Escritor paraense Paulo Cordeiro lança seu quinto livro falando sobre visagens e assombrações
Dando continuidade a série de relatos históricos sobre a cidade de Vigia, o escritor paraense Paulo Cordeiro lança seu quinto livro, dessa vez instigando a cabeça do leitor. O livro “Representações do imaginário coletivo: Do Siribado da Matinta Perera a outros mitos da cidade de Vigia”, traz estórias curiosas sobre o imaginário coletivo da população local, contando estórias de visagens e assombrações, que mesmo em pleno século XXI continuam intrigando e assustando muita gente.
Quem não se lembra da história da menina do taxi? Ela pega o taxi na frente do cemitério Santa Isabel e pede para o taxista pegar o dinheiro na manhã seguinte. Quando volta à casa da menina, para sua surpresa, descobre que ela já havia morrido...
Essa estória, e tantas outras como a da Matinta Perera, curupira, boiúna, já contadas milhares de vezes nas ruas e casas e reuniões de família, foram eternizadas no clássico paraense escrito por Walcyr Monteiro, grande literato paraense. O Best Seeler que se tornou referência em escolas e universidade paraenses é uma obra que contribui para preservação e divulgação da memória da cultura popular do Pará.
Da mesma forma, Paulo Cordeiro, em sua obra “Representações do imaginário coletivo: Do Siribado da Matinta Perera a outros mitos da cidade de Vigia”, contribui para a divulgação da memória popular do município.
As ruas desertas e escuras foi cenário marcante para a propagação dessa imaginação, e muitas dessas lendas, estórias de visagens e assombrações, foram repassados de geração a geração na povoação, por meios de fontes orais.
O imaginário coletivo sobre Mitos, Lendas, Assombrações e Visagens é rico e diversificado na cidade da Vigia, especialmente com a chegada dos primeiros portugueses, que trouxeram parte da gama do imaginário europeu em voga naquela época, que em contato com o imaginário da cidade, absorveu muito da religiosidade indígena e posteriormente africana.
Exemplo dessa influência é o caso do Dinheiro enterrado, onde Diabo e Satanás estão ligados na imaginação de quem tirou ou tentou tirar dinheiro enterrado. Ele manifestava-se na ocasião que a pessoa estava cavando como, por exemplo, pedras eram arremessadas, vozes, gritos e sussurros eram realizados naquele momento. No imaginário coletivo, o diabo não queria que a pessoa retirasse o dinheiro enterrado, porque a alma do morto seria salva caso o dinheiro fosse desenterrado.
Trazidos pelos europeus cristãos, os termos diabo, satanás, inferno, purgatório, salvação, foram criados pela Igreja Católica, para difundir o medo do desconhecido. Medo este, introduzido no cotidiano coletivo popular e readaptado as características locais. A lenda do Dinheiro Enterrado também resgata o período da Cabanagem, pois de acordo com relatos populares, os tesouros foram enterrados pelos cabanos na cidade e em seu entorno.
De acordo com Shirley Nogueira, professora e doutora em História Social do Brasil, a obra de Paulo Cordeiro “é um trabalho de cunho historiográfico, mas que se utiliza do gênero narrativo da literatura”. Já para o autor, o livro pretende ser “uma fonte de informação e divulgação do imaginário popular a respeito deste tema.”
O lançamento do livro “Representações do imaginário coletivo: Do Siribado da Matinta Perera a outros mitos da cidade de Vigia”, ocorrerá na cidade de Vigia, em duas datas. No dia 03 de junho acontece no auditório da Secretaria Municipal de Educação e no dia 10 de junho no campus da Universidade do Estado do Pará. Quem tiver interesse em adquirir exemplares é só entrar em contato com a equipe do Ponto Zero.
Ponto Zero - Cultura, Entretenimento e Informação Juliana Marruás
É formada em Comunicação na área de relações públicas. Colunas de Música, Cidade, Viagens e Turismo, Eventos, Tecnologia e Artes Cênicas.
