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O Hellboy de Mike Mignola

A década de 1990, com raras exceções, nos trouxe um amontoado de clichês embrulhados em todas as esferas das histórias em quadrinhos norte-americanas. Os novos recursos tecnológicos embelezaram as cores e os desenhistas, com ilustrações cada vez mais épicas e impactantes, transbordavam dinamismo e exageros. Foi a época em que a Image Comics eclipsou e influenciou as gigantes DC Comics e Marvel Comics.

[dropcap size=small]C[/dropcap]ontudo, mesmo impressionando com os avanços artísticos e técnicos, as histórias e personagens pareciam superficiais e descartáveis, apesar da pretensão gigantesca dos seus autores.

Primeiro Sketch de Hellboy por Mike Mignola
Primeiro Sketch de Hellboy por Mike Mignola

Então, quando a mesmice já assombrava o fim da década e apenas um ou outro lançamento, realmente merecia a devida atenção, eis que surge Hellboy. Começando pela aparência, a personagem, não remetia em nada aos arquétipos heroicos consagrados no universo dos quadrinhos.

Era um demônio vermelho, de chifres cerrados, com uma mão de pedra, acessórios e sobretudo, talvez pop demais para as típicas hqs alternativas e muito original para o mainstream.

Inspirado em H.P. Lovecraft e em temas que abordam o ocultismo, mitologia e folclore universal, com respeitável propriedade, o autor Mike Mignola alcançou o que Alan Moore classifica como “Expressionismo Alemão encontra Jack Kirby”. Obviamente ele já era um artista conhecido pela sua originalidade e talento que, desde sempre, deram uma perspectiva singular à sua arte.

No entanto, em seu trabalho autoral Mignola pôde aplicar toda a sua influência Pulp e ir por caminhos distintos dos temas óbvios.

Em histórias simples, apesar de profundamente ricas em referências e com uma criatividade que se sobressaia as demais, além do traço atemporal, Mike Mignola criou o personagem mais interessante da década e talvez um dos melhores na história das histórias em quadrinhos.

Hellboy, cujo nome original é Anung un Rama, é filho de uma humana com o lorde demoníaco Azazel. Sua chegada à Terra se dá por meio de um ritual de invocação organizado pelos nazistas ao lado do feiticeiro Rasputin num desesperado esforço final para vencer a Segunda Grande Guerra Mundial através do uso de magia negra e seres arcanos.

Frustados pelo esforço coordenado dos Aliados, a invocação acaba não tendo o resultado esperado e o demônio trazido ao nosso mundo, Hellboy acaba sendo levado pelos soldados e criado como filho adotivo do Professor Trevor Bruttenholm. Educado como filho do professor, a criatura demoníaca acabou se tornando um importante agente do Birô de Pesquisa e Defesa Paranormal (Bureau for Paranormal Research and Defense – B.P.R.D), divisão secreta que tem por objetivo combater forças ocultas e atividades sobrenaturais ao redor do mundo que, além de Hellboy, conta com outros tantos seres e criaturas fantásticas como Johann Krauss, Liz Sherman, Abe Sapien, Kate Corrigan, Capitão Ben Daimio e Roger, o Homunculus. Vampiros, lobisomens, demônios, lendas e criaturas místicas diversas estão entre as muitas “missões” que cruzaram o caminho do personagem.

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Além das HQs cronológicas, Hellboy tem uma extensa bibliografia com novelas, contos e antologias não só com histórias extras suas, mas também de seus coadjuvantes do B.P.R.D. Algumas se passando inclusive bem antes da invocação de Hellboy ao nosso mundo no final da Segunda Grande Guerra Mundial.

No campo multimídia o personagem já teve dois longa-metragens estrelados pelo ator Ron Perlman e dirigidos pelo cultuado cineasta Guillermo Del Toro. Ainda no campo do audiovisual o personagem ganhou duas animações, ambas lançadas aqui no Brasil diretamente para DVD que (Hellboy: Espada das TempestadesHellboy: Sangue e Ferro), inclusive, conta com a dublagem dos atores dos longas de Del Toro no elenco de vozes.

Atualmente o personagem tem suas histórias publicadas na forma de encadernados pela Mythos Editora (veja anúncio de Hellboy: Tormenta e Fúria AQUI). O leitor pode encontrar as edições históricas contendo material cronológico do personagem em acabamento de luxo com para dura (já no vol. 10) e as edições extras e antologias em encadernados intermediários de capa cartonada. Alguns volumes estão esgotados, mas é bem comum suas reimpressões serem anunciadas pela editora devido ao constante fluxo de procura do material pelos fãs.

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Pio é um entusiasta da cultura pop e ciências ocultas

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