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Hellraiser – Renascido do Inferno, de Clive Barker

 O gênero terror já me acompanha desde os 7 anos, quando consegui convencer minha mãe a me deixar assistir O Exorcista e descobri o que é sentir a tensão e o medo de uma obra de ficção. Com alguns anos a mais comecei a acompanhar o terror nos livros, já tendo me acostumado com o terror cinematográfico e ter perdido aquele frisson que Exorcista me causou na primeira vez. Se os filmes não conseguiam me surpreender mais, pouquíssimos livros conseguiram.

Li muita coisa, e acredito que os que mais chegaram perto foram King em O Iluminado e Blatty em O Exorcista, apesar de já ter visto o filme. Peguei Hellraiser achando que seria mais do mesmo, e não havia visto o filme porque simplesmente não me interessava. Mas minha opinião inicial caiu por terra.

Hellraiser Renascido do Inferno

Hellraiser me fisgou em suas primeiras páginas e me fez sentir aquilo que senti quando descobri o terror. O sentimento de medo, de tensão, o frio glacial na espinha voltou com tudo. Barker renovou meu ânimo para o terror.

“Eu vi o futuro do terror, e o nome dele é Clive Barker” – Stephen King.

A frase acima foi o estopim para que eu pegasse Hellraiser para ler. Acredito que quando o autor mais influente vivo fala algo assim, não vai ser qualquer obra. Assim, Clive despertou meu interesse. E eis que a DarkSide incluiu Clive em seu catálogo, já lançando Hellraiser – Renascido do Inferno em uma qualidade incrivelmente superior aos livros que eu já vi. Uma capa linda, um acabamento imitando couro, capa dura, auto-relevo, brilho e muito mais. Lindo livro.

hellraiser-capa-3dRenascido do Inferno foi escrito pensado para ser adaptado para o cinema, em 1986, num estilo bem pulp. Mas minha resenha será focada 100% em cima do livro.

O livro começa com Frank resolvendo o difícil enigma da caixa de Lemarchand, um artefato misterioso que funciona como quebra-cabeça, criada pelo artesão alemão Philip Lemarchand no século 18.

Frank busca prazeres ainda desconhecidos, pois vive uma vida baseada nisso, sejam sexuais ou por meio de substâncias, não importa, de tudo. Tendo experimentado todos os prazeres que já ouviu falar, nada mais o impressiona.

Até ouvir falar na Caixa de Lemarchand, artefato que tem o poder de, quando resolvido, proporcionar prazeres além da imaginação humana. Frank se retira para uma casa da família e, completamente solitário, resolve o quebra-cabeça.

A caixa então abre passagem para outra dimensão, a dimensão dos Cenobitas, criaturas que também buscam o prazer, se desfigurando com cortes, mutilações, correntes, ganchos e vários outros tipos de automutilação. Frank percebe que o prazer que seria obtido não seria bom, mas já é tarde, e os Cenobitas o levam.

“Por que, então, ele estava tão aflito de observá-los? Seriam as cicatrizes que cobriam cada polegada dos corpos deles, a carne cosmeticamente perfurada, cortada e infibulada, sendo a seguir coberta de cinzas? Seria o odor de baunilha que eles traziam consigo, a doçura que mal conseguia disfarçar o fedor que havia por detrás? Ou seria que, conforme a luz aumentava e ele os examinava mais atentamente, não viu nada de alegria ou mesmo de humanidade em seus rostos mutilados, apenas desespero e um apetite que fazia suas entranhas se retorcerem?”

 No capítulo seguinte, somos apresentados a Rory, irmão de Frank, e Kirsty, esposa de Rory, mas que ama Frank, desde quando transaram quando Rory vestia seu vestido de noiva. Em certo ponto, Frank consegue se comunicar com Kirsty, mas seu corpo está tão transfigurado pelas mutilações, que ele precisará de corpos humanos para conseguir se refazer, sugando substâncias vitais como sangue, nutrientes e muito mais. Kirsty então começa o longo processo de atrair presas para que Frank possa sugar o necessário, restando apensas cascas secas.

“Ele sentiu-se próximo de explodir. Sem dúvida, o mundo fora da sua cabeça – o quarto, os pássaros alem da porta – apear de todos os seus guinchos excessivos, não poderia ser tão opressor quanto suas memórias. Melhor aquilo, ele pensou, e abriu os olhos. Mas eles não descolaram. Lágrimas ou pus ou agulha e linha os haviam selado”

Hellraiser Renascido do Inferno

A escrita de Barker é intensa, nua e crua. E o que mais chama a atenção: ele descreve muito bem coisas repulsivas. Ele é cruel, intenso, pesado em algumas partes. Mas eu adorei mesmo assim. A trama é curta, li o livro em um dia, mas uma releitura é recomendada, pois são muitos os detalhes de sua escrita. Com certeza, o autor perfeito para a DarkSide Books. Fica minha torcida para que a editora lance Os Livros de Sangue, que promete ser ainda mais intenso do que Hellraiser.

Uma continuação já foi lançada, Evangelho de Sangue. Espero em breve trazer a resenha dessa obra a vocês. Fica aqui minha recomendação para os amantes do terror. Eu me apaixonei pela escrita do autor, e fiquei com o desejo de mais. Muito mais. Barker prova que pode aterrorizar o público ao mesmo tempo que hipnotiza e nos faz ler cada página ao mesmo tempo com medo e com desejo. Talentoso ao extremo, isso posso dizer.

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Escrito em 1986, Hellraiser – Renascido do Inferno apresentou ao público os demoníacos Cenobitas, personagens criados por Clive Barker que hoje figuram no seleto grupo de vilões ícones da cultura pop como Jason, Leatherface ou Darth Vader. Toda a perversidade desses torturadores eternos está presente em detalhes que estimulam a imaginação dos leitores e superam, de longe, o horror do cinema.

Clive Barker escreveu o romance Hellraiser – Renascido do Inferno (The Hellbound Heart, no original) já com a intenção de adaptá-lo ao cinema. O cultuado filme de 1987 seria sua estreia na direção, e ele usou o livro para mostrar todo seu talento como contador de histórias a possíveis financiadores. Nas palavras do próprio Barker: “A única maneira foi escrever o romance com a intenção específica de filmá-lo. Foi a primeira e única vez que fiz assim, e deu resultado”.

De leitura rápida e devastadora, Hellraiser – Renascido do Inferno conta a história de um homem obcecado por prazeres pouco convencionais que é tragado para o inferno. Inspirado nas afinidades peculiares do autor, o sadomasoquismo é um tema constante em sua arte.

“Eu vi o futuro do terror, seu nome é Clive Barker.”
– STEPHEN KING, AO LER HELLRAISER QUANDO FOI PUBLICADO, EM 1986

“Barker é a melhor coisa que aconteceu à ficção de horror em muitas luas. […] [Ele] nunca falha em entregar o que promete.”
– CHICAGO TRIBUNE

“O mais imaginativo entre os romancistas macabros e ela apenas continua a melhorar.”
– KANSAS CITY STAR

“Esperar algo deste mestre do macabro que se aproxima do ordinário é pedir por problemas.”
– PORTLAND SUNDAY OREGONIAN

“Barker tem um verdadeiro dom para as coisas verdadeiramente assustadoras.”
– LOS ANGELES TIMES

[divider]O Autor[/divider]

Hellraiser Renascido do Inferno

CLIVE BARKER é um homem renascentista de nossos tempos. Escreveu mais de vinte best-sellers de terror, incluindo Imajica, Livros de Sangue e a série de livros infantis Abarat. Produtor, roteirista e diretor de cinema, é o criador por trás das franquias Hellraiser e Candyman.

O filme O Último Trem é baseado em um de seus contos. Dirigiu o videoclipe “Hellraiser”, do Motörhead. Desenvolveu os games Undying e Clive Barker’s Jericho. É artista plástico. Saiba mais em clivebarker.info.

[divider]Ficha Técnica[/divider]

Hellraiser Renascido do Inferno

  • Título | Hellraiser – Renascido do Inferno
  • Autor | Clive Barker
  • Tradutor | Alexandre Callari
  • Editora | DarkSide®
  • Edição | 1a
  • Idioma | Português
  • Especificações | 160 páginas
  • Limited Edition (capa dura) & Classic Edition (brochura)
  • Dimensões | 14 x 21 cm
  • ISBN | 978-85-66636-69-7
  • Lançamento | Setembro de 2015
[divider]Links:[/divider]

 

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Um leitor assíduo da fantasia e do terror, vem descobrindo aos poucos as maravilhas da Ficção Científica e dos Romances Históricos. Crítico e perfeccionista, procura falhas até nos livros mais perfeitos. Nas horas vagas escuta Heavy Metal e lê ainda mais.

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