Feliz Aniversário Belém, Cidade das Mangueiras

 

 

Belém. Desde mil novecentos e espartilho. Mais uma das inúmeras cidades nascidas ao redor de um forte, em um ponto estratégico de uma baía qualquer. Na beira da floresta, mais próxima da Europa nos idos da Belle Époque do que o centro político do Brasil de então. Santa Maria de Belém do Grão-Pará respira o passado glamouroso e burguês, e suspira por um futuro bem melhor para seus casarios decadentes da Cidade Velha.

Mas não falaremos de política. Ou melhor, de politicagem. Política não se resume à farra daqueles funcionários públicos "contratados" por nós. A verdadeira política precisa da participação da população. Precisa de uma memória boa o suficiente para não nos esquecermos os desmandos e falcatruas de famílias inteiras que se abastecem de populismo, aqueles cujo trabalho é meramente cosmético, com obras planejadas para durar quatro anos. A política, para funcionar sem a politicagem, precisa de nossa fiscalização. É preciso parar de (xingar muito no twitter) somente reclamar, e começar a votar consciente.

E tudo isso deve começar bem próximo da gente. Parando de jogar lixo pela janela, seja do Civic ou do Pedreira-Condor. Parando de fazer fila dupla (e tripla) na frente dos colégios em horários de trânsito pesado, confiando no poder do pisca alerta. Até mesmo parar de sonegar o IPTU e de fazer "gato" na fiação elétrica da rua pra montar carrinho de lanche já ajuda.

Vale também não cuspir no prato em que comeu, divulgando o sonho de morar fora e deixar a "província" de Belém, que supostamente não oferece oportunidades e mercado em diversas carreiras. Não precisa ficar preso aqui, a falta de ensino de qualidade e fomento à pesquisa é pertinente e real. Mas saia, estude, aprimore-se, cresça lá fora. E volte depois pra ajudar a cidade a crescer também.

Vale ate tirar o axé-pagode-quebradeira-funk-qualquer-coisa-universitária do som do carro e ouvir um tecnomelody. Porque assim, se vai ouvir música popular, que seja a nossa. E o mercado pirata das aparelhagens está fazendo escola frente à tradicional (e quase falida) indústria fonográfica.

Mas sabem, dizem por aí que somos um bando de índios preguiçosos. Eu diria melhor: a nossa morrinha é uma condição inerente ao calor úmido e à tigela de açaí grosso. Prefiro entender que o ribeirinho, morador das ilhas em frente à nossa orla, se sente plenamente feliz se tiver um barco pra pescar o tamuatá do almoço, e uma rede pendurada pra ouvir a transmissão do RE x PA no radinho de pilha. Por aqui, o turno da tarde já começa quase na hora do tacaca com pimenta, logo após o toró das duas.

Não, essa não é mais uma das inúmeras cidades nascidas ao redor de um forte, em um ponto estratégico de uma baía qualquer. Estamos na beira da floresta. Aqui, a morena deixa o cabelão cair nas costas, ignorando solenemente o calor tropical. Aqui se toma tacaca escaldante sob o sol da tarde, e o bombom do dia dos namorados é de cupuaçu.

Aqui os compromissos são naturalmente atrasados em 40 minutos diante de um pau d'água. Aqui a paixão pelo futebol faz tocar hinos de times em qualquer festa. E só aqui a gente põe a vitrola pra tocar e manda soltar foguetes quando passa no vestibular.

Belém, ame-a ou deixe-a. O desafio é ser indiferente. Nós, do Ponto Zero, amamos. E trabalhamos para movimentar a cidade e mostrar o que de melhor ela tem pra oferecer. Cultura, diversão, entretenimento, informação. O Ponto Zero deseja que a Cidade das Mangueiras seja cada vez mais bem cuidada, por todos nós. Feliz aniversário!

As fotos que ilustram esta matéria dos 395 anos de Belém são de autoria de Tereza Jardim.


{Feliz Aniversário Belém, Cidade das Mangueiras}


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Tereza Jardim

TJ é designer por formação, fotógrafa por opção e apaixonada por signos, verbais e não-verbais. Colunas de Artes Visuais, Cinema, Tecnologia, Quadrinhos e Cultura Oriental.

 

 

 


 

 

 

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