Entenda mais sobre o Projeto Jogo Justo


 

O mercado de games no Brasil sempre foi complicado, mas houve uma época que esteve muito melhor que a conjuntura atual. Antes o número de consoles lançados era maior, havia representantes nacionais dando suporte às vendas, assistência técnica, divulgando na tv e muitas outras coisas. Em relação aos preços não havia grandes diferenças e games, a bem da verdade, sempre foram uma forma de entretenimento caro devido ao alto valor tecnológico presente nesta industria.

O Nintendo 8 bits foi lançado oficialmente aqui com uma dezena de variações entre Turbo Game, Phanton System, Top Game e outros, o Master System foi trazido pela Tec Toy que mais adiante trouxe o Mega Drive, depois veio a Playtronic representando a Nintendo com o Super Nintendo para disputar o mercado nacional com a Tec Toy. Não estou esquecendo do fator Atari, mas o que estou levantando aqui é o período de grande explosão da industria com o advento dos consoles de 8 bits que criaram uma polarização entre Sega e Nintendo.

Com a chegada de aparelhos mais potentes e dos CDs como mídia de suporte dos jogos as coisas mudaram e quem dava as cartas no mercado também mudava e status quo Sega VS Nintendo mudou e a balança não subiu para nenhum dos dois lados, quem veio por fora e abocanhou o mercado foi a Sony com o seu Playstation que desbancou o Saturno da Sega e o Nintendo 64 da Nintendo. Dos três aparelhos só o N64 havia sido lançado oficialmente no Brasil, os outros dois somente pela importação, o que fazia os aparelhos e jogos terem preços extorsivamente exorbitantes (peguei pesado agora), não que o lançamento oficial fosse mudar esse panorama de preços para melhor. Mas aí está o “X” da questão.

Independente do que era lançado aqui ou não, o fator preço nunca mudou e desde a época dos consoles derivados do Atari passando por tudo que veio depois até os dias atuais, aqui em terras tupiniquins aparelhos e jogos sempre foram algo distante do poder aquisitivo do brasileiro, ao menos da grande população consumidora, aquela que dá lucros por ser numerosa, muito numerosa e consome de tudo. E este panorama nunca mudou desde o Atari até o lançamento do Xbox 360 e bem recentemente do Playstation 3, cujo modelo oficial lançado pela Sony custa a singela merreca de R$ 1.999,90... (veja dois por favor, um eu vou comer aqui e outro você embrulha para a viagem).

Nintendo 8 bits e o Master System, ambos lançados aqui no Brasil
Geração que suscedeu os 8 bits também teve lançamento oficial aqui com o Mega Drive e o Super Nes

Mas as coisas estão prestes a mudar, alguém neste mundo resolveu dar outro olhar para o mercado nacional e suas possibilidades de crescimento econômico com a devida atenção. O que sempre se disse a respeito do alto valor praticado pelo mercado de games aqui no Brasil sempre foi o fator taxa de impostos excessivamente alta, o que, em última instancia, aumentava e muito o preço final do produto, ou seja, o preço pago pelo consumidor, com títulos atingindo valores na casa de R$ 250,00 e até bem mais que isso nas edições especiais (mas isso é outra história).

Para lançar este outro olhar sobre essas questões e as possibilidades de benefício é que foi criado o Projeto Jogo Justo, idealizado por Moacyr Alves Júnior.

O trecho abaixo foi retirado do site do projeto que conta com muitos apoiadores da mídia especializada em games e de empresas ligados ao setor (AQUI).

por Thiago Simões em 10.ago, 2010 na categoria Conheça o Projeto:

O Projeto Jogo Justo, idealizado por Moacyr Alves Júnior, busca diminuir a carga tributária nos jogos importados vendidos aqui no Brasil. A intenção é mostrar por meio de um relatório baseado em informações comerciais de desenvolvedores e lojistas que o mercado de games nacional tem um enorme potencial. Como comparação, será utilizado o que ocorreu no México, quando o mercado de jogos cresceu 8 vezes após a diminuição da carga tributária. O Projeto Jogo Justo visa diminuir o preço dos games, dos aparelhos de videogame e de seus periféricos, fazendo assim com que o consumidor final tenha cada vez mais contato com os games, forma de cultura cada vez mais disseminada do mundo. Como consequência disto, o mercado nacional irá se desenvolver, além da possibilidade de mais produtoras se instalarem no Brasil, gerando de uma forma gradativa, mais empregos no setor.

O Projeto Jogo Justo foi criado dentro de uma comunidade e independe de ordem política, empresarial e da geração de lucros.

Começou a ganhar forma no segundo semestre de 2010 e no mês de novembro encontrará seu primeiro desafio, quando mostrará todo o seu potencial para a Receita Federal. Durante uma conversa em Brasília, serão apresentados os benefícios de se diminuir a carga tributária dos jogos vendidos no Brasil, onde os games passariam de R$ 250,00 para R$ 99,00

Caso seja aprovada pela Receita Federal, o plano poderá entrar em vigor já no início de 2011.

 

Espectativas para o futuro de nosso mercado

 

 

Wii, PS3 e X-Box 360 são os objetos de desejo do gamer moderno... E o pesadelo das contas bancárias...

Para adiante o que temos é um grande universo nascendo com muitas possibilidade, nada é garantido neste primeiro momento, mas o fato de que empresas estão interessadas nisso tudo é de extrema importância, os veículos de comunicação estão dando atenção ao projeto e seus desdobramentos, inclusive em veículos de comunicação mais tradicionais como a Tv, por exemplo.

Na web as repercussões são maiores, principalmente devido as possibilidades da velocidade de transito das informações, bem como do fator primordial que são os jogadores que encontraram na rede um de seus maiores meios de informações sobre games e o mercado ao redor deles.

Com toda a movimentação ao redor do projeto e seu rápido avanço no conhecimento da população, principalmente dos jogadores, fatia mais interessada nas melhorias, as chances de mudança são grandes em prol de preços melhores, mas é preciso admitir que algumas empresas precisarão colaborar de verdade com tudo isso, pois reduzir taxas de imposta e manter a margem de lucros alta não vai proporcionar preços tão em conta como queremos (sim, eu escrevo como jogador interessado em aumentar minha coleção de títulos, e daí?).

Então é de fundamental importância que as grandes empresas a dominar o mercado facilitem as coisas para o nosso bolsa e comecem a pensar em lucros no médio prazo e não no curto prazo ao peso de preços exorbitantes como vemos hoje. Se não aliarmos uma margem de lucro visando o médio prazo aliada a taxas de impostos melhores, sem dúvida o mercado competitivo e mais acessível permanecerá ainda um tanto distante de se tornar realidade. O processo deve se dar em conjunto atavés da taxa de impostos reduzida e uma margem de lucros também menor, de forma a tornar o mercado realmente competitivo em nosso território.

Boa sorte na empreitada, estamos na torcida.



Orlando Simões

É Designer de produtos e gráfico, desenhista e amante de Semiótica. Colunas de Design, Games, Quadrinhos, Literatura, Artes Cênicas, Cidade, Tecnologia e Cinema.

 



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