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O livro é: “Como eu era antes de você” de Jojo Moyes

Jojo Moyes é uma jornalista e escritora britânica muito conhecida por escrever dramas dos quais você pode levar o termo a ferro e fogo. Autora de livros como: “A última carta de amor (2010)” e A garota que você deixou para trás (2012)”, Jojo alcançou o ápice do reconhecimento de seu trabalho com o livro “Como eu era antes de você (2012)”. O sucesso foi tão grande e real, que em 2016 o livro ganhou uma adaptação cinematográfica do qual a própria Jojo é a roteirista. O filme é estrelado por Sam Claflin (de Simplesmente Acontece) como Will Traynor e Emilia Clarke (de Game of Thrones) que vive Louisa Clark, os protagonistas da história.

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[divider]O Livro[/divider] [dropcap size=small]C[/dropcap]omo eu era antes de você é um livro completo: aborda questões que ainda são consideradas tabu ao nosso questionamento; traz um romance que consegue ser muito belo sem ser meloso e cansativo; mostra diferentes pontos de vista, pois, a história é narrada por Louisa Clark (a personagem principal), porém, há um capítulo com a visão de cada membro importante na história, nos dando, assim, a oportunidade de analisar uma mesma situação sobre diversos pontos de vista, o que é totalmente coerente com o desenlace e o desfecho da história, sem contar que há um prólogo e um epílogo.

A história começa com a narrativa de Will Traynor, um empresário bem sucedido que gosta de aproveitar a vida pulando de penhascos, esquiando, viajando e degustando o cheiro e o sabor de diferentes culturas mundo afora. No entanto, sua vida muda de direção quando ele sofre um acidente e acaba ficando tetraplégico, assim, voltando a morar na casa dos pais, Camilla e Steven Traynor. Logo em seguida, já somos inseridos no mundo de Louisa Clark. Uma mulher de 26 anos que mora com os pais, Bernard e Josie, com o avô doente, sua irmã mais nova Katrina e seu sobrinho Thomas.

Louisa não tem muitos planos para a sua vida, ela parece estar bem conformada com a forma da qual vive, trabalhando em uma cafeteria (o The Buttered Bun), namorando Patrick (já havia 7 anos), um personagem chato que só pensa em correr, em perda de peso, etc.

Assim como Will, Louisa também tem uma reviravolta em sua vida, não tão forte como a de Will, mas certamente algo que a tirou de sua zona de conforto da qual vivia há 6 anos trabalhando como garçonete no café: ela foi demitida, pois, o proprietário iria fechar o local por questões pessoais, deixando a nossa querida Lou “sem chão”. Neste ínterim, a família de Will solicita o trabalho de uma cuidadora (não necessariamente experiente) que o ajude em suas necessidades durante 6 meses. Lou, totalmente necessitada e desesperada para conseguir um emprego, se candidata à vaga e a consegue.

E é aí que a vida dos dois começa a mudar. E a palavra “mudar” me deixa feliz ao lembrar da minha experiência com o livro. Fica nítido o quanto os dois personagens constroem algo lindo que não se resume ao romance diretamente, mas às consequências de escolhas, demonstrações de carinho e afeto com coisas simples, diálogos carregados de significados que vão desde o especiais até os mais sombrios.

Louisa Clark é uma personagem bem incomum e interessante, ou seja, fora dos padrões de romance do quais estamos acostumados, é fácil se identificar com ela pela forma em que ela descreve os seus sentimentos e pensamentos. Ela ama roupas, faz algumas combinações bem loucas (no filme isso fica mais evidente), sempre busca ajudar a sua família no que for possível, tem uma relação normal de irmãos com a irmã mais nova Katrina ou “Treena”, talvez o que falte à ela seja apenas um objetivo de vida do qual ainda não tem ideia do que seja.

“Meu pai me chama de “figura” porque costumo falar a primeira coisa que me vem a cabeça (…) Minha mãe me chama de ‘singular’, que é uma maneira educada de não entender muito bem como me visto.” 

Enquanto a Will, meio carrancudo por conta do acidente que o tirou do posto de homem independente e o resumiu a um homem totalmente dependente de cuidado dos demais. Porém, o mau humor de Will não é exagerado a ponto de você odiá-lo por isso. Muito pelo contrário, a personalidade sarcástica de Will funciona muito bem como antagonismo e equilíbrio à personalidade de Louisa. E isso nos faz ter mais interesse em ver a construção da proximidade deles até que se torne um romance, um romance que chega a ser quase implícito.

“Assim que entramos no quarto, o homem na cadeira olhou por baixo de uma cabeleira despenteada. Seus olhos encontraram os meus e, após uma pausa, ele soltou um gemido horripilante. Então, sua boca se retorceu e ele deixou sair outro grito fantasmagórico. Senti sua mãe se empertigar. — Will, pare com isso!”

[divider]O Filme[/divider]

A adaptação cinematográfica que foi lançada recentemente e que ainda está no cinema não decepciona. O roteiro foi escrito por Jojo Moyes, e como é sabido, não tem como contar tudo em detalhes como é feito no livro. Houveram poucas modificações, como o corte da irmã de Will, Georgina Traynor; um determinado diálogo aproveitado em uma outra cena e local, e, falando em diálogos, há muitos idênticos aos do livro, tudo bem que é meio óbvio esperar isso de uma adaptação, mas em alguns momentos parece que eles estão lendo o livro em voz alta (risos). É muito mais divertido ver os looks loucos de Louisa Clark, inclusive, algumas pessoas repararam (eu também reparei) que a Lou do filme é um pouco mais extrovertida do que a Lou do livro, mas é só uma questão de ponto de vista, devo dizer que gosto das duas.

 

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[divider]O Trailer[/divider]

[divider]Conclusão[/divider]

Afinal, “Como eu era antes de você” faz jus ao título, e, além de não deixar de ser um drama a nível dos que já conhecemos, ele surpreende por ir fundo no quesito “como eu era e nos mostra uma ótica de amar que é muito agradável aos olhos de quem lê/de quem vê. Um amor simples, um amor que muda, um amor que inspira. Quando você ler (ou ver o filme, ou as duas coisas), vai entender o que eu digo. E espero que você lembre das minhas palavras.

MOYES, Jojo. Como eu era antes de você. (Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016), edição Kindle.

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Publicitário, estudante de jornalismo e aspirante a artista. Ama passar o dia com o fone de ouvido, ir ao cinema e andar pela Doca de Souza Franco como se não houvesse amanhã. É Marvete e DCnauta pois, aproveita de tudo.

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