O espírito do tempo e da velocidade...
Cada época tem suas características bem marcantes, seus aspectos culturais, políticos, sociais, históricos, avanços tecnológicos e até mesmo retrocessos políticos como ditaduras e perseguições, também tem sua música, seu espaço urbano característico marcado pela interferência, soma ou multiplicação de cada um dos aspectos mencionados. Isso se chama Espírito do Tempo, o Zeitgeist.
Ao olharmos para o tempo que corre hoje, para o que começou antes, mas se definiu muito melhor a pouco menos de uma década, especificamente início do século XXI. A explosão dos aparelhos celulares, acesso a Internet, surgimento massivo das redes sociais, as interações entre cinema, quadrinhos, games, música em uma grande mistura. As artes visuais e a Internet se encontraram, o Design dialoga com cada aspecto cultural existente hoje e a fotografia está no cotidiano de grande parte da população desde o surgimento das câmeras digitais. A música tem sua vertente eletrônica, os livros hoje também já estão disponíveis digitalmente e a velocidade das conexões residências aumenta a cada dia e as interfaces USB são indispensáveis para a troca de arquivos entre os computadores e diversos outros dispositivos.
Nossa sociedade atingiu um patamar de dependência tecnológica muito grande, o que nos tornou mais conectados uns com os outros de forma virtual e menos física. Falamos ao telefone, conversamos pelo computador e mandamos milhares de emails ao dia, mas não temos tempo de abraçar nossos filhos, amigos e beijar a pessoa que amamos. A velocidade da informação é o que determina onde estamos, aonde iremos, quem somos e quem está perto de nós, mesmo que não sejam as pessoas que queremos.
Batemos fotos para colocar em nossos sites, blogs, perfis de mídias sócias e não nos importamos mais se aquele momento é ou não especial ou se aquela foto é ou não uma recordação, busca-se a cada segundo o novo vídeo mais popular do momento, assistimos e passados alguns minutos nem lembramos mais porque aquele vídeo era interessante.
As revistas se parecem com a Internet, a televisão se parece com a Internet, os filmes se parecem com os games, os games com as histórias em quadrinhos, os quadrinhos com o cinema e a teia vai se alongando e se tocando em diversos pontos interligando tudo transformando todas as mídias em referências mútuas umas das outras.
O espírito do nosso tempo é marcado pelo velocímetro da informação, pela quantidade de bits e bytes transferidos, copiados, subidos ou baixados o tempo todo. A história de nossa época é marcada pela constante transformação visual de tudo, o tempo todo. Muda-se o espaço real e o virtual mais rápido ainda.
Se fosse necessário definir o espírito do tempo atual, dar-lhe um rosto, ele seria uma quantidade infinita de informação em um único ponto. Nunca antes de nosso Zeitgeist o Aleph de Jorge Luis Borges foi tão real.
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