O Filme É | Dunkirk, de Christopher Nolan

O novo filme do aclamado diretor anglo-americano Christopher Nolan, de “Interestelar” (2014), “A Origem” (2010) e a trilogia “Cavaleiro das Trevas” (2005-2012) estreou no fim de julho passado nos cinemas.

Bem, desde “Interestelar”, Nolan pareceu gostar muito de explorar a questão do tempo e de perspectivas — quem já viu o filme, por exemplo, sabe que ele vai utilizar vários dos mistérios da galáxia para contar a história de um pai e de uma filha, do modo mais poético e “relativo” possível.

Dunkirk

Em “Dunkirk”, essa característica vem à tona com sua narrativa quase que “embaraçada” onde nos mostra os acontecimentos de soldados do grupo dos Aliados (britânicos, franceses etc) durante a 2ª Guerra Mundial que ficaram encurralados pelos inimigos do Eixo (alemães, italianos e japoneses) nas praias de Dunquerque na França — ressaltando que a história do filme foca em soldados britânicos contra alemães.

Nolan dividiu o filme da seguinte maneira:

Os acontecimentos no molhe duram uma semana e narra o trajeto de Tommy (Fionn Whitehead), Alex (Harry Styles) e Gibson (Aneurin Barnard).

Ao passo de que a aventura do marinheiro Mr. Dawson (Mark Rylance), de seu filho Peter (Tom Glynn-Carney) e o amigo de seu filho George (Barry Keoghan) dura um dia.

Por último, a dos pilotos da Força Aérea Real: Collins (Jack Lowden) e Farier (Tom Hardy) dura apenas uma hora, ao passo em que, em um determinado momento, essas histórias vão se cruzar, mas antes disso acontecer, o telespectador pode se preparar para se emocionar com histórias isoladas e escolher, dentre elas, qual vai lhe tocar mais.

DunkirkComo dito anteriormente, quem já acompanha a carreira do diretor vai se surpreender com mais essa peculiaridade na narrativa, e quem não acompanha da mesma forma (risos).

DUNKIRK | OPERAÇÃO DÍNAMO

Historicamente falando, Nolan baseia “Dunkirk” em acontecimentos reais na praia de Dunquerque na França durante a 2ª Guerra Mundial, precisamente entre o fim de maio e começo de junho do ano de 1940, aonde aproximadamente 400.000 soldados de nacionalidades distintas (do grupo dos Aliados) esperavam por resgate no litoral (banhado pelo famoso Canal da Mancha).

Quando os alemães bombardeavam os navios que tentavam transportar esses grupos de volta à Inglaterra — que por sinal, havia a possibilidade de ser vista da praia de Dunquerque de tão próxima — e afundavam, foi necessário que houvesse a ajuda de civis para resgatar estes soldados e o ocorrido ficou então conhecido como “Operação Dínamo”.

Nolan preferiu focar na história dos britânicos, mas certamente em determinados momentos aparece um francês ou um belga para identificar a presença de demais nacionalidades no litoral.

DUNKIRK | VIVENDO NA GUERRA

Uma das características do filme de Christopher Nolan é a ausência de um personagem principal. Ao invés disso, são mostrados vários pontos de vista dos acontecimentos, formando várias situações diferentes. Essa característica pode ser entendida por alguns como um fator que leva à não identificação pelos personagens – e mesmo que seja verdade para alguns, não chega a ser prejudicial.

Mas é certo que a mesma também é responsável por manter a tensão, iniciada logo no início da trama, até o último minuto do filme. Sim, “Dunkirk” é um filme tenso do início ao fim, cheio de pequenos conflitos, que vão se desenrolando muito bem durante as quase duas horas de duração do longa. Isso prende o espectador o tempo inteiro. É como se ele estivesse junto aos personagens na guerra.

Uma característica que ajuda nesse processo de se sentir parte do filme, aumentando ainda mais a tensão, é a trilha sonora. O tempo inteiro a trilha está presente, impulsionando as sensações, seja de desespero, de suspense, de ação, enfim, ajudando a dar um ar ainda mais grandioso às cenas.

Além disso, é como se a trilha às vezes funcionasse como uma extensão dos personagens, maximizando suas sensações e, assim, permitindo que o espectador se sinta, mais uma vez, parte do contexto.

DUNKIRK | UM FILME GRANDIOSO

Voltando a falar de grandiosidade, é preciso citar as locações. Nolan gravou muitas das cenas em locações reais onde tudo aconteceu, o que já cria um ambiente realista interessante para a construção da trama. Além disso, é preciso citar o orçamento do filme. Uma quantia que gira em torno de US$150 milhões.

Detalhe: antes da semana de estreia no Brasil, o filme já havia arrecadado praticamente esse valor, isso apenas nos poucos países em que já estava em exibição.

Nolan, com o orçamento que conseguiu, cumpriu o que prometeu à Warner Bros – a criação de um filme de realidade virtual sem óculos. Isso foi possível tanto com a tecnologia utilizada – IMAX 70mm -, quanto com a escolha grandiosa dos cenários, da maneira mais real possível, onde tudo aconteceu. A intenção foi cumprida, e assistir “Dunkirk” é mergulhar nessa realidade e sentir-se, de fato, no meio da Operação Dínamo.

DUNKIRK | ELENCO BRITÂNICO

Para fazer o filme da forma como gostaria, Nolan teve que convencer os executivos a respeito do elenco. A intenção era gravar com atores britânicos. Pedido atendido. O elenco é formado por muitos atores estreantes que provaram seu valor, como Fionn Whitehead (Tommy), de apenas 19 anos, e Harry Styles (Alex), da boyband One Direction.

Styles convenceu muito bem na função, arrancando elogios do próprio Nolan e conquistando um título impressionante – após a estreia de “Dunkirk”, tornou-se o primeiro artista da história a ter tanto o primeiro álbum quanto o primeiro filme alcançando o 1º lugar de vendas/bilheteria.

DunkirkDunkirk

Além dos estreantes, o filme conta com nomes de peso, como os atores Cillian Murphy (Soldado) e Tom Hardy (Farrier) que já trabalharam com o diretor em “A Origem” (2010), além do vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 2016 Mark Rylance (Mr. Dawson) e Kenneth Branagh (Comandante Bolton).

“Dunkirk” é um filme sobre a luta pela sobrevivência e o quanto pode ser importante manter a esperança mesmo em meio ao caos.

DUNKIRK | TRAILER

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