Expectativas para Transformers 3: O lado oculto da Lua

 

Da época de ouro do desenho animado até a estreia do primeiro filme muita coisa aconteceu no universo dos Transformers, novos desenhos, novas séries diversas, quadrinhos, games e por aí vai. Muita coisa fora do território brasileiro jamais chegou aqui e jamais chegará com certeza, o que é uma pena. Mas com o intenso processo de transição entre mídias que caracterizou o século XXI ao lado dos revivals diversos, era questão de tempo até alguém olhar novamente para as encrencas de Optimus Prime e companhia. Dito e feito, o sonho de milhões de fãs no mundo todo foi atendido e finalmente poderíamos ver nossos personagens preferidos em carne e osso... ops, metal e parafusos...

Michael Bay é o nome do cara... Talvez não pudesse ser outro mesmo, apesar de eu imaginar que George Lucas ou Steven Spilberg fariam um trabalho infinitamente superior ao de Bay. Pena que Spilberg se restringiu ao papel de produtor da franquia Transformers no cinema e Lucas não precisa fazer filmes além dos Star Wars que lhe rendem fortunas por segundo.

Bay é conhecido por um ritmo frenético de filmagens, cortes rápidos e por forçar os seus atores em cenas pesadas, muitas sem dublê, além disso tudo, Bay é conhecido também por se um grande puxador de saco dos Exército americano, da bandeira americana, do país dos americanos. Ou seja, ele é um patriota de carteirinha pendurada no pescoço.

Basicamente Transformers: O filme fala da busca pelo Cubo (All Spark), um artefato extremamente poderoso pertencente a uma raça de seres completamente diferente da nossa: Os Transformers. Os robozões estavam, tal qual no desenho, em uma guerra civil de milênios entre Autobots e Decepticons(veja a primeira parte de nosso especial AQUI). Guerra esta que consumiu o planeta e jogou o Cubo no espaço sem esperança para a raça dos Transformers.

A síntese do que são os Transformers sempre esteve representanda nos dois líderes: Optimus Prime e Megatron

Sorte deles, azar o nosso, o Cubo caiu na Terra e em seu encalço veio o temível Megatron, líder da facção Decepticon, os caras maus do filme. Mas nem só de robôs sobrevive um filme de, pasmem, robôs. Entre em cena Sam Witwicky (Shia LaBeouf) e sua namorada gostosona Mikaela (interpretada pela também gostosona Megan Fox), o exército americano, os pais de Sam e o secretíssimo Setor 7, uma divisão do governo que já conhecia a existência dos Transformers e seu contato com nossa raça.

Em linhas gerais a luta é pela sobrevivência de duas raças, a nossa e a dos robôs de Cybertron, pois Megatron e seus Decepticons estão atrás do Cubo para criar um renovado exército de maquinas para dominar o universo. No lado dos Autobosts temos, é claro, Optimus Prime comandando um pequeno mas habilidoso grupo de soldados: O armeiro e peso-pesado Iron Hide, o médico e cientista Ratchet, o ágil e técnico Jazz e o soldado de elite Bumblebee, guarda-costas de Sam.


O casal Sam e Mikaela que a cada 4 cenas, 3 estão se olhando com o Sol se pondo ao fundo... o que não é o caso agora.

Do lado de Megatron o grupo é: Barricada, disfaçado de carro policial, Blackout, o helicóptero do exército, Bonecrasher, Brawl, o tanque de guerra, Starscream, o caça F-16 Raptor também do exército americano.

Focado num grupo relativamente pequeno de robôs, Transformers - O Filme foi certeiro mesmo com um roteiro simples e sem muitas proposições filosóficas, afinal de contas, anos depois do fim do desenho oitentista o que os fãs queriam mesmo era ver Optimus Prime e Cia Ltda detonando tudo em computação gráfica. Com momentos de ação intensa, um visual impecável para os robôs, doses de humor e piadinhas na hora certa e confrontos de proporções épicas filmados pela câmera inconstante de Bay o filme renderam uma sequencia para o ano seguinte facilmente.

Mas em Transformers 2: A vingança dos derrotados Bay pisou feio na bola e conseguiu aloprar em um nível incrivelmente ruim. Pegue tudo que estava na dose certa no primeiro filme e multiplique por 10 de forma errada, resultado, um filme colcha de retalhos, com locações incostantes, ainda mais puxação de saco do exército e da nação americana, piadinhas impróprias e de mal gosto entraram no lugar do humor irônico e preciso de antes como, por exemplo, a deplorável cena em que a mãe de Sam fuma maconha na Universidade, além de escrota como piada, irritante enquanto cena que se paga para ver.

E tem John Tarturro de sunguina atolada no rabo, testículos de robô, robô peidando, tem o irritante personagem Leo disputando chatice com Skids e Mudflap e outras imbecilidades que o senhor Bay poderia ter nos poupado o constrangimento de ver em uma sala de cinema lotada.

Em um filme dos Transfomrers queremos ver Transformers, não os humanos fazendo palhaçadas que, diga-se, eram muito sem graça pelo tom forçado imposta às situações e atores que no primeiro filme pareciam bem mais naturais na hora de fazer as cenas de alívio cômico.

Claro, nem tudo é alopração e piadas ruins, temos a espetacular batalha entre Optimus Prime e a elite dos Decepticons numa floreta para proteger Sam. Megatron, Blackout e Starscream enfrentam Prime numa combate frenético no qual o líder dos Autobots mostra porque é o robô mais fodão de Cybertron e adjacencias. Para os fãs do desenho oitentista foi pura adrenalina, pois nós sabíamos muito bem que faltou no primeiro filme um momento grandioso para Prime como este.


No segundo filme ficamos conhecendo o temível Fallen, o primeiro Decepticon

Mas Prime é derrotado mesmo com todos os esforços e aí começam os problemas de verdade. Fallen, o verdadeiro líder dos Decpticons parte para o ataque definitivo contra a Terra e para recuperar as informações do Cubo que agora estão na mete de Sam, aí começam as variações de locação e mais piadinhas chatas, principalmente as que envolvem os insuportáveis gêmeos Skids e Mudflap.

Depois de uma volta ao mundo o palco da batalha decisiva é o Egito, local que se encontra uma poderosa arma Decepticon escondida em uma das grandes pirâmides. E literalmente chove robô pra todo lado com os Autobosts sendo auxiliados pelo onipresente exército americano e seus tanques de guerra e jatos de combate.

No combate decisivo temos as estrelas do filme em foco novamente: Bumblebee salvando Sam ao confrontar Rampage e Ravage de um lado e Prime enfrentando o poderoso Fallen e Megatron nas ruínas egípcias mostrando mais uma vez quem é o robô fodão do filme do outro lado. Apesar de ótimas cenas de combate, foi uma pena não ver os outros robôs em ação como Iron Hide e Ratchet, por exemplo, em prol de vermos os sem graça e tagarelas Skids e Mudflap ganhando destaque contra o gigantesco Devastador. Fora isso é batalha genérica com explosões e apagamento dos robôs em prol do lado humano da coisa, ou seja, Michael Bay fazendo merda onde deveria haver um show por parte dos Autobots e Decepticons.

As falhas de Transformers 2, as locações confusas e roteiro picotado ou praticamente inexistente fizeram da franquia um ponto de interrogação, pois a bilheteria no mundo todo foi gigantesca e as críticas idem, pois, entre outras coisas, ninguém mais aguantava ver Sam e Mikaela naquela ladainha de "eu te amo" com o Sol se pondo ao fundo, entretando as cifras garantiram a existência do terceiro e promissor filme.

Para Transformers 3: O Lado oculto da Lua o que se espera é um filme com o fator ação levado às últimas consequencias, com o grupo de Prime sempre em menor número, mas contando com suas habilidades de combate e destreza para sobressair adversidades. Pelo que se viu nos trailers até o momento a coisa vai ser no estilo Bay de demolição em massa, com prédios desmoronando e naves colossais dos Decepticons invadindo nosso planeta ao comando de Shockwave. Muitas cenas de explosão garantida, carros voando, aviões voando, gente voando, câmeras agitadas, cortes frenéticos e claro, pedaço de robô voando também...

No filme conheceremos um pouco mais sobre o encontro das duas espécies e de alguns segredinhos que o governo escondeu de Prime e seus amigos nos outros filmes, motivo este que desencadeará o afastamento dos Autobots de nossa espécie. E para a tristeza maior dos marmanjões, Megan Fox deixou a franquia por motivos de desentendimento com o diretor Bay, isso nos deixará sem seu brilhante talento interpretativo para cenas dramáticas neste terceiro filme. Quem diria, num filme de robôs, de máquinas, são justamente estas que possuem as melhores expressões e interpretações... Mas não ver Megan Fox é sempre ruim. Será uma máquina, em todos os sentidos, a menos na tela...

Com cópias 3D dubladas e legendadas Transformers 3 chega aos cinemas no primeiro dia do mês de julho e encerra o que parece ser a primeira trilogia da franquia que, com certeza, repetirá as bilheterias dos filmes anteriores facilmente. Da minha parte espero menos piadinhas, mais Transformers e menos exército americano e claro, menos Sam e a nova namoradinha se olhando com o Sol ao fundo. Como disse, num filme dos Transformers eu quero ver os Transformers fazendo o que melhor sabem fazer: Transformar, rodar e explodir as coisas.

Autobots! Transform and Roll Out

 

 


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Orlando Simões

É Designer de produtos e gráfico, desenhista e amante de Semiótica. Colunas de Design, Games, Quadrinhos, Literatura, Artes Cênicas, Cidade, Tecnologia e Cinema.

 

 

 

 

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