O “Mundano” do “$ cara”



Eis o canto que domina, que abraça, que encanta. Eis os versos cheios de harmonia, de alegria que exterminam a solidão. Eis o desejo eloqüente de ao término, apertar o play e voltar a escutar tudo novamente. Eis o amor invadindo a poesia carregada, do poeta, do cantor. Eis o coração pleno fazendo melodias no ar. Eis a voz grave, do menino, do cantor que revela seu universo tão brandamente, que aos 13 anos mostrou sua arte, e em 2004 subiu aos palcos pela primeira vez. O pensamento corre, procura, se joga ao encontro do seu “Mundano”.

Cegos são aqueles que não vêem beleza na música paraense. Louco é aquele que não vê a qualidade da nossa música. É o ser que dirige de olhos fechados em uma via movimentada. Você não pode perder o rumo certo se você sabe o que quer e nossas melodias deságuam no quesito música. Música feita com o coração. Música feita com o sentimento. Música trabalhada à procura da perfeição. Aqui encontramos gente assim. Aqui encontramos rastros pelo chão para que possamos saber por onde seguir.

Mas há aquela história de respeito para quem gosta de Funk, para quem gosta de Pagode, para quem gosta de Sertanejo, não gosto e não curto, não condeno quem curte, porém prefiro ouvir algo que me agrade, algo que eu possa sentir nas melodias a alma do cantor cantando os versos que ali são destilados.

Pare para ler os versos do cantor paraense Arthur Nogueira. Pare para ouvir seu Cd Mundano. Você ouve a alma do cantor fazendo poesia. Você ouve o coração dele arquitetando versos. É como se o mais belo pôr-do-sol estivesse no seu “Mal secreto”. Ele não “deixa” o outono de lado e continua a poetizar. Um apenas “Sei lá” cantado com a alma. Ouça o outro lado de “lá” e sinta a poética do cantor, do compositor, do interprete e do rapaz de tom grave. Não há saída para o “$ Cara”, ele canta e encanta. As palavras não são capazes para descrever o “Carbono”.

Não perca a chance ao receber um “convite”, mesmo que esse convite seja às “03h05”, pois o frio que faz lá fora vai mudar o rumo e te esquentar quando você tiver um “pretexto” para que você deixe as suas marcas pelo chão e seja “gratuito” ao revelar o amor que há escondido nesses versos. O “sem nome” que diz:

“Tudo o que eu quis dizer
Foi-se por um segundo
Em sua natureza
“Sem nome.”

Seus sonhos são revelados nas entrelinhas. O que permanece martelando na sua cabeça é a batida, são os versos, que logo se vicia e começa a cantar quando você menos espera. Ele é mais uma realidade da música paraense. É mais uma obra prima apesar de estar nos palcos desde 2004. Ele engrandece. Ele se fortalece. Corre por nossas veias. Torna-se o nosso ar. O Cd Mundano é o tipo de obra que vem apenas com um único objetivo, enriquecer a música popular Paraense e a música popular Brasileira, sem essa de versos mal acabados largados pelo chão. São linhas melódicas certeiras. São traços articulados na medida certa. São estações na voz de Arthur.

Quando a música me encanta não consigo parar de escutar. Parece que magicamente fui envolto por cada canção. Faz-nos respirar cor e o sabor de tudo isso é maravilhoso. Pelas ondas do Mundano de Arthur Nogueira eu naveguei, e deixo aqui a dica para quem curte música de qualidade, música de verdade. Já na primeira canção a poesia mostra a sua imensidão, a imensidão deste menino, deste rapaz que é poesia pura. Em seus shows ele demonstra muito bem isso, de maré em maré, nas gotas da chuva que cai diariamente em Belém regando cada nota que exala deste CD, essa é a sua imensidão. Eis que a poesia sorriu pra mim.


Lançamento do Clip “$ Cara” de Arthur Nogueira

Dia 11 de junho ocorreu o lançamento do Clip “$ Cara” interpretado por Arthur Nogueira, faixa do CD Mundano e música de Marina Lima e Antonio Cicero. Primeiramente, parabéns a Clarté Foto e Cinema pelo trabalho muito bem feito no Clipe. Só de ver o Making of, já dava para notar que algo de qualidade estava por vir. O vídeo foi feito com câmeras fotográficas profissionais, porém o resultado foi surpreendente. Talvez por ter feito com câmeras fotográficas, esperei por algo com um pouco menos de qualidade, mas não, para a minha surpresa, ficou em nível de imagem de um clip feito com câmeras de vídeo. Mais uma vez, nota dez para a Clarté Foto e Cinema. Não deve ser fácil para qualquer fotografo sair dessa estrada que é a fotografia e começar a caminhar na zona dos vídeos, além de ter sido um aprendizado aos fotógrafos foi também um desafio, e mesmo sem recurso, incentivo, eles conseguiram fazer da música, um vídeo, uma obra digna de muitos aplausos.

Arthur Nogueira ao lado dos jovens e talentosos membros da equipe da Clarté no lançamento do clipe da canção "$ cara"

O clip tem toda a sua química meio sombria, meio dark, meio underground, gravado nas noites de Belém. A insegurança poderia ter queimado cada segundo, mas a vontade de fazer um trabalho bem feito foi maior ainda, o vídeo traduz bem isso, não há o que reclamar. O Arthur tem presença. Tem química para fazer clip, adorei demais à atuação dele, foi uma junção perfeita, soube fazer a sua presença ali, sentiu a música e não parou. Pavimentou toda sua musicalidade nas ruas de Belém. Mostrou que capacidade para investir cada vez mais neste ramo de vídeos-clipe tem de sobra. Pois mesmo sendo um vídeo gravado a noite, como disse, com um tom dark, a presença dele deu sabor ao clipe, com o olhar fixo a câmera, com o olhar disfarçado. Traduziu os gestos da poesia e claro, com isso, poetizou o vídeo.

Veja o teaser e o making of do clipe:

Teaser: $Cara from Clarté on Vimeo.
Teaser do vídeo de apresentação do videoclip do cantor Arthur Nogueira, realizado pela Clarté Foto e Cinema. Edição: Alexandre Nogueira. Filmado com duas 7d's e as lentes 50mm f/1.4, 35mm f/1.4 e 85mm f/1.4.

 

$Cara - Making Of from Clarté on Vimeo.


$ Cara (Marina Lima e Antonio Cicero)

Jamais foi tão escuro
No país do futuro
E da televisão

E nesse labirinto
O que eu sinto eu sinto
E chamam de paixão

E me apaixonam questões ardentes
Que nem consigo assim de repente
Expor

Mas entre elas há coisas raras
Que são belezas, loucuras, taras
De amor

Há sonhos e insônias
Ozônios e Amazônias
E um novo amor no ar

Entre bilhões de humanos
E siderais enganos
Eu quero é te abraçar

Dois mil e pouco, dois mil e tanto
É um novo século e no entanto
É meu

Meu cada gesto cada segundo
Em que te amar é um claro assunto
No breu

P.S.: Até o fechamento deste texto o clipe ainda não estava disponível nas redes sociais, então aguarem o pessoal da Clarté liberar oficialmente :D

 


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Carlos Matos

É estudante de Letras e apaixonado por jornalismo esportivo. Escritor e poeta. Leitor viciado. Cinéfilo. Blogueiro apaixonado. (Blog: Amanhã ou Depois - AQUI)

 

 

 

 

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