Crossover nos jogos de luta: Vem aí Street Fighter vs Tekken
Há alguns anos era comum entrar em um arcade para jogar games de luta. Compravam-se as fichas e as disputas corriam soltas. Ah, arcade é o nome dos estabelecimentos onde se jogava games em máquinas com tela e controle embutido, aqui no Brasil ganharam o nome equivocado de fliperama devido às máquinas de fliper, aquelas com uma bolinha metálica e centenas de luzes cujo objetivo era acertar a bolinha com os flipers direcionando-a aos alvos e assim fazendo grandes pontuações. Mas isso é outra história, só lembre que arcade eram as casas de jogos onde se vendiam as fichas para jogar nas máquinas e pronto...
A era dos games de luta um contra um em partidas melhores de 3 rounds sem sombra de dúvida foi iniciada pelo épico Street Fighter 2, com Ryu, Ken, Guile e companhia limitada trocando golpes e sopapos para ver quem era o melhor lutador das ruas no mundo todo. De lá pra cá muita coisa mudou, outros clássicos jogos de luta foram surgindo como Mortal Kombat, King of Fighter, Tekken e claro, com o sucesso dessas franquias suas respectivas continuações foram sendo lançadas uma atrás da outra.
Quando não havia uma sequência de um desses clássicos sendo lançada, quem ganhava a vez na preferência dos gamers-fighters eram os jogos que traziam personagens de quadrinho aos ringues. A Capcom foi a pioneira e, até onde sei, a única a trazer de forma satisfatória praticamente todo o panteão da elite Marvel Comics para a porrada generalizada. Quem inaugurou essa nova era foram os X-Men com o ultra-colorido X-Men - The Children of the Atom.
X-Men - The Children of the Atom foi o primeiro game de luta da Capcom a utilizar os personagens Marvel em lutas um contra um. O sucesso garantiu que os personagens Marvel ficassem muitos e muitos em evidência no mundo dos games.Com combos diversos, especiais exageradíssimos, saltos exorbitantes e habilidades únicas para cada lutador, os pupilos de Xavier ganharam a audiência por um bom tempo dividindo espaço com outras franquias como Darkstalkers também da Capcom, os infinitos Fatal Fury da SNK, quando não a máquina arcade ao lado era um Samurai Shodown ou King of Fighters. Tempo bom esse...
Depois veio Marvel Super Heroes que adaptava livremente a saga do Infinito da Marvel Comics (Desafio Infinito, Guerra Infinita e Cruzada Infinita). Alguns dos personagens de The Children of the Atom retornaram como a ninja Psyloke, o feroz Wolverine, o poderoso Magneto e o gigantesco Fanático, ao lado desses grandes ícones do universo mutante deram as caras outros ícones da Marvel, dessa vez do front dos Vingadores saíram personagens como Homem de Ferro, Capitão América, Hulk, Homem Aranha, Dr Destino e claro, o terrível Thanos de posse da Manopla do Infinito.
O esquema de luta era quase idêntico ao de The Children of the Atom com combos de solo e ar somados ao uso das jóias do infinito que davam poderes extras para cada personagem de acordo com a jóia. Super-saltos, counter-attack, recuo e avanço rápido, especiais megalomaníacos cobrindo boa parte da tela eram alguns dos atrativos da mecânica do jogo.
Marvel Super Heroes vei susceder X-Men nos Arcades trazendo uma dinâmica de jogo quase idêntica, com acréscimos na jogabilidade e as jóias do infinito influênciando as lutas.Aí o mundo dos jogos de luta ganhou novas cores e possibilidades dentro da Capcom que achou digno confrontar seus Street Fighters contra os X-men e ver o que saí daí... Nascia assim o primeiro crossover em jogos de luta, a prática manjada das HQs ganhava o espaço dos arcades pondo lado a lado ou um contra o outro, personagens de realidades completamente distintas.
Em X-Men Vs Street Fighter o aditivo dessa vez ficou por conta da possibilidade de entrar no combate com uma dupla formada entre quaisquer personagens disponíveis, podendo ser dois Capcom, dois X-men ou um de cada lado, de acordo com o gosto do freguês. Todo mundo estava lá, tinha para fã da Capcom e para fã dos mutantes, a diversão era garantida com os combos, com os especiais exagerados e agora também com especiais exagerados em dupla. E tudo, claro, muito colorido.
Depois veio Marvel vs Capcom, Marvel Super Heroes vs Street Fighter, Marvel vs Capcom 2, SNK vs Capcom e outros jogos de crossover que fizeram igual sucesso no imaginário gamer, mas a era áurea dos arcades estava passando e a dos jogos de luta, salvo por alguns poucos remanescentes de peso, também estava chegando ao seu fim. Muitos desses títulos já eram conhecidos dos consoles da época.
E eis que um belo dia a Capcom, sempre ela, resolveu tirar do baú seu mugem oficial para a atual geração de consoles e desengavetou Marvel vs Capcom 3. Está tudo lá novamente, dezenas de personagens coloridos, com movimentos rápidos, combos aéreos, combinação de sequência entre os personagens, especiais ainda mais exagerados (e você achava que isso não seria possível) e agora a porradaria não é mais entre duas duplas, agora é entre trios até que a barra dos três personagens de um dos lados esteja vazia.
Tem gente de tudo que é jogo já feito pela Capcom, dos tradicionais Street Fighters passando por Dante do game Devil May Cry, Nathan Spencer de Bioncic Commando, Zero da série Mega Man e muitos outros, da Marvel vieram alguns novatos como Mulher Hulk, Thor e Dead Pool para somar forças com o elenco das antigas como Homem de Ferro e Capitão América, por exemplo.
Nada de novo a não ser a boa e velha vontade de por seus personagens favoritos para medir forças em um combate insano e cheio de cores vibrantes.
Não existe Street Fighter sem Ryu, não existe Tekken sem Kazuya... e não existe Street Fighter vs Tekken sem Ryu vs Kazuya.Não satisfeita em ressuscitar o expediente dos crossover com ou universo Marvel, a Capcom resolveu bater à porta da Namco para falar algo mais ou menos assim: "Ei pessoal da Namco, vamos aproveitar que Street Figheter 4 (SF4) está aí fazendo um sucesso estrondoso e que Tekken é uma série com milhões de fãs no mundo todo, então, tipo assim, que tal nos juntarmos para fazer uns games com nossos melhores personagens e faturar uma grana com isso?".
Tá bom, não foi bem assim, mas o acordo deu certo e já está em andamento o audacioso projeto Capcom vs Namco com cada uma das empresas produzindo a sua versão dos novos games. É, é isso mesmo, games, no plural.
Street Figheter vs Tekken está sendo feito pela Capcom sobre a engenie de SF4, com as características todas do game da Capcom, do estilo visual aos movimentos, tudo no game segue a mecânica do game dos lutadores de rua. Kazui, Heihachi e companhia vão lutar ao velho estilo Street Fighter de combate 2D. O esquema escolhido é o de duplas com os lutadores se revezando até que um dos lados tenha sua dupla completamente derrotada.
Mas a brincadeira não para aí, pois o segundo game é Tekken vs Street Fighter e a engenie predominante é a do game da Namco, com a estética, a jogabilidade, golpes e combos no melhor estilo Tekken, agradando assim de um lado os gregos e do outro os troianos. SF vs Tk, o game da Capcom está em estágio avançado de desenvolvimento com vários trailers circulando na web há uns bons meses. A lista de personagens está em construção e a cada trailer aparece uma nova dupla.
Particularmente sou fã de SF e vou conferir de pertinho o game da Capcom muito mais ansioso que pelo game da Namco. Pelo vídeos já dá pra sentir que o ritmo é mais que frenético...
E trailers para vocês.
Ponto Zero - Cultura, Entretenimento e Informação Orlando Simões
É Designer de produtos e gráfico, desenhista e amante de Semiótica. Colunas de Design, Games, Quadrinhos, Literatura, Artes Cênicas, Cidade, Tecnologia e Cinema.
