Cosplay: Da fantasia à realidade
Elenco diversificado do animê Naruto no Animazon Connection 2010Olá pessoal! Estamos de volta com mais uma matéria exclusiva. Dessa vez iremos falar um pouco sobre um gênero que é uma febre mundial e que hoje se tornou até uma forma de viver para alguns. Estamos falando do Cosplay!
Quem nunca sonhou em ser um herói? Lutar contra o mal, solucionar problemas diversos, ser respeitado pelo que faz, ser justo e repreender com veemência toda a injustiça sem perder a boa índole e a humanidade que se tem é o desejo de todo aquele que no mundo em que vive, não se conforma com a indiferença aos fatos reais. Todavia buscamos inspiração, alguém em quem possamos nos espelhar, que possamos seguir e levar em frente seus ideais de “justiça, verdade, honra, lealdade”(Lion, Thundercats). Onde encontramos tais referências? No fantástico mundo da fantasia, englobada por quadrinhos, filmes, desenhos e séries diversas, onde residem nossos espelhos: Os Super-heróis!
No passado, contentávamos apenas na mera representação fictícia, onde um lençol era a capa, o cabo de vassoura ou um galho de árvore era a espada e os gritos de golpes especiais resumidos à simples gestos, numa mimese continua, porém fadada à submissão da realidade da vida adulta que como um manto escuro em uma forma de tsunami devastava nossos sonhos, fazendo de nos hoje os “cidadãos adultos”. Todavia, os tempos mudaram e o que antes era visto como uma fantasia de criança passageira, hoje criou raízes e ultrapassou o universo paralelo entre fantasia e realidade. Se vestir hoje como um super-herói tornou-se um modo de viver, uma maneira de manter viva a chama da justiça em nossos corações. A mimese virou práxis, deixou de ser eloquente e passou a ser realidade absoluta na vida de jovens e adultos nos últimos anos.
No passado, contentávamos apenas na mera representação fictícia, onde um lençol era a capa, o cabo de vassoura ou um galho de árvore era a espada e os gritos de golpes especiais resumidos à simples gestos, numa mimese continua, porém fadada à submissão da realidade da vida adulta...
Grupo de cosplayers do animê Bleech Jack e Mulan no concurso do Animazon ConnectionEssa maneira de ser hoje, que movimenta o mercado japonês como lojas especializadas na confecção de roupas e adereços é hoje vista no Brasil com um pouco mais de naturalidade, estando hoje presente como uma forma de atração contagiante em eventos como concursos, sessões de fotos e concorridas apresentações. Ao contrário do passado, onde só se fantasiar era importante, o gestual é parte integrante da personagem, ou seja, não se usa apenas uma fantasia, mas procura-se ao máximo uma aproximação na integra com o personagem homenageado e então nos concursos somos brindados por várias representações teatrais de tirar o fôlego!
Mas afinal, o que significa COSPLAY? Alexandre Nágado em seu livro “Almanaque da CULTURA POP JAPONESA”, nos brinda com uma série de informações preciosas acerca da cultura pop japonesa e nos afirma que Cosplay é “abreviação de “costume play”, é o termo usado para fantasias de personagens usadas por fãs”. Na Wikipédia, site destinado ao estudo de vários termos, uma espécie de enciclopédia virtual, Cosplay vem a significar:
“(em japonês: コスプレ Kosupure) é abreviação de costume play ou ainda costume roleplay (ambos do inglês) que podem traduzir-se por "representação de personagem a caráter", e tem sido utilizado no original, como neologismo, conquanto ainda não convalidado no léxico português, embora já conste doutras bases, para referir-se a atividade lúdica praticada principalmente (porém não exclusivamente) por jovens e que consiste em disfarçar-se ou fantasiar-se de algum personagem real ou ficcional, concreto ou abstrato, como, por exemplo, animes, mangás, comics, videojogos ou ainda de grupos musicais — acompanhado da tentativa de interpretá-los na medida do possível. Os participantes (ou jogadores) dessa atividade chamam-se, por isso, cosplayers”.
Apesar de termos o Japão como grande referencia e emancipador desse gênero, não foi lá que tudo começou. Isso mesmo, o primeiro Cosplay foi criado por Forrest J. Ackerman em 1939 durante a primeira Worldcon, na companhia de Myrtle R. Douglas. Ele com a veste "futurecostume", ela com uma versão do vestido do filme de 1936 "Things to Come" não faziam ideia do quanto àquela atitude iria revolucionar o mundo das fantasias. Assim, tornou-se uma prática anual nas Worldcon, concursos e atrações que posteriormente vieram a ser abertas aos fãs de quadrinhos.
Os primeiros cosplays de mangá/anime devidamente registrados surgem após os anos 70, nos EUA, chegando ao Japão na década de 80 por meio de Nobuyuki Takahashi, que ficou surpreso com o costume ao visitar um Wordcon. Deste modo, tornou-se comum no Japão durante as Comic Markets (criadas em 1975), que se celebram em Odaiba (Tóquio), lugares de compra e venda de Dōjinshi(revistas de game e mangá). Esse evento progrediu e se fixou como um dos principais eventos pop japonês, e logicamente encontramos japoneses vestidos de seus personagens favoritos de mangás, animes, comics e videojogos. Tal prática foi se estendendo a outros campos, em conceitos e culturas, ganhando projeção internacional. Mas é com a popularização do animê nos anos 90 que o cosplay japonês tornou-se popular no mundo todo, tratando-se de caracterizações de personagens existentes, bem diferentes dos primeiros cosplays nos Estados Unidos que se voltavam principalmente à criação de personagens, não estando presos aos pré-existentes.
Assim, podemos concluir que o Cosplay à lá Japon caracteriza-se por representar de forma fiel no fã um personagem pré-existente, ligado ao mangá, animê, tokusatsu e até mesmo ao J-Rock. Todavia ressaltamos que o mais encantador no cosplay não é o concurso, mas sim a socialização do fã com os demais visitantes do evento; o ambiente é tomado por personagens diversos deixando no ar a sensação de estarmos abduzidos ao fantástico mundo da fantasia heróica. É uma atividade da qual podem participar e se divertir, uma programação feita para crianças, adolescentes e adultos de todas as idades, sexo e condição social.
Felipe Salgado, da organização do Animazon, e seu cosplay de Felipe Salgado. Concurso com escolha do público no evento.No Brasil, incialmente já tínhamos fãs se fantasiando de personagens como Jornada nas Estrelas e RPGs, mas o termo Cosplay ainda não era utilizado, todavia com a Chega de animações como Cavaleiros do Zodíaco surgiram a as primeiras convenções de animê e mangá que começaram a trabalhar com o assunto, partindo as primeiras iniciativas do site “Cosplay Brasil”, uma fusão dos sites “Arquivo Cosplay Brasil” e “Cosplay Party Br”, reunindo a parte mais significativa de fãs desse gênero em território nacional. Dentre os eventos de grande porte nessa área está o Anime Friends, organizado pela Yamato Comunicações e Eventos, como o maior concurso de cosplay do Brasil, onde em 2007 mais de 1.200 concorrentes inscreveram-se em seis categorias. O segundo maior é o Anime Dreams, com mais de 800 inscritos num só evento em 2007.
Em Belém-Pará é grande o número de adeptos Cosplays. Em eventos como Animazon Conection, Otaku no Matsuri, Passeios Cosplay, dentre outros, vemos a grande luta de nossos heróis em busca do reconhecimento e aceitação. Todavia, ao contrário do que se passa nos resto do Brasil, não temos lojas e nem apoio cultural que possibilitem o mínimo de ajuda para que se confeccionem suas fantasias. Não estamos falando de patrocínio, queremos dizer que pela falta de apoio, o pessoal que curte o Cosplay tem que se virar sozinho, confeccionando à mão sua fantasia. São poucos os camaradas que começam a despontar nessa área, inclusive é um mercado promissor em Belém que ainda não foi explorado e que cresce a cada dia.
E o que falar dos amigos que organizam os eventos? Criticar? Negativo , também se esforçam para tentar garantir um pouco de dignidade aos fãs que a encaram a missão de levar a frente o Cosplay em Belém; mesmo que seja penoso, a satisfação nos olhos daqueles que prestigiam vocês, Cosplays de Belém é uma graça alcançada sem precedentes. Lembro de meu filho Andrew Ryu, completamente nostalgiado em seu primeiro evento, tirando fotos, fazendo poses com Zabusa, Goku, Guerreiros da Akatsuki, Mário, Digimons, nossa, nem eu nem meu filhão esqueceremos jamais tais momentos, eu porque levei-o a conhecer o mundo ao qual pertenço, ele por adentrar e compartilhar comigo desse momento fantástico.
Em Belém-Pará é grande o número de adeptos Cosplays. Em eventos como Animazon Conection, Otaku no Matsuri, Passeios Cosplay, dentre outros, vemos a grande luta de nossos heróis em busca do reconhecimento e aceitação
Sailor Marte morena da cor do pecado... O Comics americano também como fonte de inspiração para os praticantes de CosplayAos grupos de Cosplays em Belém deixo minhas estimas e votos em grande torcida, dizendo, não importa o quão penoso seja o caminho a se percorrer, o que importa mesmo é enfrentar os desafios com toda a força de vontade, pois o que o aguarda no final dessa batalha, são olhos cintilantes, felizes e deleitados de alguém que por alguns momentos, através de você, viverá algo que levará para o resto de sua vida consigo, e não há tesouro maior, assim nos ensinam nossos heróis, do que um sorriso de felicidade, satisfação e agradecimento.
No link da Wikipédia você poderá encontrar mais detalhes interessantes sobre esse assunto. Mas a matéria não termina aqui. No próximo post pretendemos fazer uma entrevista com alguns grupos de Cosplay em Belém ou de outro lugar do Pará e divulgar seus trabalhos. E você que curte e se veste também ao estilo Cosplay terá a oportunidade de mostrar ao nosso publico que cresce a cada dia o seu cosplay, basta mandar pra nossa produção seu ou os seus cosplays. Pretendemos criar aqui em nossa coluna um banco de dados com fotos dos nossos cosplays paraenses. No próximo post iremos divulgar as imagens, bem como conversar um pouco com a galera que faz bonito nos eventos. Fique ligado no Ponto Zero, sua fonte de informação e entretenimento!
Saionará!!!!
Ponto Zero - Cultura, Entretenimento e Informação Adeilson Pinheiro
Arte-educador, semioticista, artísta plástico, desenhista, músico (teclado, bateria, contrabaixo) e otaku de plantão! Colunas de Quadrinhos, Artes Visuais, Música e Cultura Oriental.
