Você fez “designer”?
A pergunta é ouvida com mais freqüência do que se gostaria. Você nunca ouviu? Então provavelmente está no grupo das pessoas que fazem a pergunta!
Brincadeiras à parte, a confusão entre os termos design e designer é o menor dos problemas para quem escolhe a carreira. Muito além de entender a diferença entre um e outro, é preciso evidenciar o valor do design dentro da cadeia produtiva, desenvolver os projetos pedagógicos dentro das universidades, capacitar os profissionais da área acadêmica para o ensino, e muitos desses objetivos serão mais facilmente alcançados com a regulamentação da profissão.
Há obviamente duas correntes diferentes para a questão: os que defendem a regulamentação como forma de melhorar as condições de trabalho dos designers; e os que acreditam que a criação de uma regulamentação não vai resolver os problemas da classe, e ainda pode favorecer maus profissionais.
Contra a regulamentação, é preciso realmente salientar que o diploma não capacita ninguém. Dois acadêmicos podem passar pela mesma graduação, assistir as mesmas aulas com os mesmos professores e laboratórios à disposição, receber o mesmo grau, e ainda assim só terá sucesso na carreira aquele que se esforçar para tal. Não é difícil conhecer excelentes designers que nunca freqüentaram uma aula de um curso, profissionalizante que fosse, até mesmo porque o curso formal, no Brasil, não tem cem anos de existência. Antes dele, quem fazia o design brasileiro eram arquitetos, artistas, engenheiros e profissionais das mais diversas formações. Portanto, a chave não está necessariamente no papel do diploma. Da mesma forma, podemos encontrar muitos designers formados trabalhando em áreas completamente diferentes por não conseguirem construir um bom portifólio.
Por outro lado, a regulamentação impõe limites que, até certo ponto, são justos e necessários. As diversas áreas de atuação do designer podem hoje ser ocupadas por profissionais com formação diversa, como já foi dito. Arquitetos projetando móveis, publicitários criando leiautes, pessoal do marketing criando identidades visuais, nada disso é novidade por aqui. E é justamente aí que reside o problema do designer. Se não forem estabelecidas normas que determinem as atividades que podem ser exercidas apenas por um designer, pode acontecer o inverso, e algumas das áreas de atuação do designer serem restringidas a outros profissionais diplomados e devidamente organizados em conselhos regionais e associações nacionais.
Por isso, mais do que garantir pisos salariais e carga horária justa, a regulamentação deve estar focada na garantia de trabalho do cara que cursou um bacharelado em design e, teoricamente, deve ter aprendido a desenvolver o projeto de um produto em cada uma de suas etapas.
A propósito, que fique registrado: design é a área de atuação, designer é o profissional que faz design.
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