Porque todo mundo deve jogar Deus Ex - Human Revolution
A série Deus Ex coleciona prêmios ao longo de sua existência, iniciada no já distante ano de 2000 com o lançamento do primeiro game. O motivo de tantos prêmios? Simples, Deus Ex é soberbo em sua proposta de mesclar FPS (sigla de First Person Shooter - Tiro em Primeira Pessoa) com elementos de adventure e RPG, com evolução de habilidades, armas e ações de multipla escolha, dando ao jogador a possibilidade de fazer bifurcações na história e gerar inúmeros finais diferentes, de acordo com a tomada de decisões.
Com essa premissa de ação, raciocínio e escolhas, Deus Ex deu ao gamer a oportunidade de ser senhor de seu destino num mundo imersivo e cheio de interações, prendendo o jogador em um universo de ação pensada exatamente com o intuito de fazer de cada jogador uma réplica do deus ex machina da tragédia clássica. As respostas estavam nas nossas mãos e cabia a nós dar um rumo às coisas.
Ambientado em um futuro distópico ao melhor estilo cyberpunk de William Gibson e seu Neuromancer (estou devendo um texto sobre isso, mas vai sair logo, prometo), Deus Ex mostrava uma sociedade caótica e cheia de organizações se movendo por trás das cortinas para concretizar seus objetivos escusos. Diante de uma crescente onda terrorista em todo o mundo, a ONU (Organização da Nações Unidas) resolve sair da cama e do cochilo para tomar providências contra essa onda, criando a UNATCO, uma agência anti-terrorismo cheia dos truques especiais para combater a ameaça global... é aí que você, gamer, entra em cena.
No papel de J.C. Denton, um agente cujas habilidades foram ampliadas com nanotecnologia, permitindo-lhe superar diversos obstáculos durante todo o jogo, ficando a cargo de nós, gamers, desenvolvermos quais habilidades merecem destaque na evolução do personagem. As escolhas não são tão simples quando desenvolver essa ou aquela habilidade, mas também envolvem escolhas morais ou simplesmente fazer coisas por uma boa quantidade de grana ou para obter determinadas informações necessárias ao progresso da história. Esqueça bem e mal, esqueça certo e errado, claro ou escuro... aqui a coisa é mais nos tons de cinza mesmo.
Anos depois e sequências devidamente lançadas, Deus Ex ganhou seu lugar definitivo na história dos games no mundo todo, e mais que merecidamente uma nova versão do game chega em breve o mercado mundial para a atual geração com versões para PS3, X360 e PC.
A cronologia do game em termos de lançamentos é Deus Ex (que se passa no ano de 2052), em seguida vem Deus Ex 2: Invisible War (15 anos após os acontecimentos do primeiro game, o adendo do número 2 é meu) e agora temos Deus Ex: Human Revolution que se passa no ano de 2027 e, obviamente, se passa antes dos acontecimentos do primeiro game se tornando assim um prólogo aos anteriores em ordem de lançamento.
Deus Ex é cyberpunk até a alma...
Com o advento das novas tecnologias gráficas, aparelhos mais potentes e as evoluções no modo de se jogar nas nuances de uma história que vão além dos maniqueísmos de "Bem vs Mal", Human Revolution bebe direto na estética cyberpunk que deu origem à outras obras como Akira, Ghost in the Shell, Blade Runner (o filme tem visual cyberpunk, mas o livro não é da corrente cyberpunk, haja vista que a mesma é iniciada na década de 80 e o livro de Philip K. Dick é de, pelo menos 20 anos antes), Lain, Ghost Rider 2099, Matrix e muitas outras.Diga-se de passagem, Matrix chapinhou o conceito de um mundo virtual diretamente da obra de William Gibson, que me desculpem os fãs, o mérito da criação da Matrix como representação desse espaço virtual e imersivo é de Gibson e seus livros, não do filme que, nem é tão cyberpunk assim.
Visão em modo FPS para combates diretos com armas
Modo stealth... perdeu playboy...A evolução gráfica que separa o game mais recente dos mais antigos permitiu criar uma ambientação que é cyberpunk puro, é como estar diante do Sprawl de Gibson em Neuromancer, algo cuja representação sem sombra de dúvidas ficou muito melhor com o padrão atual... claro, se mantivermos as devidas proporções, o primeiro game era soberbo graficamente para sua época, mas falo mesmo no sentido de identificação da estética e da cultura cyberpunk de forma geral.
Com as possibilidades de recriar um visual e toda uma proposta estética cyberpunk, o novo Deus Ex vem também recheado de possibilidades de modificar o personagem principal com apetrechos e implantes, haja vista que ele já vem com o kit básico do cyborg moderno: braços biônicos e implantes oculares. Sendo assim, nada mais justo do que ser também cyberpunk nas ambientações escuras, cheias de anúncios, placas luminosas, holografias comerciais, muita chuva, becos úmidos, pessoas com roupas estilosas e implantes cibernéticos diversos, sem falar no mercado negro onde se pode conseguir de tudo um muito, de partes do corpo e órgãos humanos até os já citados bio-implantes, informações, armas e muito mais.
O barman de Deus Ex é a pura representação de Ratz e seu braço biônico. Ratz é o barman do ChatSubo, um bar do distrito de Chiba que aprece no primeiro capítulo de Neuromancer.
Os diálogos são essencias para toda a trama do jogo. Troca de informações ou até mesmo a compra delas também é um típica constante do universo cyberpunk.Human Revolution é sem sombra de dúvida uma grade revolução, adicionando ao game uma ampliação no fator stealth através de um elaboradíssimo sistema de cobertura para proteção em tiroteios, bem como para ocultação do campo de dos inimigos mais desatentos. Ah, claro, adicione a isso a habilidade de camuflagem que permite passar por inimigos praticamente invisível, uma entre muitas habilidades que podem fazer você concluir missões com o mínimo de confrontos.
A estética dos ambientes retrata um mundo futurista e ao mesmo tempo caótica caracterizando uma distopia bem ao estilo cyberpunk"Perái, jogar sem ter que combater, por que já?", os mais exaltados podem perguntar. Não é obrigatório, mas é uma opção, afinal, estamos falando de um RPG de ação, um FPS em essência, então, combater e atirar muito é só uma das muitas opções do jogo, ainda mais que as combinações de armas e poderes podem dar um resultado espetacular aos combates e as formas de se elaborar estratégias para a concretização de determinados objetivos. São quatro as principais mecânicas do jogo: combate, ação furtiva, interação social e invasão de sistemas, permitindo ao jogador uma gama de combinações e estilos únicos para seguir na narrativa.
Também vale ressaltar que isso aumenta o fator replay do game de forma mais que satisfatória despertando em nós a curiosidade de saber o que acontece se a decisão ou o caminho tomado for outro.
Se passando no ano de 2027, Deus Ex: Human Revolution nos coloca no papel de Adam Jensen, um especialista em segurança de uma empresa de nanotecnologia que se vê no meio de uma intrincada trama conspiratória envolvendo facções religiosas, terrorismo e manipulação política que irão gerar as inúmeras decisões morais do jogo envolvendo bioética, religiosidade, politicagem e traições, impondo ao jogador a tomada de decisões importantes envolvendo assuntos delicados a qualquer um de nós.
No papel de Jensen, o jogador viaja pelas futuristas versões de cidades como Detroit (nos Estados Unidos), Montreal (no Canadá) e Xangai (na China), mostrando um mundo globalizado ao extremo, onde verdades e mentiras político-empresariais atingiram um patamar assustador em busca de áreas de influência ideológicas. O mundo perdeu todas as suas fronteiras no mundo cyberpunk.
Deus Ex: Human Revolution tem data de lançamento agendada para o dia 26 de agosto no PC, PS3 e Xbox 360. Ao que tudo indica temos um divisor de águas vindo aí.
Warm machine...
Ponto Zero - Cultura, Entretenimento e Informação Orlando Simões
É Designer de produtos e gráfico, desenhista e amante de Semiótica. Colunas de Design, Games, Quadrinhos, Literatura, Artes Cênicas, Cidade, Tecnologia e Cinema.
