Uma imagem para as olimpíadas Rio 2016...
Identidade visual para os jogos olímpicos de 2016 criada pela empresa Tátil Design foi apresentada no último dia de 2010.Não é novidade para ninguém, desde 31 de dezembro de 2010, que os brasileiros e o mundo todo conhecem a marca das Olimpíadas Rio 2016 apresentada nos momentos finais do ano. E claro, como não podia de deixar de ser tratou-se logo de se criar uma polêmica em torno da marca, de seus conceitos, tratou-se logo de atacar a credibilidade de seus autores e criadores, questionar a legitimidade da empresa e blá blá blá... O de sempre, é claro.
No país da piada pronta não seria diferente ao que se refere a Design, e me refiro à profissão, ao ofício, à área de conhecimento que atende pelo nome de Design. No país onde existe o hair design, o cake design, o design de unhas, de sobrancelhas e o escambau a quatro, choveu leigo entrando na onda, ou melhor, na marolinha de que a proposta da Tátil Design era um plágio da marca de uma ONG que, na verdade, foi plagiada pelo Carnaval da Bahia 2004... Mas isso todo mundo já sabia e sabia muito antes da notícia de que as Olimpíadas de 2016 seriam sediadas no Brasil.
Tudo história velha já, até porque, há uns anos que basta sair uma identidade visual nova, um redisign, uma reformulação ou algo do tipo e todos, todos os amadores do mundo inteiro se prontificam a dar sua opinião totalmente avalizada pelo mais puro "achismo", essa típica técnica acadêmica de filosofia de boteco dos amadores profissionais. E sabem o que é ainda pior? As pessoas que falam de plágio sequer sabem o que é necessário para que um determinado produto ou imagem seja caracterizado ou julgado como plágio...
Identidade visual da Fundação Telluride, a qual dizem ter sido plagiada pela Tátil... Uma lembra a forma do Pão de Açúca, entre outras coisas, como a própria palavara "rio", já a da fundação remete ao formato do símbolo do coração.Mas o que mais chamou a atenção no caso Rio 2016 é o uso aos borbotões da expressão tipicamente brasileirinha e completamente equivocada conhecida por profissionais, amadores e leigos intitulada "Logomarca" (meu fígado teve uma contorção neste momento).
Os profissionais já lutam contra esse flagelo, esse monstro, essa aberração etimológica e lingüística, este exemplar máximo da redundância que impregna o vocabulário dos amadores e leigos... Estes últimos perdoados por não terem obrigação nenhuma de saber que "logomarca" é um conceito vazio e desprovido de referência bibliográfica em qualquer parte do planeta... Ao menos as civilizadas.
Mas quem são os Designers, mestres e doutores dos grandes centros universitários do planeta e que trabalham há anos ensinando e pesquisando Design para dizer que "logomarca" é um falha inventada no Brasil e que é um erro sem sentido criado para se reportar ao Logotipo (aêeee), ao Símbolo, à Identidade Visual? A multidão de amadores profissionais já deu seu aval e não aceita questionamentos. Essa multidão de amadores profissionais, de operadores de software e operadores de computador já praguejou meio ciberespaço analisando Rio 2016 e milhares de outras marcas, logotipos, identidades visuais, sinais, símbolos mistos e todo o resto praguejando com suas "logomarcas" e seu conhecimento de quitanda. É, esse grupo de pessoas que tem seus certificados de algumas horas de Suite Corel ou Suite Adobe CS e já é PhD em Design...Mas quem são os Designers, mestres e doutores dos grandes centros universitários do planeta e que trabalham há anos ensinando e pesquisando Design para dizer que "logomarca" é um falha inventada no Brasil e que é um erro sem sentido criado para se reportar ao Logotipo (aêeee), ao Símbolo, à Identidade Visual?
Variações da temática do "mundo de mãos dadas", nenhuma delas caracteriza plágioIdentidade visual dos jogos olímpicos de 2012 em Loderes... e você falando mal da Tátil... Apesar de já ter-se exaurido essa discussão em várias esferas do Design, é sempre bom lembrar que não adianta chorar, espernear ou gritar porque os cotovelos estão em carne viva de tanta dor, a Tátil Design levou uma concorrência, apresentou um produto que atende às necessidades para qual foi desenvolvido, atendeu uma série de mais de 10 requisitos impostos pelo Comitê Olímpico Brasileiro, derrubou mais de 100 empresas concorrentes, não fez plágio algum e apresentou Sete propostas tendo a escolhida sido apresentada a nós no final de 2010 como já dito mais acima... Então parem de choramingar pela criação dos outros que vocês não fizeram. Foi fruto de muito trabalho...
Trabalhar com Design não é um exercício de cliques de mouse, de ferramentas de Photoshop ou Corel Draw, não é fazer um trabalhinho aqui outro ali nas horas vagas para seus tios ou para os pais de seus amigos. Empresas como a Tátil Design não se firmam do dia para a noite e não fazem trabalhos por 200, 300 reais, esses caras são profissionais e estão nesse mercado por coisas que vão muito além de "talento com computadores".
Antes mesmo de 2016 chegar, a imagem criada pela Tátil viajará o mundo, será estampada em diversos tipos de produtos e renderá muita, muita grana em licenciamento... É, licenciamento, coisa que está acima dessas discussões bestas de plágio isso, plágio aquilo, "logomarca" isso, "logomarca" aquilo... Tá bom, eu sei, está no dicionário, mas faça uma pesquisa etimológica para sentir o drama e outra, o dicionário tem a função de registrar o que está na língua corrente e seus significado, sua função morfossintática e todas essas coisas, mas não significa que essa palavra está numa acepção correta. E outra, procure em três, somente três dicionários de ponta e em cada um você encontrará um significado diferente para "logomarca", sinônimo de logotipo, sinônimo de identidade visual... Cada dicionário se refere ao termo com significados diferentes. Já os termos de bibliografia são sempre os mesmo...
No fim das contas estou velho demais para certas coisas, tudo isso é muito mais um desabafo porque cansa ver meio mundo falando de certas coisas sem a mínima profundidade, base teórica ou estudo para tal, a propagação de conceitos errados, de nomenclaturas falhas e sem base referencial e de pesquisa. Algumas pessoas precisam urgentemente para de achar que tudo é nivelado por baixo tal qual o conhecimento que elas mesmas possuem de certos assuntos, ou seja, quase nada.
Banalizar o trabalho de qualidade feito aqui no Brasil parece ser o esporte preferido dos brasileiros, os primeiros a atacar um trabalho da identidade Rio 2016 sem motivo algum, apenas pelo puro amadorismo e total desconhecimento ou pior ainda, pura vontade de desfazer no que não é feito por quem tanto critica.
E por fim, deixo duas dicas sobre a maldita "logomarca" e porque não usá-la nunca mais nessa vida como se você estivesse em uma banca de avaliação de doutorado. A primeira é presente via bibliografia:ESCOREL, Ana Luisa. O Efeito multiplicador do Design -3ª Ed. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2004.
A segunda fica por conta de um ótimo texto, "Quando usar logo, logotipo ou logomarca?" no Design Blog (AQUI). Uma solução mais simples ainda para o problema: Você quer usar um termo que o mercado vai entender e não gerar mais e mais discussões? Simples! Não use o termo "logomarca", não usando o mesmo, eu duvido que alguém vá mandar você não usar logotipo, identidade visual, marca ou símbolo, ou dizer que o uso destes termos está incorreto, incompleto ou equivocado. Fim de papo...
Ponto Zero - Cultura, Entretenimento e Informação Orlando Simões
É Designer de produtos e gráfico, desenhista e amante de Semiótica. Colunas de Design, Games, Quadrinhos, Literatura, Artes Cênicas, Cidade, Tecnologia e Cinema.
