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PÁTRIA ARMADA #2

Depois de um grande hiato chega às bancas o número 2 da revista. Dando prosseguimento aos eventos da primeira edição, temos uma HQ concentrada na ação, mais precisamente no combate entre a Tropa de Impacto é um misterioso super grupo com poderes que parecem rivalizar com a tropa Legalista.

Perdendo Fôlego

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Partindo desta premissa, o que se espera são doses de ação interrupta e cenas mirabolantes de combates, onde os grupos possam ser apresentados ao leitor.

Porém, nada disso acontece… Com um desenvolvimento comprometido por sequências pouco inspiradas e diálogos superficiais, esta segunda edição se arrasta tentando manter os méritos alcançados com a fórmula utilizada para apresentar os personagens na primeira edição.

Flashbacks entrecortados que tentam aproximar os leitores dos membros da Tropa de Impacto, mostrando suas motivações e traços de personalidade são utilizados novamente, porém tudo soa clichê e artificial demais, as motivações não passam credibilidade justamente por esta carência de aprofundamento e ritmo dos fatos apresentados.

O que se tinha de melhor na primeira edição que era a promessa de uma trama intrigante trabalhando com conceitos de diversidade e representatividade, amarrados por uma premissa bem articulada se esvai neste pouco inspirado segundo número, que mais parece uma revista feita para cumprir tabela do que realmente aprofundar o leitor na trama proposta.

Dois pontos positivos desta segunda edição são uma redução no preço de capa mantendo a qualidade da mesma e tendo uma diferença de paginas mínima em relação ao primeiro número e uma sensível melhoria na colorização do material.

Clichês, por que não?

Se um dos objetivos do projeto é trabalhar com o universo dos super-heróis, gênero lapidado com maestria por décadas pelos norte-americanos, então por que não utilizar os clichês que tornaram este meio tão popular?

É sempre bom lembrar que o problema não é se utilizar de clichês e sim como usá-los, quando penso em super grupos em ação, lembro-me da fase memorável dos X-Men de Chris Claremont e John Byrne, onde estes criavam várias situações inusitadas nas dinâmicas da equipe quando estavam em combate, desde golpes ensaiados a jogadas táticas que visavam explorar o melhor de cada membro e seus poderes, superar as limitações de cada indivíduo e do funcionamento do time como uma real equipe, a busca do entrosamento, da aceitação ao conflito de universos tão distintos era constante.

Isto se encaixava tão bem que um clichê recorrente era mostrar que todos os membros eram fundamentais dentro da equipe, mesmo que este não fosse o mais poderoso do grupo, era sempre estimulante ver que sutilezas dentro das especificidades de cada membro poderia derrotar um determinado vilão justamente pela superação de limites deste indivíduo dentro da dinâmica da equipe e não somente ligado ao poder e equivalência do mesmo em escalas de força.

O psicológico era fundamental, a interação entre os indivíduos, o crescimento e fortalecimento da equipe, o amadurecimento, um grande espelho que mostra como tudo na vida passa por superação.

Uma simples historia de treinamento do grupo em uma sala de perigos era suficiente para retratar várias camadas dos diversos personagens, trabalhando seus medos e anseios.

Porém um defensor mais fervoroso das HQs brazucas pode retrucar que não estamos lendo X-Men, e sim um material nacional. Para este argumento me vem de imediato a seguinte questão, que mal tem em usar fórmulas consagradas para embasar sua história?

Referências são sempre bem-vindas, Tarantino é um exemplo clássico que usar referências e fazer uma grande colagem delas não é demérito algum, os velhos clichês se bem encadeados somam para a narrativa e para obra como um todo.

Síndrome de John Byrne

Um problema latente nesta segunda edição é que o tempo que a mesma demorou para ser publicada deveria ter favorecido o roteiro e arte, porém acabou funcionando de forma  inversamente proporcional.

Neste meio mainstream onde os super-heróis reinam e onde a produção é intensa um nome me vem à cabeça, John Byrne, ele era um dos pouquíssimos artistas que conseguiu durante décadas escrever e desenhar obras como Quarteto Fantástico, Mulher-Hulk, Hulk, Super-Homem, Mulher Maravilha, Next Men e outras e  que mesmo desenvolvendo estas duas tarefas simultaneamente atingia um nível satisfatório em seus arcos de histórias.

Acredito que se o projeto conseguir atingir uma segunda fase, uma estratégia poderia ser utilizada para dar mais pungência à trama de Pátria Armada, outros roteiristas poderiam ser convidados para auxiliar e dar mais profundidade ao roteiro proporcionando assim mais tempo para que Klebs Junior e sua equipe possam cuidar da arte, afinal John Byrne é a exceção e não a regra!

Créditos para quem é devido

Um assunto que gerou certa polêmica recentemente com o lançamento de Aurora é que na capa da obra só constava o nome do Felipe Folgosi, muitos reclamaram com o argumento de ser um desrespeito e falta de valorização dos demais profissionais envolvidos na produção da revista.

Quem esta acostumado com o mercado de quadrinhos principalmente o norte-americano, no qual nos espelhamos obviamente, sabe que na capa sempre vem estampado o nome dos membros da equipe da revista.

Alguns podem argumentar que os demais membros aparecem nos créditos internos de Aurora, mas se formos fazer um pequeno comparativo, as pessoas vão se lembrar com mais facilidade de quem aparece na foto de uma matéria e não dos que aparecem apenas no texto da mesma.

A capa de uma revista vende o produto e todos vão se lembrar de imediato apenas de quem aparece nos créditos da mesma, é uma lógica até simplória, mas não deixa de ser um fato que desmerece os demais membros de qualquer projeto de quadrinhos que se utilize deste expediente.

Um fato interessante é que na revista Pátria Armada acontece o mesmo que em Aurora, o nome na capa é apenas o de Klebs Junior, contudo não vi comentários sobre isto. A questão dos devidos créditos aos artistas dentro dos moldes da indústria também passa por formação de mercado, porém parece que isso só incomoda quando o autor é um “Global” que parece querer invadir um meio que não é o seu…

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Enfim coincidência ou não, as duas obras são do mesmo selo “Instituto dos Quadrinhos”, estando tudo em casa no final! ¯\_()_/¯ 

Ficha Técnica

  • Editora: Instituto HQ
  • Roteiro & Arte: Klebs Junior;
  • Nanquim: Wellington Diaz e Nelson Pereira;
  • Cor: Stefani Renne;
  • Letras: Gisele Tavares;
  • Pátria Armada # 2
  • Formato: 17 x 26 cm;
  • Número de Páginas: 44;
  • Preço: R$ 9,90;
  • Capa Cartonada, miolo couchê.
  • Site: www.patriaarmada.com.br

 

 

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É Bacharel em Psicologia, porém optou por sua grande paixão trabalhando como ilustrador e quadrinhista. É sócio do Pencil Blue Studio e Ponto Zero, podendo assim viver e falar do que gosta: quadrinhos, cinema, séries de TV e literatura.

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