Entrevista com Giordano Mochel Netto, autor de Condão

O leitor brasileiro fã de Sci-fi tem mais um livro para incluir em sua lista de leituras para 2016. Condão, do escritor estreante Giordano Mochel, foi lançado em meados de 2015 e já conta com um bom número de resenhas pela web, todas com links disponíveis na Fanpage da obra (AQUI).

Com uma premissa interessantíssima e extremamente atual, a obra também tem recebido muitos elogios dos leitores e opiniões sempre muito positivas.

Caso você ainda não tenha esbarrado com nada da obra até agora, suas desculpas acabaram: batemos um papo com Giordano sobre temas gerais e claro, fizemos uma sondagem rápida sobre a obra que em breve também ganha resenha aqui no Ponto Zero.

Boa leitura.

Condão | Sinopse

11266703_1593745800904653_8002117670349946374_nTecnologia robótica, petabytes, Direito Eletrônico. Esses termos fazem parte do cotidiano de Edwardo, um jovem que vive em uma sociedade ultratecnológica em que o controle da informação tornou-se o meio de referência para todos.

Programador virtual, ele tem uma vida estabilizada, já que suas preocupações resumem-se ao trabalho, ao relacionamento amoroso com Sílvia, biogeneticista, e à amizade antiga e franca com Jânio, professor de História Moderna e especialista na teoria do Condão.

No entanto, ao presenciar, involuntariamente, o assassinato de dois jovens por drones responsáveis pela segurança pública, sua vida passa a correr risco. Robôs-homicidas? Uma possibilidade que soa impossível para um software instruído a tarefas-padrão e funções extremamente mecânicas.

Pelas regiões do Brasil, Edwardo arrasta Jânio e Sílvia em uma busca incessante para desvendar o crime. Só que, quando o trio descobre que essa investigação envolve vários fatos obscuros que influenciaram o atual nível de desenvolvimento dessa sociedade, uma nova realidade se revela de forma estarrecedora.

Condão | Ficha Técnica

  • Autor: Giordano Mochel
  • Número de páginas: 400
  • Editora: Novos Talentos da Literatura Brasileira
  • Idioma: Português
  • Dimensões do produto: 20,8 x 14 x 2,8 cm
  • Peso do produto: 440 g
  • Ano da Edição: 2015

Condão | Onde Comparar

Condão | O Autor

Giordano Mochel Netto é bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Bacharel em Direito pela Universidade Estácio de Sá, especialista em contabilidade pública e transporte público. Atualmente divide seu tempo como Auditor Estadual de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão e como advogado.

ENTREVISTA

1 – Para começarmos nosso papo, que tal uma apresentação do autor? Quem é Giordano Mochel Netto e como começou a aventura de ser escritor?

Apesar de viver o mundo nerd e participar da sua cultura, sempre tive hábitos aversos a introversão, saindo muito e frequentando ambiente absolutamente heterogêneos. Isso pode ser devido a minha natureza inquieta.
Só para ter uma ideia, depois de me formar em Ciência da Computação, fiz especializações em mobilidade urbana, transporte público e contabilidade pública. Ainda arrumei tempo para fazer direito e hoje também advogo.
Por incrível que pareça ainda atuo em todas essas áreas. Só Deus pra saber onde arrumei tempo para escrever esse livro, que saiu mais de uma sequência de ideias acumuladas durante os anos. A realidade distópica mostrada na história surgiu exatamente desse conjunto adquirido de vivências.
Procurei enaltecer a política mas sem poupar nenhuma corrente ideológica e sim expor as falhas de todas, quase igualmente, assim como ressaltar as pouquíssimas virtudes.

2 – Que influências temos de modo geral em sua escrita além, claro, das que influenciaram Condão diretamente?

Num todo, a influência vem desse conjunto de vivências que destaquei na resposta anterior. Em relação à escrita é um pouco difícil dizer, pois leio muitos autores e gêneros diferentes. Mas creio que tem algo de Arthur C. Clarke na construção do ambiente e um pouco também de G. R. Martin no detalhismo, autor que me tornei fã há pouco tempo.

3 – Ainda não tive a oportunidade de ler o livro, inclusive evitei ler as resenhas que já estão circulando pela web. Quero ter aquela experiência direta com a obra, sabe? Mas para o nosso leitor, o que você diria que Condão tem de atrativo para o fã da Sci-fi e de Literatura em geral.

Condão é essencialmente uma distopia Sci-fi. Pode parecer redundante dizer isso, pois tende-se a achar que toda Sci-Fi é distópica, mas não é verdade. Star Trek é um exemplo disso, pois seu universo é, na realidade, utópico.
Condão aparentemente é utópico, mas os desdobramentos narrativos mostram outra coisa… Também é importante frisar que na contextualização do ambiente usei alguns termos técnicos. Alguns leitores pouco familiarizados podem estranhar, mas já adianto que não é algo que atrapalhe a narrativa, serve principalmente para enriquecer o ambiente.
De qualquer forma nenhum dos beta-readers permitiu eu que tirasse qualquer elemento. Disseram que seria uma mutilação artística. Enfim, isso só ocorre bem no início, em menos de 10% do livro. E tem 3 eastereggs. Um deles, até agora, nenhum leitor descobriu onde está…

4 – Claro, não há fórmulas fixas no processo de criação de uma obra literária, mas acho que todo autor tem algum caminho próprio, algo entre estilo, técnica, macete e trabalho árduo. Qual é o seu processo básico? Por onde começa? O que faz com resultados que não te agradam? Como inicia uma parte importante da trama? Essas coisas…

No meu caso não houve. Acho que como o livro estava meio preconcebido na minha cabeça, a escrita saiu como uma enxurrada. Houve dias que escrevi até 18 horas sem parar. A única coisa que fazia toda as vezes, sem exceção, era reler o último capítulo. Depois era dedo no gatilho, ou teclado.

5 – Alguns artistas são isolacionistas durante a criação, pouco dividem suas etapas e ideias até que atinjam algo bem maduro em suas obras. Como você é? Gosta de comentar as coisas, dividir com amigos e familiares? Ou prefere deixar a escrita fluir primeiro antes de falar do que está escrevendo?

Falei com alguns, não houve problemas em relação a isso. Inclusive um dos beta-readers acompanhou desde o capítulo 4.

6 – Ainda um pouco sobre seu processo, como foi construir a ideia toda em volta de Condão? De onde você partiu e aonde pretendia ir?

Desde o início, mesmo antes de começar a escrever, a ideia era criar um universo distópico que pudesse funcionar como uma fonte de discussões e de reflexões sociais. O livro tem diversas críticas a inúmeros fatos da nossa sociedade, envolvendo tanto política quanto ciência. Se eu escrevesse um livro que não permitisse uma contraposição de ideias, teria sido inútil.

7 – Com o livro já circulando, quais são os planos agora? Já está com novas ideias em prática, algum prazo para elas?

Existe o projeto de continuação do livro, mas também estou amadurecendo a ideia de uma HQ. A narrativa é muito corrida, típica de roteiros de cinema e de HQ. Vamos ver o que podemos fazer ainda nesse semestre.

8 – Bom, vamos falar de outras coisas agora… quando não está escrevendo, que mídias você consome? Cinema, games, Hqs, seriados, animes… qual sua vibe na hora de se divertir?

Tudo isso aí, principalmente séries. Eu sempre prefiro séries a filmes, já que no segundo caso tendem a ser condensados. Um exemplo crítico que dou é Star Wars 7. Um filme que poderia ter 3:30h como Senhor dos Anéis, ficou condensado em 2:00h. É excelente, mas senti uma mutilação no universo. Em relação a séries, não há uma vertente específica.
As preferidas são Breaking Bad, Battle Star Galactica, Dr. House, Game of Thrones, dentre outras.

9 – Aproveitando o embalo de outras mídias, muitos eventos explorando vários segmentos estão tendo bastante espaço aqui no país, a maioria, claro, ainda buscando sua própria identidade, alguns bem próximos dos moldes americanos, você tem alguma agenda para a divulgação do livro e futuros projetos nesse segmento dos eventos de cultura pop-nerd?

Tive o evento de divulgação na Bienal do Rio, que foi excelente, principalmente porque foi uma das mais visitadas de todos os tempos.
Em relação a eventos específicos preciso verificar a agenda deles, pois são os mais concorridos hoje. Antes ninguém queria ser nerd. Agora não só é cult ser nerd, como os eventos são concorridíssimos.

10 – Para fechar nosso papo, qual o recado para os leitores do Ponto Zero…

O recado que dou é mais um parabéns, na verdade. Dei uma boa olhada no site e vi que o conteúdo é muito rico e diversificado, com análises em diversas áreas e uma boa gama de colaboradores.
Os leitores estão de parabéns em acompanhar o portal e os criadores e equipe do PontoZero estão de parabéns por manter um espaço tão bom. Por fim, eu agradeço por ter a oportunidade de participar desse espaço.

Muito obrigado Giordano, pelo tempo disponibilizado para nossa entrevista. Temos certeza que o livro vai ser um sucesso ainda maior do que já. Estamos ansioso para a resenha.

Equipe Ponto Zero

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É Designer de produtos e gráfico, desenhista nas horas vagas e aos trancos e barrancos um estudioso de Semiótica. Nutre estranhas fixações por processos narrativos experimentais e acredita que o mundo caminha para ser cada vez mais parecido com um Game

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