E mais uma vez na Santa Casa...



E lá vamos nós voltar à Santa Casa. No dia em que está bomba explodiu, estava lá na frente, por horas e horas, e vi toda a movimentação das emissoras de TV chegando e saindo o tempo todo. Parecia que um acontecimento terrorista havia acontecido ali, porém algo bem cruel aconteceu.

Não preciso repetir que a saúde pública no Brasil está abandonada, agora tentem imaginar como está no Pará. Isso não é de agora, isso é figurinha repetida que entra governo e sai governo, prometem a salvação, mas o que se vê é que a cada dia fica pior. Descaso de governos anteriores e falta de empenho do governo atual. A situação está crítica. A superlotação está condenando nossos bebês, seres humanos inocentes que não podem nem se defender.

Precisa esperar que morram mais crianças para ampliar nossos hospitais ou construir mais, é isso? Nossos médicos poderiam ser mais humanos, porém são bem desumanos. Sabe por quê? Porque ali está o profissional que não tem a mínima capacidade de ser mais “humano” e de ver tanta gente sofrendo em corredores, passa por tudo isso com o nariz empinado pouco se importando em salvar a vida do seu semelhante. A falta de consideração é desmedida. A falta de respeito é desmedida, como se ali não houvesse seres humanos, e sim ratos jogados pelos corredores.

E mais uma vez a Santa Casa foi alvo de ato bruto. O que aconteceu com os gêmeos foi um caso absurdo. A grávida que fazia acompanhamento segundo as recomendações passadas a ela. Ela sabia que era uma gestação de risco. Tinha consulta marcada para o dia da perda, mas justamente neste dia, deram a desculpa de que ela não possuía encaminhamento, ou seja, houve a omissão de atendimento. Parece piada mais não é, é a mais pura verdade. Eram três vidas correndo o risco, e a Santa Casa fez o contrário do que se esperava, recusou salvar essas vidas, onde os gêmeos morreram. Vale lembrar que a paciente já havia sido recusada no Hospital das Clinicas, só para você sentir o gostinho da saúde no Pará, que nossos políticos falam tanto em “consertar”, mas no fim não fazem nada, se tornando apenas promessas sem chão. Se cada uma fizesse um pouco, o caos não estaria tão grande assim.

Não pensem que afastar os envolvidos vai resolver, não vai, o erro já foi cometido, vidas foram perdidas e não há mais nada o que se possa fazer. Deveriam sim dá uma medalha ao bombeiro que deu voz de prisão a médica que não quis dá socorro a paciente, sendo que ela está ali pra isso, e não para ficar passeando no hospital. Poderiam ao menos ver a paciente. Examinar, para ser encaminhada para outro hospital, mas nem isso foi feito. Portanto deve ser feito a investigação, e os culpados devem ser punidos por esse ato tão desumano e criminoso.

“NO MOMENTO DE SER admitido como membro da profissão médica:
EU JURO SOLENEMENTE consagrar a minha vida a serviço da humanidade;
EU DAREI aos meus professores o respeito e a gratidão que lhes são devidos;
EU PRATICAREI a minha profissão com consciência e dignidade;
A SAÚDE DE MEU PACIENTE será minha primeira consideração;
EU RESPEITAREI os segredos confiados a mim, mesmo depois que o paciente tenha morrido;
EU MANTEREI por todos os meios ao meu alcance, a honra e as nobres tradições da profissão médica;
MEUS COLEGAS serão minhas irmãs e irmãos;
EU NÃO PERMITIREI que concepções de idade, doença ou deficiência, religião, origem étnica, sexo, nacionalidade, filiação política, raça, orientação sexual, condição social ou qualquer outro fator intervenham entre o meu dever e meus pacientes;
EU MANTEREI o máximo respeito pela vida humana;
EU NÃO USAREI meu conhecimento médico para violar direitos humanos e liberdades civis, mesmo sob ameaça;
EU FAÇO ESTAS PROMESSAS solenemente, livremente e pela minha honra.”

Este é o juramento de Hipócrates que todos os médicos juram, ou seja, para esta médica, o juramento foi para o espaço.

 


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Carlos Matos

É estudante de Letras e apaixonado por jornalismo esportivo. Escritor e poeta. Leitor viciado. Cinéfilo. Blogueiro apaixonado. (Blog: Amanhã ou Depois - AQUI)

 

 

 

 

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