J-Rock: Um apanhado geral do J-Rock e do Visual Kei - Parte 2
Década de 90: Auge do movimento Visual Kei
L'arc~en~ciel
Em minha opinião, o Visual Kei nos anos 90 está para o Rock Brasileiro nos anos 80. Explodiu de verdade, com os programas de televisão veiculando em sua programação videoclipes e apresentações ao vivo das bandas que surgiam e estouravam nas paradas japonesas que eram adeptas do movimento, ou tinham seu primeiro álbum lançados neste estilo estético-musical.
Uma destas bandas era o L’arc~en~Ciel, que tinha como estilo visual o Visual Kei, misturando os visuais do Hard Rock Glam Europeu e Norte-Americano. Na ativa desde 1991, eles possuem vários hits, como Lost Heaven, Ready Steady GO!(tema do anime Full Metal Alchemist).
O L’arc tem na sua formação atual o vocalista Hyde (que também se chama Hideto, mas adotou o Y no nome para diferenciá-lo do guitarrista Hide, do X Japan), o baixista Tetsuya, o guitarrista Ken e o baterista Yukihiro. O primeiro álbum, lançado em 93, atingiu o 1º lugar da Oricon, superando o feito alcançado pelo X Japan na década de 80, e assim dando continuidade ao crescimento da popularidade do fenômeno que eram as bandas de Visual Kei. O L’arc~en~ciel é considerada a maior banda de rock do Japão de todos os tempos, segundo a organização Japonesa de Cultura.Em meados de 1980, um jovem comum de Hiroshima muda sua vida após assistir um show do Motley Crue em uma de suas viagens à Osaka. A partir deste dia, este jovem passa a adotar um visual completamente glam, utilizando a maquiagem de sua mãe. O garoto ganha um violão e uma bateria de presentes, e passa a se vestir e tocar furiosamente igual o baterista Tommy Lee. Mas o Hard Rock acaba tornando-se simples demais, e logo o rapaz conhece a banda Sex Pistols, onde adota um visual completamente punk e desafiador, que deixava os policiais japoneses a alerta quando passava por eles.
Malice Mizer
O jovem em questão ficou conhecido mais tarde com o nome de Mana, e pelo instrumento que comprou com o próprio dinheiro, a guitarra. Ao mudar-se para Tóquio, conheceu em um Karaokê um rapaz que ficou impressionado com o visual de Mana. Este rapaz impressionado era Közi. Algum tempo depois, estes dois conheceram Tetsu, Yu~ki e Kami, e fundariam uma das bandas mais inovadoras do Japão e uma dos maiores expoentes do Visual Kei, o Malice Mizer. Mais tarde, Testu sairia e daria lugar a um dos maiores artistas japoneses da história, Gackt. O nome da banda significa, em Frances, algo como “Malicia da tragédia”.
A influência da música francesa aliada à música erudita européia em geral e a fusão dos solos de guitarra com ritmos diferentes e até mesmo com influências de ritmos brasileiros como o Samba e a Bossa nova tornaram o Malice Mizer uma banda única e até hoje com um estilo que banda nenhuma conseguiu copiar ou se apropriar.
A banda que mais chegou perto disso será falada mais adiante: Versailles. Em 1999, o baterista Kami falece devido a um derrame cerebral. Abalado com a morte do amigo, o vocalista Gackt deixa a banda, sendo mais tarde substituído por Klaha. O Malice Mizer lança seu último álbum em 2000, com os integrantes remanescentes Mana, Yuki, Kozi e Klaha, encerrando suas atividades em 2001.
Em 1990, o Lunacy fez seu primeiro show, para cerca de 15 pessoas na Machida Play House, em Kanagawa. Após serem descobertos por Hideto Matsumoto (guitarrista do X Japan), trocam o nome para Luna Sea, e assinam com a gravadora Extasy Records, gravadora fundada no final da década de 80 por Yoshiki Hayashi, baterista e líder do X Japan.
Luna SeaTambém apostando no recém-surgido visual kei, o Luna Sea foi considerado uma das bandas mais influentes do movimento por sua sonoridade, que misturava o new-wave, o pós-punk, o punk, o hard rock, o ska e alguns elementos de Heavy Metal, tornando a banda um verdadeiro ícone inspirador para bandas que surgiram no final dos anos 90 e no início dos anos 2000, sendo um verdadeiro sinônimo do visual kei no que diz respeito à estilo e composição musical. Durante seu tempo de vida, a banda manteve a mesma formação. A banda acabou em 2000, mas voltou em 2008, para shows em comemoração a datas de aniversário, e para tocar também no festival hide memorial summit, realizado em 2008 no Ajinomoto stadium.
Em 1997, após o fim da banda La:Sadie’s, os integrantes Kyo, Kaoru, Die e Shinya convidam o baixista Toshiya para fazer parte da banda, fazendo assim com que a banda Dir En Grey nascesse. O lançamento do primeiro mini-álbum, Missa, fez a banda alcançar as paradas da Oricon, porém a banda só começaria mesmo a fazer sucesso após o lançamento do primeiro álbum oficial, o GAUZE, em 1999.
Dir En GreyCom influências do X Japan e do Luna Sea, e também com influências do New Metal americano, o Dir En Grey viria influenciar as bandas de visual kei da geração 2000.
A partir dos anos 2000, O Dir En grey começou a ganhar projeção para os outros continentes, se tornando assim a banda japonesa mais famosa no mundo, superando o feito alcançado pelo Loudness na década de 80. O Dir En Grey tocou em festivais como o Rock Am Ring, Wacken (ambos na Alemanha), e tocaram ao lado de bandas ícones do New Metal, como o Linkin Park e o Korn.Esse sucesso mundial do Dir En Grey deu projeção para que bandas novas começassem a fazer sucesso fora do Japão, e deu suporte também para que bandas antigas também ganhassem fãs do outro lado do mundo. Esta expansão do fenômeno Visual kei do Japão para o mundo será explicado no próximo post.
Outros nomes importantes: SHAZNA, Kuroyume (considerada a maior influência do Dir Em grey), Siam Shade (responsável pela trilha sonora 1/3 Junjou na Kunjou, abertura do anime Samurai X).
No próximo post finalizo esta matéria, falando sobre o visual kei nos anos 2000, e o meu top 10 da história do J-Rock/Visual kei.Veja a parte 1 AQUI
Ponto Zero - Cultura, Entretenimento e Informação Raoni Silva Joseph
É Designer de profissão (webdesign, design gráfico e design digital) e músico por paixão. Formado em Design pela UEPA, é apaixonado por música, cultura pop japonesa, videogames e tecnologias em geral.
