocinha Internet. Basta passar alguns minutos diante da senhora Tv e você vê e ouve coisas tão dispensáveis quanto anel para unha de cachorro de madame.
O interessante no debate digital hoje é notar que muitas pessoas que se abrem na rede, se expõem nos comentários, nos emails, nas câmeras por aí são, muitas vezes, as mesmas pessoas se simplesmente se calam para o que há de ruim no mundo real, simplesmente se omitem de debater qualquer coisa, de se expor o mínimo que seja, enquanto que, no mundo virtual, é um brigão, encrenqueiro ideológico de primeira e busca até mesmo suporte filosófico (às vezes de quinta, é verdade), para esquentar ainda mais as brigas e debates virtuais. Ora, se na Internet todos são tão ferozes, porque com tv, com os impressos, com o rádio, com os jornais a maioria das pessoas simplesmente se cala? Ou se calava? O que abriu tantas portas para que tantos se empenhem em adotar uma postura excessivamente agressiva e, em momentos inspirados e raros, crítica e qualitativa?A bem da verdade a caixa de Pandora está aberta, as pessoas têm voz, tem garganta e dedo para digitar, na maioria dos casos, o que bem entende, se expressa, mal muitas vezes, mas se expressa. Nisso reside o grande mérito de que, mesmo em ocasiões inoportunas e de forma errada em certos casos, as pessoas tem no mundo virtual a chance de externar alguma coisa, alguma opinião, elevar ou engrandecer algum debate, algum discurso, ou até mesmo depreciar, pois é válido lembrar que as idéias, assim como os produtos, têm seu tempo de vida e de mercado, muitos estão fados ao esquecimento, ao fim e com as idéias não é diferente. Muitas resistem ao teste do tempo ou proporcionam a partir de sua base o nascimento de outras idéias, de outros pontos de vista e de acesso.
Talvez ainda elitista em grande parte, a Internet vai ganhando espaço em escolas, casas, empresas e invade cada vez mais a vida das pessoas que, em certos casos, preferem a segurança do mundo virtual e seu distanciamento do que o perigo da aproximação e da existência do outro em carne viva. Até porque tem muita gente que tem coragem de sobra para desafiar, passar cantada, ofender, elogiar ou desabafar através da máscara erguida pelo mundo virtual entre todos nós.
Meu lugar ao SolPara o bem e para o mal, óbvio, a Internet veio para ficar, mudou o mundo, muda o mundo o tempo todo, mesmo que, em muitos casos, seja uma mudança infinitesimal para uma minoria. Vozes e disponibilidade para falar ela trouxe, resta saber melhor como e para onde falar, porque diante da tv, do radio, do jornal, todo mundo parece silenciar de maneira ensurdecedora. E nessas horas eu me pergunto como esse pessoal se livra da raiva que eles sentem e põem para fora quando estão navegando, como se fora do mundo real todas essas pessoas fossem apenas espectros, fantasmas de uma identidade que só existe mesmo no plano virtual.
A pergunta é: O arquétipo é o do mundo real ou o do mundo virtual?
Não precisa responder agora, primeiro vá tomar um café, ler um jornal, uma revista, ver uma novelinha, comentar em algum blog ou mandar um email, ou um SMS ou bater papo no MSN. Opções não faltam e a Internet gosta de se rever, de se reinventar muito rápido, então corra, você já deve ter perdido alguma inovação nos últimos minutos, segundos, milésimos de segundo... o vídeo mais acessado de hoje já está em segundo lugado antes de você ver o ponto final deste parágrafo... corra.No nosso próximo encontro conheça o Google, o deus da internet. Qualquer dúvida consulte www.google.com.br
