Beatles e Pokémons no Video Games Live

 

Eu achava que o máximo de gritos histéricos que iria escutar em um show seria nos dois concertos do sir Paul McCartney que assisti no Brasil recentemente. Mas eu não contava com o que Pokémon ainda é capaz de fazer com marmanjos de quase trinta anos. Foi isso que constatei na Video Games Live, que rolou em São Paulo no sábado, 15.

O conceito da Vídeo Games Live se explica no próprio nome. É um show com guitarras, orquestra, corais, metais e tudo o que se tem direito, com um único repertório: trilhas sonoras de games. E não importa a época. Eles podem tanto tocar musicas de um jogo de Xbox 360 como versões turbinadas de midis que impregnaram nosso cérebro desde a época dos 8 bits.

Prova disso é o início do show. Tommy Tallarico (o criador da brincadeira, compositor de games e primo do Steven Tyler) entra no palco com uma guitarra mandando ver na trilha sonora de Street Fighter II. Poucas bandas de rock podem começar um show com uma musica tão adorada.

Quando o telão mostra a seleção de personagens e o Blanka sendo escolhido, seguido pelo clássico som “Brazil”, pronto. A platéia de nerds e curiosos já está ganha pro resto da noite.

A partir daí a coisa toma vida própria. Mario, Zelda, Final Fantasy VII, Chrono Trigger, Chrono Cross. Dezenas de jogos que marcaram a golpes de espada a vida de muita gente tendo suas trilhas executadas com as imagens dos jogos no telão. Com a trilha de Zelda particularmente, vi tanta gente chorando quanto em Let It Be no show do Macca. Incrível.

Carismático (e quase fanfarrão), Tallarico se esbaldou em elogiar a platéia brasileira. Disse que é a melhor do mundo. E não deve ser papo furado: é o sexto ano seguido que o espetáculo vem por aqui. E segundo ele, muitas musicas foram adicionadas no set list por indicação de fãs brasucas. E isso levou ao momento máximo do show: Pokémon. Um empolgante medley com as trilhas das versões Red/Blue, Pokémon Stadium, Pokémon Snap e outros.

Parecia final de Copa do Mundo. E com a galera gritando Blanka!

Clássico dos clássicos com cara de música clássica

Mas o lugar veio abaixo com a vinheta da Equipe Rocket dublada em português. Aí sim, vi gente que já deve ser pai hoje em dia gritar que nem um bebê desmamado, como uma das menininhas que perdiam a voz por causa dos Beatles.

Via Skype (essa ferramenta inovadora, como diz um amigo meu), a platéia teve a honra de conversar com nada menos que Ralph H. Beer, o criador do videogame. Nem foi preciso muita coisa. O cara de 86 anos foi aplaudido de pé. Aplaudido de pé via Skype. Mais nerd impossível. Outro que causou no show foi o compositor da Blizzard, Russel Brower, criador da trilha de Starcraft II, World of Warcraft e Diablo III. Esses jogos são conhecidos por tirarem a vida social de seus usuários. Mas eles saíram da frente do PC e estavam no show, urrando a cada música nova.


No intervalo, uma tela bem familiar para os viciados

Só fiquei contrariado com a ausência de God of War. Mesmo assim, já aguardo 2012 pra ver a Vídeo Games Live de novo. E se você, fã dos Beatles e do Macca, ficou chateado com a comparação do início do texto, aqui vai um lembrete: o Paul teve que recorrer aos videogames pra pagar o seu divórcio e por isso deixou lançarem Beatles Rock Band. Jesus salva. Mas videogame também.

 Bruno Silva. Redator publicitário, comentarista de podcast, jogador de PS3 e de Angry Birds.

Show em áudio inteiro:


Parte 1

Parte 2



Fotos: Tayana Mesquita




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Bruno Silva

Redator publicitário, comentarista de podcast, jogador de PS3 e de Angry Birds.

 

 

 

 

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