PRISON BREAK: O LEGADO E O RETORNO

Prison Break (Estreia original: 2005. Criador e produtor executivo: Paul T. Scheuring. Elenco: Wentworth Miller, Dominic Purcell, Sarah Wayne Callies, Amaury Nolasco, Rockmond Dunbar, Robert Knepper.)

AVISO: O TEXTO PODE CONTER SPOILERS SOBRE A SÉRIE!

[dropcap size=small]A[/dropcap]relação entre um espectador e uma série é a mais complexa de todas no ramo do entretenimento. Em outras mídias, basta ter paciência pra aguentar até o final, como em um filme ou uma peça teatral que não te agrada. Com as séries, não é bem assim: tem que ter uma empatia forte pro espectador se ligar à série até o final.

Esse é um dos principais motivos pelos quais é tão difícil escolher uma série para assistir. Não é uma escolha fácil, como o que comer numa praça de alimentação (o que nem é tão fácil assim). Tem que rolar uma sincronia muito grande, ao ponto de pensar que “essa série é tão sensacional que eu tenho que ver como é que termina”.

Na metade do ano passado, eu estava assim: tinha encerrado uma série, e queria começar outra. E série é o que não falta na programação. Se fosse só escolher, seria na mesma hora. Mas tinha que ser aquela série que me deixasse com vontade de assistir tudo o mais rápido possível.

Geralmente, é mais fácil de rolar essa empatia quando: muita gente (com gosto confiável) fala bem da série; e quando a série já encerrou, com boas críticas. No caso de Prison Break, os dois itens se aplicam. Foi quando a série passou pelas minhas opções, e eu decidi tentar.

Se o problema era criar empatia, estava resolvido. A série, originalmente de 2005, tem um dos melhores episódios piloto que eu já vi na vida inteira. De primeira, somos introduzidos aos dois protagonistas e à história que os rodeia: Michael Scofield e Lincoln Burrows – papel que eternizou os excepcionais Wentworth Miller e Dominic Purcell.

O primeiro episódio de Prison Break mostra o dilema de Burrows: ele está preso em Fox River, e condenado à pena de morte, por ter assassinado o irmão da vice-presidente dos EUA – mas jura que não matou ninguém. Até aí, tudo bem. Histórias de pessoas inocentes que são condenadas erroneamente? Bem frequente.

O que não é frequente é o irmão dele – Scofield –, um engenheiro bem-sucedido, jogar tudo pro ar, planejar e executar um assalto à mão-armada, para ser preso junto com o irmão – tudo porque ele tem um plano pra fugir com o irmão, da prisão que é conhecida como “à prova de fuga”.

E se não fosse suficiente, esse plano é todo baseado no mapa de Fox River – que Scofield tatuou no próprio corpo antes de ser preso, para nunca esquecer dos próximos passos de seu engenhoso plano.

E esse é só o primeiro episódio. Esse piloto consegue convencer qualquer um de que vale (e muito) a pena acompanhar a série. Seja por Paul T. Scheuring, o criador e showrunner de Prison Break, que mantém a linha, ou seja pelas suas criações, que tomam vida em cena, a série magnetiza qualquer um a ir até o final.

Para ir revelando cada vez mais o plano de Scofield – que é o que a gente quer saber –, Scheuring usa o método de plot twists a cada episódio, o que nos deixa boquiabertos ao final de cada parte – fazendo a gente pensar que já sabia de tudo o que ia acontecer, mas percebendo que a gente não sabe de nada.

Para enriquecer ainda mais a série, a trama é entrelaçada com uma conspiração, responsável por incriminar Burrows pelo crime que o prendeu. A Companhia, grupo responsável por isso, cerca Burrows para garantir que ele realmente tenha sua vida tirada por um crime que não cometeu – e começa a ficar na cola de Scofield, pra que ele não impeça isso de acontecer.

A proposta de explorar o interior de uma prisão é muito bem executada por Scheuring em Prison Break, resultando numa dinâmica divertida e intrigante, do jeito que uma prisão deve realmente ser.

Prison Break

No meio disso, a série é recheada de personagens icônicos, que aumentam ainda mais a tensão e a desconfiança já construídas pelo ambiente prisional, e que nos dão todo tipo de sensações – das mais caridosas às mais nojentas.

Os próprios protagonistas – Scofield e Burrows – têm uma construção e desenvolvimento exemplares. Em grande parcela, pela atuação genial de Miller e Purcell, que se entregaram totalmente aos seus papéis, e que os consagraram no mundo do entretenimento.

Scofield é um gênio, no sentido literal da palavra – o que quer dizer que ele é uma mente brilhante e criativa, capaz de visualizar os melhores passos e sempre encontrar uma saída –, mas que sempre foi e é muito altruísta, buscando ajudar sempre aos outros e preterindo a si mesmo – como quando ele resolver ser preso para salvar o irmão. E falando em irmão, Burrows é um homem perdido na própria mente – atormentado pelos erros do passado, condenado pelo único erro que ele jura não ter cometido, mas nunca deixando a família abaixo ou de lado.

Como toda produção, mesmo que os protagonistas sejam excelentes, não serão nada sem um elenco à altura. Pensando nisso, Scheuring nos entregou uma equipe de atores e personagens que já fazem parte da cultura pop universal.

Um deles é o ator Amaury Nolasco, que dá vida ao aclamado Fernando Sucre. É aquele tipo de personagem que é impossível de odiar, pela lealdade inabalável a Scofield e Burrows, o que faz com que ele sempre faça o certo pelos irmãos. A simpatia, o otimismo, a sua saga pela mulher amada, todo o seu comprometimento com os protagonistas, e todas as vezes que ele fala “papi”, o torna um dos personagens mais amados pelo público.

Curiosamente, Sucre é o único personagem que é amado pelo público do começo ao fim. O resto dos personagens, sempre foram duvidosos. John Abruzzi, o chefe da máfia italiana preso em Fox River, é um deles. Inescrupuloso, maluco, impulsivo. O perigoso presidiário, por meio de um acordo com o corrupto chefe da guarda prisional Brad Bellick (interpretado por Wade Williams), é o manda-chuva entre os presidiários. E faz de tudo pra manter sua hegemonia. Abruzzi é considerado um dos melhores papéis do excelente ator Peter Stormare, seu intérprete.

Além dele, temos Alexander Mahone, um agente do FBI (que entra na segunda temporada de Prison Break) encarregado de perseguir e capturar os chamados “Oito de Fox River” (o grupo de prisioneiros que se tornaram os primeiros a fugir da penitenciária, incluindo Scofield e Burrows).

Mahone, trazido à vida por William Fichtner, é considerado a contraparte de Scofield. Um gênio, exatamente igual ao protagonista, consegue prever todos os movimentos dos irmãos, sempre os cerceando e dificultando o meio de campo para os fugitivos após a fuga. Destemido e determinado, Mahone vai até o fim na sua missão.

Muitos outros personagens marcaram em sua passagem por Prison Break, ao longo da série: Paul Kellerman, o principal agente da Companhia, que mexe em tudo o que pode para cumprir com o objetivo da conspiração; Bellick, mencionado ali em cima, que eventualmente se junta aos prisioneiros (após tornar-se um deles); Benjamin C-NoteFranklin, outro dos “Oito de Fox River”; e Sara Tancredi, médica em Fox River que acaba se tornando o interesse romântico de Scofield (e se torna a chave de vários passos ao longo da série).

Mas, com certeza, nenhum desses personagens foi e é tão marcante para Prison Break, os espectadores e fãs, como Theodore Bagwell. Ou, como é melhor conhecido, T-Bag.

Prison Break

T-Bag é simplesmente indescritível. Por um lado, ele é detestável, por ser um psicopata, assassino, pedófilo, e estuprador – a pior pessoa do mundo –, além de sempre atrapalhar os planos de Scofield e Burrows. Mas, por outro lado, ele é um dos motores da série, que consegue se fazer útil sempre que querem descartá-lo (e olha que tentam), o que acaba sendo muito divertido.

A sua presença em Prison Break é fundamental. Sempre descobrindo segredos (como o plano de fuga de Scofield na primeira temporada, o que garante sua passagem para fora de Fox River), destruindo informações, raptando famílias, executando sequestros, assumindo identidades, mostrando lealdade aos mais poderosos (para manter-se vivo), T-Bag motiva o andamento da série em vários momentos – o que garantiu que ele estivesse presente em todas as temporadas.

T-Bag é a pessoa em Prison Break que faz coisas que odiamos, mas que sempre ficamos ansiosos para ver em cena.

Toda essa dinâmica em cena – entre Scofield, Burrows, Sucre, Mahone, T-Bag – funciona muito bem, e nos prende ainda mais à série.

Com esse e vários outros pontos positivos (e uma trilha sonora que gruda na mente), Prison Break teve 81 episódios em quatro temporadas, e mais um filme televisivo. Transmitida originalmente entre 2005 e 2009, deixou o seu legado uma das melhores séries já produzidas – e é uma das minhas favoritas de todos os tempos.

Pra quem ainda não começou a assistir Prison Break, sigam a dica de uma pessoa que já esteve no seu lugar: a série vale muito a pena.

Mas por que, depois de anos do fim da série, é tão importante falar de Prison Break agora? Porque, simplesmente, Prison Break não acabou.

O legado que a série deixou foi tão forte e tão imenso, que os fãs não ficaram convencidos com o final da quarta. E após um caminho de empecilhos (incluindo a depressão de Wentworth Miller, já superada), Paul T. Scheuring finalmente pode voltar a pensar em um presente ao público. E em janeiro do ano passado, a Fox anunciou que Prison Break teria mais uma temporada com nove episódios. Os fãs foram à loucura.

Na nova temporada, Burrows e Sara Tancredi estão levando suas vidas após a suposta morte de Scofield, há sete anos. E tudo corre bem, até que (quem mais poderia ser?) T-Bag, com seus contatos, descobre o paradeiro de Scofield – mais uma vez, preso, em um lugar no Oriente Médio, chamado Ogygia.

Agora, Burrows, junto com Kellerman, mais os notórios fugitivos de Fox River, Sucre e C-Note, e (obviamente) o nada desejado T-Bag, vão até Ogygia para a maior fuga das suas vidas: libertar Scofield uma última vez.

Pra um fã, não tem nada melhor do que ver uma série amada retornando com episódios inéditos. E mais ainda: confesso que a empolgação de poder reencontrar Michael Scofield é enorme.

A nova temporada de Prison Break, com nove episódios inéditos, estreia dia 4 de abril, no canal Fox.

Trailers | Prison Break

 

 

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Um ajudante de super-herói perdido em Tatooine, com várias pedras de metanfetamina.

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  • Thiago A. Barbosa

    Falando de T-bag, que é um personagem que realmente nunca amei, lembrei do LJ, que é outro que nunca amei, filho do Burrows e sobrinho do gênio, porém desprovido de qualquer habilidade capaz de ajudar eles, pelo contrário, eu ficava com raiva desse menino parecer ser tão estúpido e atrapalhar MUITO os irmãos.

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