A pergunta que não quer calar: Por que Ponto Zero?



O leitor Victor Levy nos enviou uma mensagem pelo nosso Fale Conosco (AQUI) com a seguinte instigante e intrigante pergunta: Por que Ponto Zero? Pergunta difícil, complicada, mas bem conhecida por cada um de nós que está dentro do projeto do Ponto Zero.

Sempre deixamos claro que é complicado falar de nós mesmos aqui no site, é sempre estranho ser auto-referente, apesar de várias vezes usarmos esse recurso em nossos editoriais, nos textos e matérias de eventos que palestramos ou fizemos alguma participação e claro, nos textos que se referiam ao aniversário de um ano on line do Ponto Zero, até porque não se pode deixar algo assim passar em branco. E ser auto-referente é uma característica de muitas mídias como a tv, o rádio, as revistas e os jornais, muitas mídias falam de si e na web não é diferente em muitos casos. Claro, há um limite tênue entre falar de si e se achar o centro do universo... Há que se ter cuidado com isso.


Bom, mas voltemos ao ponto da questão que é saber por que o site se chama Ponto Zero. A princípio e preciso considerar que o site está intimamente ligado aos aspectos do design como processo de comunicação e pesquisa, ao contrário do que se pensa e muitas vezes se fala, não somos um veículo jornalístico e nem nossos textos querem assim o ser, apesar de muito se insistir nas semelhanças entre o que fazemos e o que os jornalistas fazem, há diferenças e a primeira delas é o fato de que falamos de um lugar social completamente diferente do local social de qualquer jornalista.


A relação entre o cumprimento dos dois círculos por seus respectivos diâmetros se manterá constante, ou seja, será o valor do número Pi

Outra coisa que precisa ficar clara é que, como plataforma de pesquisa e de muitos interesses pessoais que se misturam com interesses gerais, falamos, pensamos e escrevemos como pessoas posicionadas em suas vivências, em suas experiências profissionais que não são as de um jornalista ou de um veículo de comunicação jornalística e nem queremos ser. Posto isso, vamos em frente...

Meses antes de entrarmos no ar decidimos muitas posturas editorias, algumas bem fixas outras mais maleáveis, mas o que sempre ficou claro para nós foi o fato de pensarmos e falarmos de cultura através da um site que traria similaridades com outros, mas que primordialmente se diferenciaria pelo olhar que dado às coisas e às pessoas, a quem faz e a quem prestigia.

Mas isso tudo já veio depois de uma etapa anterior importantíssima: A definição de um nome e de uma identidade, de uma identidade ligada a um conceito e nesse conceito reside a origem do nome Ponto Zero.

O conceito é bem simples: O centro de tudo, o ponto em relação ao qual tudo está ao redor, o ponto onde tudo começa, o ponto em relação ao qual tudo está antes e depois dele, o ponto de partida é tão somente o ponto zero. Simples, objetivo e direto, uma questão matemática óbvia, mas que os romanos não perceberam durante muito tempo e que muitos outros povos levaram tempo para compreender e incorporar.

Para nós Ponto Zero é, na ordem pessoal, um projeto inteiramente nosso, começado do interesse comum de fazer algo diferente, algo inteiramente novo, literalmente começamos tudo do Zero e partimos para frente, na ordem profissional queríamos entregar um produto diferenciado que trouxesse o conceito de que havia uma forma antes dele e outra forma após ele, algo que ainda não houvesse sido feito da maneira como fazemos, um ponto de referência no mundo virtual onde se pudesse encontrar conteúdo de qualidade, informação, diversão e outras coisas mais. Nossa intenção foi a de criar mesmo um Ponto Zero, um ponto de localização e de referência para informações diversas da cena cultural de Belém. Eis nossos motivos...

Um ponto rodeado por informação, o círculo vermelho é a abstração da localização, o círculo ao redor é a atmosfera onde circula a informação ao redor do centro que exerce sua força de atração gravitacional, um ponto referencial que pode olhar para todas as direções, não neutralidade, mas sim referencialidade, olhar para dentro e olhar para fora porque autoconhecimento é indispensável. Não falo do mundo se não sei falar de mim mesmo...

Para nós Ponto Zero é, na ordem pessoal, um projeto inteiramente nosso, começado do interesse comum de fazer algo diferente, algo inteiramente novo, literalmente começamos tudo do Zero e partimos para frente, na ordem profissional queríamos entregar um produto diferenciado que trouxesse o conceito de que havia uma forma antes dele e outra forma após ele

Jorge Luis Borges, escritor argentino que olhou e escreveu sobre o infinito, sobre o tempo, sobre todos nós...

Carl Sagan, cientista e astrônomo americano que, assim como Borges, dedicou sua vida a olhara para o Universo Infinito literalmente

A síntese do círculo é a síntese do número Zero, fechado em si mesmo e aberto para o universo que se estende ao redor dele, nele e sobre ele. Dois círculos concêntricos, uma representação do olhar no próprio olhar, porque o Zero é isso, olhar para trás e para frente, olhar em todas as direções, mesmo que atrás e adiante haja infinitude e completude que olhar nenhum pode alcançar, por isso somos completos em nossas limitações, nem positivos e nem negativos, apenas Zero. Apenas olhar, mais um olhar? Não, o olhar que tem a cultura ao seu redor e cultura é tudo...

Não somos o centro do universo, isso a história, a geografia, as ciências todas já provaram, a religião já se curvou ao fato de que Deus não nos colocou no centro do universo, mas nos disse que Zero é começo, é centro, é círculo, não só eternidade, mas infinito como já havia dito o saudoso Douglas Adams em "O Guia do Mochileiro das Galáxias". O astrônomo Carl Sagan nos disse em "Contato" que o segredo do universo está nos números irracionais, está nos círculos, cuja divisão entre o cumprimento da circunferência por seu diâmetro é sempre um número imutável e infinito, é sempre constante, é sempre Pi (π), não importa o tamanho do círculo e de seu diâmetro, a razão entre o primeiro e o segundo é sempre o valor de Pi (3,141592...), que não é um mero número de casas decimais aleatórias, é mais que isso, é um mistério infinito, mas no qual o universo, em sua sabedoria, resolveu se pautar, tal qual resolveu dar ao Zero o patamar de começo, meio e fim.

Somos pequenos demais para nos compararmos com o número Pi, com o número Zero, mas suas abstrações, tão complexas, tão perfeitas nos inspiraram a seguir um caminho que não sabemos onde finda ou qual sua verdadeira finalidade e por isso mesmo um caminho a ser seguido


Douglas Adams deu a resposta a questão fundamental sobre a vida o universo e tudo mais: 42...

Nietzsche é um dos filósofos mais importantes para a cultura ocidental.

Somos pequenos demais para nos compararmos com o número Pi, com o número Zero, mas suas abstrações, tão complexas, tão perfeitas nos inspiraram a seguir um caminho que não sabemos onde finda ou qual sua verdadeira finalidade e por isso mesmo um caminho a ser seguido, porque nas respostas fáceis e sem desafio não há mistério, não há luta, não há indagação e não há respostas que valham a pena serem perseguidas.

Longe de sermos perfeitos, sermos infinitos, somos humanos, demasiado humanos como já disse Friedrich Nietzsche e precisamos de abstrações para tão complexas como o Zero para lembrarmos sempre disso, é nosso ponto de referência, é nosso começo, é nosso espaço em torno do qual gravitamos e atraímos outros como nós para fazer do centro, do singular o plural...

Sejam todos bem-vindos ao Ponto Zero, o ponto em torno do qual gira um universo de coisas, ideias, pensamentos, vivências, histórias, pessoas, momentos e sonhos porque Jorge Luís Borges nos disse que ao contemplamos o Aleph estaríamos olhando para um ponto que contém em si, ao mesmo tempo, todos os pontos do Universo e que este mesmo Universo é e  está na Biblioteca de Babel...

Ser Ponto Zero é uma questão de abstração, porque o nada e o tudo são só uma questão de percepção e nós só fazemos isso, percebemos certas coisas para falarmos delas.

P.S.: Os escritores, filósofos e pensadores que menciono neste texto, de um modo ou de outro, foram grandes influências para construi uma filosofia de pensar, de buscar compreensão cada um de um modo diferente e muito, muito especial.


 


Ponto Zero - Cultura, Entretenimento e Informação

Orlando Simões

É Designer de produtos e gráfico, desenhista e amante de Semiótica. Colunas de Design, Games, Quadrinhos, Literatura, Artes Cênicas, Cidade, Tecnologia e Cinema.

 

 

 

 

© Ponto Zero 2010