Um novo espaço para o mundo dos Games no mundo real
Na mesa de debate sobre games na Muvuca 2011: Elinaldo, Orlando e Paulo.Dois eventos foram pontuais para o Ponto Zero e para a discussão sobre games em Belém nos meses de maio e junho. Em maio a Semana de Comunicação 2011 da UFPA, sob o título Muvuca na Cumbuca no período de 11 a 14 de maio recebeu a oficina Games: Um olhar da Semiótica nas questões de criação na programação do evento, também houve a mesa de debate Games e Convergência: um papo sobre produção de jogos na Amazônia.
O outro evento foi na verdade dois eventos acontecendo concomitantemente. O primeiro evento foi a 2ª Mostra Analítica de Games seguida do 2º Workshop de Desenvolvimento de Jogos da Amazônia, ambos sediados no IESAM entre o final de maio e o começo do mês de junho.
Além do tema dos Games em comum, esses eventos tiveram duas participações bem emblemáticas opinando e fomentando ativamente esse debate: BelJogos e Ponto Zero.
Na semana da UFPA ministrei a oficina sobre Games envolvendo Semiótica como método de análise e de criação para entender e criar games, ou uma parte de um game de forma mais coesa integrando narrativa, gráficos, interação, interfaces e claro, compreensão ampla do que é um jogo de forma abstrata. Em dois dias fiz um resumo bem básico do esqueleto de minha pesquisa no campo dos games, Semiótica, Design e outras coisas mais para compreender e projetar games em um aporte mais amplo, pensando os jogos no que chamo de "bolha virtual espaço-tempo" ou também de "universo de signos espaço-tempo". Mas acho que a mesa de debate foi mais divertida que a oficina. No debate estavam à mesa junto comigo duas figuras ilustres do atual cenário que discute games: Prof. Paulo Rocha (IESAM) e de Elinaldo Azevedo (grupo BelJogos).
Falamos sobre vários aspectos e expomos diversas opiniões sobre o mercado, criação de jogos, games na cultura, inovação e perspectivas sobre o mercado de desenvolvimento de jogos aqui em nossa região, mais especificamente aqui em Belém, haja vista as iniciativas do IESAm e diversos projetos já em andamento na área de games. A esse respeito Elinaldo e Rocha estavam bem afinados, haja vista que o grupo BelJogos conta com um bom número de colaboradores que já atuam na área de criação e estudo de games em vertentes que não são a minha, muito mais voltada para compreender o fenômeno do game como produto da e na cultura.
Elinando do BelJogos
Prof. Paulo Rocha do IesamLonge de trazermos respostas definitivas, suscitamos na verdade indagações maiores que as que nos foram propostas, até porque somos poucos atuando nesse ramo no Brasil todo, menos ainda no Pará, cujos olhares sobre games ainda são insipientes, insuficientes e calcados em uma série de preconceitos que, além de estarem no mundo todo, estão mais ainda nas salas de aula que ainda contam com poucos professores interessados nos games e em seu potencial.
Apontei a carência de olhares acadêmicos nas universidades sobre o fenômeno do jogo eletrônico como mídia de comunicação e convergência, a ausência de olhares para um meio de comunicação cada vez mais inovador e diferenciado que ainda é visto como "brinquedo", mas que já deixou para trás conceitos como os da Web e da Internet (são coisas diferentes, lembram?). Não estou dizendo que não exista esse olhar ou interesse, mas via de regra parte do aluno, dificilmente de professores, principalmente aqueles mais antigos e, porque não dizer, defasados e ultrapassados que, no muito, conseguiram chegar até os estudos sobre internet.
Ponto alto para nosso amigo prof. Paulo Rocha que tem dado total apoio e incentivo dentro do IESAM para o surgimento de atividades voltadas para essa finalidade criativa e profissional na área de games dentre de um instituto como o IESAM.
Nosso outro ponto alto foi a realização das segundas edições dos eventos MAG e WDJA entre o fim de maio e começo do mês de junho com várias programações dentre oficinas, palestras, exposições, salas de jogos, mesas de RPG, mostras temáticas, discussões diversas e muito, muito game para a galera fã da área. No WDJA participei com a palestra Semiótica para Jogos no último dia do workshop que estava com uma programação bem intensa e com nomes de peso, com profissionais com experiências concretas e outros com experiências em andamento, alguns com projetos profissionais e outros com projetos acadêmicos.
No MAGWDJA apresentei uma palestra sobre Games e Semiótica, dentre os pontos que abordei falei de HUD, menus, representações etc...Em minha palestra abordei conceitos de Semiótica dentro do estudo dos jogos como uma ferramenta de compreensão e, representação e significação importante para a completude de um estudo e entendimento dos games como elementos de e na cultura. Não aprofundei muitos os conceitos de meus estudos e pesquisas devido ao fato de que não posso fazer isso agora, senão corro o risco de entregar os pontos antes de concluir a pesquisa. Mas tão logo vença a fase de preservar as informações e conceitos em prol do ineditismo, vou reapresentar esta palestra em outros momentos com um conteúdo mais completo e abrangente, espero que esse momento seja na próxima edição do MAGWDJA novamente.
Em resumo, foi gente de várias áreas de criação, todas ligadas aos games e seu complicado processo de desenvolvimento, produção e circulação. Entre apaixonados convictos por games e profissionais que, de alguma forma já atuam nesse mercado o debate foi ganhando corpo e visibilidade para desenvolver o que acredito ser uma primeira geração de profissionais do ramo de entretenimento eletrônico em Belém.
Dos sonhos infantis até tornar games um ganha pão, acho que estamos dando passos inicias bem grandes, pois o número de professores e de pesquisas na área cresce velozmente no mundo todo e é gratificante saber que aqui não estamos deixando as coisas ficarem para trás na vanguarda dos estudos em comunicação e tecnologia tendo os games como a cereja do bolo.
Let's Play...
Ponto Zero - Cultura, Entretenimento e Informação Orlando Simões
É Designer de produtos e gráfico, desenhista e amante de Semiótica. Colunas de Design, Games, Quadrinhos, Literatura, Artes Cênicas, Cidade, Tecnologia e Cinema.
