Pequenos Dramas de Jimmy Corrigan
Capa da edição brasileiraA vida de todos nós é permeada de acontecimentos, de aventuras grandes, pequenas e em sua maioria totalmente insignificantes. Medíocres na verdade, no sentido, claro, de média. Ou seja, acontecimentos da vida da maioria das pessoas.
Cada um de nós gostaria ter uma vida como as de filme, de novela, de uma série de tv ou de um best-seller. A bem da verdade todas as vidas são um pouco ou muito disso tudo em doses diversas. Mas o que vale olhar com uma certa atenção é o fato que todas as vidas passam pelos mesmo acontecimentos, pelas mesmas dúvidas e anseios, variando apenas o grau de cada detalhe.
Muitos de nós são apáticos, inexpressivos, chatos, sem graça, tímidos ou extrovertidos demais, feios de mais ou bonitos demais, expressivos demais, alegres demais ou melancólicos demais. E nada disso seria interessante para compor uma história digna de ser um livro ou um filme. Mas livros e filmes e novelas e séries e games estão cheios de gente assim, como nós. Com acréscimos ou subtrações nos devidos pontos e temos personagens magníficos e sublimes e odiosos etc.
É aí que entra Jimmy Corrigan, tímido, inexpressivo, apático, sem graça e melancólico. Então por que motivos Jimmy merece destaque aqui? Ora, porque ele é o Garoto Mais Esperto do Mundo.O que é Jimmy, não quem...
Uma história belamente ilustrada por Chris Ware, um dos desenhistas mais insanos dos últimos anos. O cartunista norte-americano nasceu em 1967 em Omaha, Nebraska. É vencedor de diversos prêmios Eisner e Harvey em variadas categorias, entre eles o Eisner (2001) de melhor álbum gráfico por Jimmy Corrigan, o garoto mais esperto do mundo e o Harvey (2006) de melhor cartunista.
Mas não é a vida de Ware que nos interessa, é sua obra, talvez a maior e mais divertida delas. A obra é um tijolo de 388 páginas com tradução de Daniel Galera lançado aqui no Brasil pelo selo Quadrinhos na Cia (da Cia das Letras), e se chama “Jimmy Corrigan, o garoto mais esperto do mundo”.
Este é o tipo de obra que só causa duas reações: amor ou ódio. Mas em qualquer dos casos há motivos de sobra para ler e ver o trabalho de Ware. Seu texto muitas vezes irônico e suas ilustrações pictóricas que lembram infográficos, Ware conquistou definitivamente o posto de lunático genial e é com certeza um nome que influnciará por muitos tempo gerações de ilustradores e quadrinhistas. Eis aí outro mérito de sua obra tanto quanto seu.Por que ler?
Simples, porque é magnífico em sua simplicidade, em sua inocência muitas vezes rachada aos pedacinhos por alguma alfinetada do texto de Ware. Outro ponto importante é a própria história em si, o eterno drama do conflito entre pais e filhos, ou da ausência deles, já que o pai de Jimmy não está presente durante anos da vida do garoto. Sua vida como um todo é tão simples, tão monótona e tão humana que é impossível não reconhecer nesta história um pouco de algum traço de nossas próprias vidas. Talvez não um reflexo nosso, mas de algum amigo, de um parente quem sabe, mas com certeza todos os traços que possibilitam identificação estão lá na vida de Jimmy. Falar desta e de qualquer obra recai em dois pontos: Primeiro o do gosto pessoal, segundo o de não conseguir passar ao leitor a verdadeira essência da obra e acabar gerando uma expectativa demasiada.
Bom, a dica está dada, vale a conferida, não só pelo ótimo texto de Ware, mas também pelo seu espetacular trabalho como desenhista. Cada paisagem, cada cena, cada pequeno quadro merece um olhar atento, minucioso para que o trabalho em torno desta obra se faça completo. Pois isso é um história em quadrinhos: Uma ótima história e lindas imagens.
Confira assim que puder, só não espere um homem morcego, um homem aranha ou um super-homem, aqui o que você vai encontrar é tão somente o homem normal e tudo de mais simples que ele carrega em seus pequenos dramas diários.Compre aqui pelo Submarino
Orlando Simões
É Designer de produtos e gráfico, desenhista e amante de Semiótica. Colunas de Design, Games, Quadrinhos, Literatura, Artes Cênicas, Cidade, Tecnologia e Cinema.
