O Livro É | Lágrimas de Rhanor

Em Lágrimas de Rhanor o autor Daniel S. Lima nos convida para conhecer o mundo fantástico de Enora, onde há 20 atrás Vorlak e sua legião sombria tentaram dominar o mundo. Mas o Rei Arluz parte com um grupo de companheiros para deter esse terrível mal. Em parte o rei consegue êxito em sua demanda, mas a um altíssimo custo…

20 anos depois do desapreciamento do Rei Arluz, seu herdeiro, Teron, o príncipe do reino de Etinas, desperta de um pesadelo misto de revelação do passado e vislumbre do futuro e sente que o mal combatido por seu pai se aproxima novamente de seu reino.

Lágrimas de RhanorÀs vésperas de seu aniversário, o príncipe recebe de sua mãe, a Rainha Meron, a incumbência de investigar acontecimentos estranhos na vila de Argo, com seu regente intimidando os moradores e arrecadando mais que o devido. Tal como seu pai, Teron também parte ao lado de uma comitiva de grandes amigos, fiéis soldados e habilidosos guerreiros para averiguar a situação.

Porém, mais que um caso de corrupção, há ali também mistérios ocultos e criaturas além da força e habilidades humanas. Toledo, o regente da vila de Argo realmente oculta intenções escusas e sob seu domínio ele guarda reféns para manter o povo de Argos intimidado. Sua maior arma? Um temível gigante que se oculta de todos nas cavernas próximas à vila…

Um mundo fantástico, uma ligeira aventura… já vi isso em outro lugar…

O leitor de longas jornadas pelo gênero da Literatura de Alta Fantasia pouco ou nada de inovador vai encontrar em Lágrimas de Rhanor. É perceptível a influência da cultura do RPG e de autores como Tolkien e sua Trilogia do Anel no material de Lágrimas de Rhanor, bem como de outras frentes da Alta Fantasia.

Estão lá a jornada do escolhido, o assombroso exército liderado por um ser maligno e sombrio, criaturas fantásticas como elfos, gigantes, trolls, grifos e gênios, as relíquias ou artefatos poderosos capazes de mudar os rumos da guerra, os reinos espalhados pelo mundo com diversos graus de importância e influência. Sim, você já viu tudo isso em outros lugares assim como eu.

E, assim como eu, vai sentir vontade de passar ao largo da obra que pouco, praticamente nada, acrescente ao gênero fantástico… seja o escrito aqui ou lá fora.

O autor é até bem criativo e sua obra é bem honesta: Lágrimas de Rhanor não tenta reinventar a roda da Alta Fantasia, isso é notório no estilo de narrativa da obra, em seus personagens e no rumo que a história toma, sim, você já viu tudo isso em outros lugares, eu já disse isso.

Mas como autor estreante e num gênero tão marcado por certas ocorrências (incluindo as muitas que citei acima), acredito que Daniel S. Lima quisesse pegar o leitor mais novo e iniciante no gêneros fantástico que tem interesse em capa-espada, magia, criaturas fantásticas e uma narrativa mais leve e concisa.

Lágrimas de Rhanor
Capa do livro Lágrimas de Rhanor

Para o leitor novato, que tem medo ou dificuldade por começar com a complexa e rebuscadíssima escrita tolkiana ou com a longa trama de teor político de um Martim, Lágrimas de Rhanor é uma pedida para esses iniciantes. Ou não, caso você queira começar por um conteúdo que realmente faça diferença na sua bagagem de leitor.

O autor é bastante econômico em sua escrita, nada de grandes descrições ou conceituações sobre cenários, lugares, pessoas, situações, nada de longas divagações e aprofundamentos de personagem, também nada de uma boa e consistente mitologia de seu mundo fantástico, o que dá ao reino de Rhanor uma grande cara de “qualquer coisa que já conhecemos de outros livros”.

É tudo descrito e dito de forma muito direta e até mesmo fria, sem emoção, sem poética e estética, acho que esse é um dos pontos que deixa muitíssimo a desejar no livro: pouca ambientação, pouca mitologia e poucos conceitos ou reaproveitados ou criados.

No gênero de fantasia, quanto mais enriquecemos a obra com contextos e ideias, mais mergulhamos nesse mundo, e Rhanor não nos convida a esse mergulho.

Enora, pelas palavras de Lima, parece comum, simplória e pouco interessante na maior parte do tempo, carecendo de um texto mais convidativo nesse sentido, a narrativa segue rápida para batalhas e situações a serem resolvidas e parte-se, em seguida, para outro foco.

E assim segue-se até uma enorme batalha nos últimos capítulos do livro com uma enxurrada de criaturas e combates de toda ordem com centauros, lobisomens, orcs, dragões, grifos se estapeando no campo de batalha quando o dito exército ameaçador e sombrio dá as caras no livro.

É bem bagunçada, mas tem seus momentos em que empolga, se não pela qualidade em si da dita batalha narrada, ao menos pela intenção de grandiosidade que o autor quis nos passar. Conclui repentinamente como quase tudo na obra e deixa aberta as portas para uma continuação, isso fica bem claro…

É nesse conjunto de narrativa rápida e pouco descritiva que me faz sentir que Lágrimas de Rhanor é um livro para jovens leitores iniciantes e pouco exigentes com obras de aventura – ou obras em geral mesmo – que estão dando o primeiro passo por aqui e que, posteriormente, partirão para algo mais amplo e complexo.

Se o seu caso for o de um velho lobo de guerra em busca de leituras inovadoras, complexas e de narrativa e linguagem apuradas, Lágrimas de Rhanor não é para você, não mesmo, acredite, mas se você tem aí um jovem lobo iniciando nos rituais de caça com a matilha, Lágrimas de Rhanor é uma pedida para que esse jovem lobo possa devorar uma leitura simples e rápida.

Como obra independe fica a ressalva para a revisão da mesma. É constante ao longo do texto que é preciso que a obra passe por um crivo severo de revisão gramatical e textual, ser independente não é sinônimo de “feito de qualquer jeito“.

Fico na torcida para que o autor lance em breve seu segundo livro e gostaria de deixar uma dica para que talvez uma próxima edição traga um “2 em 1” juntando esse pequeno primeiro livro com o vindouro segundo, desta forma não fica em nós a nítida impressão de que o negócio acaba justamente quando ia começar.

O Autor | Daniel S. Lima

Daniel S. Lima nasceu em 1982 em Moreira Salis no interior do Paraná. Desde a infância, gosta de fantasia devido à influência de desenhos animados e aos filmes da época.

Lágrimas de Rhanor surgiu em sua adolescência, em uma aventura de RPG que jogava com amigos, e foi inspirada nas grandes obras de fantasia e nas mitologias nórdica e grega.

Herança de Sangue é o primeiro livro de uma série, que irá contar as histórias de Enora desde a aurora do mundo, passando pela Guerra dos Deuses, até os dias atuais.

Lágrimas de Rhanor | Sinopse

Um antigo mal renasceu…

No mundo de Enora, um exército maligno ressurgiu, formado por tudo que é mau e cruel.

Sedento por sangue, suas legiões semearam os campos com os corpos dos que ousaram enfrentá-los. No comando dessa horda, liderando suas lanças e espadas, estava o mago corrompido: Vorlak, o Profano.

Sua ira e sua cobiça fizeram espalhar um grande temor, e a simples menção de seu nome fez com que reis se curvassem diante de suas exigências. Diante de tal legião maligna, as forças da luz se mobilizaram em uma desesperada investida. O rei Arluz e seus heroicos companheiros partiram para deter as forças do mal; no entanto, não houve êxito em sua demanda. Porém, seu sacrifício não foi totalmente em vão, e eles conseguiram atrasar o avanço de Vorlak.

Vinte anos depois, o descendente de Arluz, o príncipe do reino de Etinas, acorda de um pesadelo sem saber que o simples abrir de seus olhos, naquela manhã, seria o primeiro ato para cumprir o destino que começava a se desenrolar perante ele.

Aquela era a demanda deixada por seu pai, sua Herança de Sangue.

Lágrimas de Rhanor | Ficha Técnica

  • Número de páginas: 233
  • Edição: 1 (2016)
  • Formato: A5 148×210
  • Coloração: Preto e branco
  • Acabamento: Brochura c/ orelha
  • Tipo de papel: Offset 75g

Lágrimas de Rhanor | Links

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É Designer de produtos e gráfico, desenhista nas horas vagas e aos trancos e barrancos um estudioso de Semiótica. Nutre estranhas fixações por processos narrativos experimentais e acredita que o mundo caminha para ser cada vez mais parecido com um Game

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