Guerra Civil nas Infinitas Terras
Causou reboliço (rebolaixon?) entre os fãs de HQs o tão prometido anúncio revolucionário da editora Panini Comics, responsável pelas hqs da Marvel e DC Comics no Brasil, no dia 8 de abril.
Um dos primeiros sites (acho que foi o primeiro mesmo) a soltar a bomba em cima dos fãs foi o Omelete em uma matéria do colunista Érico Borgo e depois a notícia foi replica em diversos textos, sites, fóruns, twitter e por aí vai.
De revolução não se viu absolutamente nada que já não tenha sido feito em algum outro momento das publicações de HQs no Brasil, a própria editora Abril, antecessora da Panini, tomou atitudes assim no passado remoto. Redução ou aumento do número de páginas, redução ou aumento no preço das publicações, cancelamentos, novas revistas e o que se esperava de revolução é isso aí que todo fã mais antigo (tipo, década de 80 e 90) já conhece de ponta a ponta.
2 + 2 = 5?
A questão aqui é saber como a Panini chegou até este revolucionário modelo de velhice e o entregou aos fãs sem mais e nem menos. Não quero questionar uma decisão empresarial que reflete numa decisão editorial, mas o que se viu em praticamente toda manifestação de fãs por aí foi insatisfação. Uns pelo preço maior, outros pelo preço menor, outros pelo cancelamento de títulos comprados desde o primeiro número e diversas outras reclamações sobre os anos da Panini à frente do mercado. Diante de tanta reclamação, de tanta lenha na fogueira e repercussão negativa é que faço a pergunta: Alguém aí consultou o leitor? Se a resposta for sim, então esses consultados são exatamente os que não estão falando nada, aparentemente uma minoria. Em caso de não haver uma consulta ao leitor então está tudo bem. Ou melhor, tudo mal.
Como disse, não questiono uma atitude empresarial que reflete em uma nova linha editorial por parte de uma grande empresa, mas me parece que há pouco ou nenhum interesse pelo que falam os fãs insatisfeitos que observam um certo estilo Abril de fazer revoluções com HQs. Ao que tudo indica essa nova linha editorial foi concebida com base em algum critério extra-leitor e muito, muito focado em medidas que obviamente beneficiam a Panini, algo perfeitamente normal em se tratando de uma empresa. Afinal, quem está nessa por ser fã são os leitores, a Panini está nessa pela grana, isso é fato.
Revistas passarão por mudanças no número de páginas e preço a partir das próximas edições. Claro, nas que sobreviverem ao cetésimo número O ponto que quero chegar é o fato de que a preocupação com quem compra 100 edições de uma revista, acompanha uma história, um personagem ou uma saga parece completamente inexistente ou negligenciado por algum fator muito, muito importante para além do leitor. Diante disto é que fico me perguntando: Quem compra o produto não é o mais importante de uma cadeia? Sem compra, sem lucro, sem lucro não vale a pena continuar produzindo. Claro, uma visão simplificada da coisa, admito, mas faz sentido. Ou seja, estão reduzindo por que não comprar? Cancelando por que não vende? Criando novas revista para formar novos leitores?
O que eu queria mesmo era uma explicação para algumas dessas coisas estranhas que rondam o mercado de Hqs no Brasil, sempre cheio de problemas, de dificuldades e dessas revoluções datadas e repetidas. Não quero criticar a Panini sem entender o lado deles como empresa, mas antes de tudo sou fã de quadrinhos e mesmo meio afastado do que acontece nas publicações mensais tenho minha cota de mini-séries, de especiais, encadernados e por aí vai. Minha puxada no cabo de guerra é pelo leitor que, assim como eu, sente um certo temor nessas “revoluções” que matam títulos, mudam preços e deixam aquela dúvida sobre o futuro de personagens tão importantes para a cultura pop.Há anos atrás a entrada da Panini trouxe o alívio de ver um novo mercado de HQs sendo formado após a saída da Abril que deixou um vazio com o cancelamento de todas as suas revistas na época. Esse é o meu medo, mesmo não sendo mais colecionador de títulos mensais, sempre gostei de ver o mercado, comprar séries especiais e saber que outras mídias estavam buscando nas HQs combustível para sobreviver (games e cinema que o digam). Mas tanto para o bem quanto para o mal há o consolo de que muitas publicações continuarão, que Reinado Sombrio da Marvel vai seguir até Siege e que Blakest Night da Dc está ás portas das edições brasileiras e seguirá adiante com seus prolongamentos.
Mas não é por isso também que o leitor deva se calar e aceitar tudo que nos é imposto, afinal quem lê somos nós. Por isso que a revolução da Panini levou um belo Zero à Esquerda:
Leia a matéria do Omelete e saiba quais as mudanças. {AQUI}
Orlando Simões
É Designer de produtos e gráfico, desenhista e amante de Semiótica. Colunas de Design, Games, Quadrinhos, Literatura, Artes Cênicas, Cidade, Tecnologia e Cinema.
