Belém, 395 anos de Sol, Chuva e Mangueiras...

 

 


O palco que recebeu as estrelas que homenagearam Belém com seus talentos...

Dia 12 de janeiro é o dia do aniversário de Santa Maria de Belém do Grão Pará, nossa Cidade das Mangueiras, que completou 395 anos em uma quarta cujo dia nos deu o que já é marca de nossa cidade: Sol e Chuva e um show com o que há de melhor na música paraense, de nomes consagrados e veteranos aos novos talentos que despontam em nosso cenário cultural... E melhor ainda, de graça.

A programação no dia 12 foi diversificada, acontecendo em vários pontos da cidade, exposições, shows abertos ao grande público, shows fechados, mas a grande pedida estava no Estação das Docas e no píer da Casa das Onze Janelas com mais de 40 artistas revezando os palcos para se apresentar aos belemenses (eu prefiro assim, tem melhor sonoridade, e não, não está errado...). Marcamos presença no show do píer para prestigiar junto com o público um verdadeiro desfile de talentos musicais que já embalaram e embalam muitas gerações de moradores de Belém e a escolha do local não poderia ser mais apropriado, pois o píer, óbvio, está de frente para o rio e ao lado do Forte do Castelo, ponto onde Belém nasceu. Mais emblemático impossível.

A palavra que melhor representou a homenagem à Belém com certeza absoluta foi diversidade. De estilos, de pessoas, de músicas, de emoções e sensações. Havia os tímidos, os extrovertidos demais, os enamorados, os dançarinos, os observadores, adultos e crianças de idades variadas para celebrar o seu lugar em Belém e com Belém. Um show desse porte também é uma dessas ótimas ocasiões em que não se pode perder a oportunidade de lembrar que nossa cidade precisa urgentemente de melhores cuidados, mais atenção e doses cavalares de educação e civilidade por parte de quem nela habita (nossos parabéns com doses de puxão de orelha estão AQUI).


Juliana Sinimbú, uma das divas que passou pelo palco e esbajou voz, simpatia e talento para o público.

Prestigiar o desfile feito no palco para comemorar os 395 anos de nossa cidade é sem sombra de dúvidas algo para se guardar na memória e dividir, como disse, a diversidade marcou a festa e colocou no palco ao menos umas três gerações de músicos que embalam nossa cidade como Mestre Laurentino com seus mais de 80 anos e fôlego invejável, Almirzinho Gabriel e sua irreverência ao nos apresentar uma marchinha de carnaval cheia de bom humor e ritmo, Pio Lobato e sua indefectível guitarra, Andréa Pinheiro e seu vozeirão, Eloi Iglesias e sua ousadia performática com os Pecedados de Adão, Juliana Sinimbú com sua voz e charme ímpares, o embalo da banda Suzana Flag, Gaby Amarantos e Viviane Batidão com o brilho e agitação do tecnomelody, o humor dos Palhaços Trovadores, a MPB de Lucinha Bastos, o inconfundível e contagiante som do Arraial do Pavulagem... E muito mais gente boa que cantou, recitou poesia e colocou o público para dançar os mais variados ritmos da nossa música.

Sabemos que Belém está longe de ser uma cidade modelo, aqui ainda impera muito egoísmo e falta de educação por uma parcela muito grande da população que faz questão de compartilhar sua sujeira pelo espaço urbano, abusos do direito individual em detrimento do coletivo, poluição visual e sonora e muitos outros pontos negativos que podem ser resolvidos com um mínimo de educação, consciência e respeito pelo espaço coletivo. Temos nossos problemas de ordem política, claro, a Educação pública precisa ir para uma UTI urgente, mas nossa Saúde também está em estado terminal, a estrutura da cidade ainda está abaixo de outras cidades e capitais do país de porte semelhante ao de Belém e isso exige do poder público um olhar atento e cuidadoso, mas também exige que o capital privado também comece a olhar além do próprio umbigo, pois uma cidade não é feita só do cidadão e do poder público, mas do conjunto dessas esferas.

Diante de um desfile tão rico de artistas de diferentes vertentes musicais nos perguntamos: O que falta para Belém se tornar, em definitivo, um grande centro irradiador de cultura e receptor de turistas ávidos por conhecer e participar de momentos como este?
Mestre Laurentino e Pio Lobato, duas gerações diferentes do puro talento musical paraense também iluminaram a noite...

Diante de um desfile tão rico de artistas de diferentes vertentes musicais nos perguntamos: O que falta para Belém se tornar, em definitivo, um grande centro irradiador de cultura e receptor de turistas ávidos por conhecer e participar de momentos como este? A resposta é óbvia e está na ponta da língua de cada um dos moradores de Belém. Primeiro cuidado por parte do cidadão, segundo, investimento em Saúde, Educação e Cultura, terceiro, interesse do poder privado em sair da sua zona de conforto e se transformar também em agente de mudança. Já a classe artística sempre demonstrou capacidade de interação e disponibilidade de mostrar seu trabalho, sejam músicos, artistas plásticos, atores e demais, colocá-los em sintonia nunca foi difícil, a comemoração dos 395 anos de Belém mostrou isso com grande facilidade e qualidade.

Fica aqui mais uma vez nosso desejo de ver nossa cidade cada vez melhor, limpa, cuidada, de braços abertos para receber nossos visitantes e dar a eles e a todos nós o que há de melhor aqui"
Eloi Iglesias e Viviane Batidão sensualizando no palco...

Fica aqui mais uma vez nosso desejo de ver nossa cidade cada vez melhor, limpa, cuidada, de braços abertos para receber nossos visitantes e dar a eles e a todos nós o que há de melhor aqui. Acreditamos que cultura e entretenimento são parte integrante da base que sustenta uma sociedade ao lado de Educação, Saúde e Segurança, o tripé básico de uma sociedade responsável tanto por parte do poder público que jamais deve se ausentar de suas tarefas e responsabilidades para com os que estão sob sua tutela quanto por parte dos cidadãos que devem, acima de tudo, zelar pelo espaço coletivo que é uma cidade, um bairro, a rua onde moram etc...

Felicidades Belém, obrigado a cada um dos artistas que subiram ao palco e compartilharam seus belíssimos talentos com todos nós. Que haja muitas outras grandes oportunidades como essa, Belém merece homenagens sempre. E acima de tudo, Belém merece ser cuidada para ser apreciada em sua plenitude.

 

 


{Show comemorativo dos 395 anos de Belém}



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Orlando Simões

É Designer de produtos e gráfico, desenhista e amante de Semiótica. Colunas de Design, Games, Quadrinhos, Literatura, Artes Cênicas, Cidade, Tecnologia e Cinema.

 


 

 

 

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