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Del Toro homenageia o terror gótico inglês em A Colina Escarlate

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A Colina Escarlate (The Crimson Peak, no original) é sobre uma jovem aspirante a escritora chamada de Edith Cushing (Mia Wasikowska), que e se apaixona por Thomas Sharpe (Tom Hiddleston), um jovem inventor que busca investimentos para uma maquina hidráulica usada para remover argila. Edith se casa com Thomas e vai morar em uma mansão estranha e mal assombrada caindo aos pedaços junto com a irmã de Thomas, Lucille (Jessica Chastain). Logo ela descobre o real intenção dos irmãos para com ela.

A Colina Escarlate é um daqueles filmes tipo “deleite visual”, primoroso em cada cena, digno de uma moldura para cada enquadramento e, infelizmente, boa parte da projeção da película se apóia e muito na estética singular que Del toro emprega em quase todas as suas obras.

Algo que realmente esta visível em todo filme é a maneira que o diretor homenageia o tema da morte mexicana, é bem evidente nas cores quentes e vibrantes como cada fantasma é retratado em cena. No entanto senti falta de um roteiro mais bem escrito que fizesse jus ao apuro visual da obra. A trama é bem previsível. O publico já tem noção de quase tudo que vai acontecer antes mesmo da protagonista.

Dos personagens em cena Lucille e suas motivações são os mais bem definidos na trama. A casa que da o nome ao titulo do filme é um personagem a parte, tudo nela leva a crer que algo de ruim vai acontecer a qualquer momento.

Falando em homenagens há referências a grandes escritores do terror como Mary Shelley (Frankeinstein), Edgar Allan Poe (The Raven), Arthur Conan Doyle (Sherlock Holmes) e, num vislumbre rápido, há o nome Burton (Tim Burton talvez?) em um cartaz ao fundo de uma cena de rua.

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Os fantasmas apresentados são muitos distintos da maneira como aparecem em cena. Você realmente se compadece da maneira como cada um morreu e isto é evidente em cada ato do filme. Infelizmente eles servem apenas como guias de pistas que são jogadas o tempo todo para que Edith descubra que ela será a próxima vitima (esta é a previsibilidade do roteiro), ate por que o terror real fica para os personagens que estão vivos, desnudando os limites críticos que as pessoas são capazes para atingir seus objetivos.

O subtexto que mais me chamou atenção é o contraponto do velho mundo (Lucille) tentando sufocar o novo mundo (Edith). E aqui não estamos falando somente do mero embate entre “menina boa” e “menina má”, fica evidente que a presença gélida e repressora de Lucille simboliza uma Inglaterra em decadência econômica em relação ao novo mundo e o futuro que é apresentado na America do final do século 19.

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Acredito que Del Toro entregou uma pequena pérola neste gênero tão desgastado que é o cinema de terror atual que vivemos, salvo a exceção de Invocação do Mal que trouxe um frescor para o gênero. The Crimson Peak é uma aula de que um belo filme necessariamente não precisa ser o mais caro!

Entendam, A Colina Escarlate não é um filme ruim, longe disso. A menção ao nome de Guillermo del Toro no comando de qualquer película já cria uma grande expectativa. E talvez o problema resida ai. O diretor faz uma bela homenagem ao terror que perpetuava o cinema nos anos de 1940 que tinha como grande produtora o estúdio Hammer.

Provavelmente este filme vai ter dificuldade de encontrar o seu publico, ora é um filme de casa mal assombrada, ora e um romance gótico, mas eu recomendaria que a ida ao cinema e tenha a melhor experiência sensorial possível, pois todo apuro técnico do filme pede por essa apreciação oriunda da estética deltoriana.

 

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Desenhista que atua no mercado profissional de quadrinhos desde 2008. Desenvolve trabalhos como ilustrador para editoras do mercado americano, cursos e oficinas de desenho e integra a equipe de produção do GibiMais.

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