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MAXINE | CONHEÇA O UNIVERSO DESTA SUPER-HEROÍNA NACIONAL FEITO COM MUITA COMPETÊNCIA

Muito se fala de que o “mercado nacional de quadrinhos” vive um momento de franca expansão… Pode até ser, se analisarmos pelo aspecto da quantidade de projetos sendo realizado em plataformas de crowdfunding, o que ajudou a alavancar vários materiais Brasil afora, porém existem outros tantos que estão numa batalha mais “tradicional”, o velho e bom “com a cara e a coragem”, muitas vezes tirando recursos do próprio bolso para bancar os seus projetos…

Imagem 001Contudo independentemente de como conseguem recursos para sua publicação fica sempre uma dúvida, será que o grande público esta tendo acesso a toda esta produção?

Isto é uma questão que deveria ser respondida por todos que realmente almejam que o “mercado” se solidifique e se profissionalize cada vez mais, autores, artistas, editoras, eventos, sites especializados, blogs, etc.. Inclusive você leitor, também faz parte desta corrente e é o elo mais importante…

No entanto esta questão é respondida principalmente a cada vez que temos contato com um produto que “transpira” profissionalismo como é o caso de Maxine de Reginaldo Nakamura e Alan Campos.

A primeira edição de Maxine foi produzida através da iniciativa Universo Editora, selo independente comandado pelo editor Gil Mendes que está oferecendo publicações com tiragens mais baixas a preços mais acessíveis para autores independentes que queiram lançar seu material, com uma qualidade bem bacana, porém não estou falando de capa dura ou papel couchê no miolo, parece que tudo se resume a isso agora…

O número um foi lançado por volta de fevereiro de 2015, contudo a personagem já contava com uma encarnação para web que pode ser visto na fanpage da mesma (AQUI), e até com um cosplay desenvolvido por Kitty Honey Cosplay (AQUI).

[divider]PREMISSA[/divider]

Ser super-heroína não é fácil, resolver os problemas de ordem íntima mais ainda. Entre uma e outra ameaça, o assédio da imprensa e os interesses econômicos de uma grande companhia de marketing, como Maxine irá tocar em frente sua complicada vida pessoal?

Se hoje um dos assuntos mais abordados e polêmicos do mercado de entretenimento como um todo é a representatividade feminina, Maxine sai na frente, pois a protagonista é uma mulher jovem e com poderes que tem que lidar com os mais variados dilemas que uma mulher enfrenta em nossa sociedade. Ela terá problemas com a exposição de sua imagem, críticas ao seu traje sensualizado, e no número um para completar uma inusitada proposta, Maxine é convidada para posar nua…

Isso tudo é colocado de forma leve e sutil pelo ótimo roteiro de Nakamura, sem grandes complicações ou arroubos estilísticos, mas como algo decorrente da exposição publica de uma mulher, ou melhor, uma super mulher, que acaba atraindo pra si os olhares de todos, como qualquer celebridade do mundo real atrairia…

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Talvez este seja o grande trunfo de Maxine, a obra parece flertar com a realidade com o que tem de mais atual que é esta obsessão pela imagem que vivemos na internet e principalmente nas redes sociais e meios de comunicação em geral, e isto a qualquer custo, sendo conduzido das mais variadas e inesperadas formas onde questões morais e éticas ganham conotações deveras surpreendentes…

A saga tem tudo para seguir rumos bem interessantes, e o melhor de tudo é que junto ao eficaz roteiro de Nakamura soma-se a arte certeira de Alan Campos, onde o mesmo proporciona uma narrativa clara e eficiente principalmente no que diz respeito ao resultado no formato escolhido (14x20cm) ou para os leitores velha guarda, o conhecido “formatinho”.

Para quem conhece um pouco de produção e bastidores dos quadrinhos brasileiros sabe que este formato foi responsável por várias atrocidades no passado, já que era muito usado para publicar em terras brasileiras as histórias vindas dos EUA, que são planejadas e publicadas em um formato maior lá fora, sendo assim a proporção na redução não dava tão certo e “adaptações” eram feitas na diagramação das mesmas, sem contar na perda de detalhes das artes originais e cortes de cenas para poder ajustar tudo…

Bem no caso de Maxine como falávamos, Alan Campos consegue deixar tudo bem organizado, valorizando bastante a figura humana e sendo bem preciso com cenários e demais detalhes, o seu traço evoca uma certa influência do estilo mangá, ainda mais por apresentarem a edição em tons de cinza, que no final acaba funcionando tão bem ou melhor do que se fosse colorida, mesmo que talvez seja uma opção por conta de orçamento…

Sendo assim Maxine, se apresenta como um produto extremamente profissional e competente, dependendo dos rumos escolhidos tem tudo para crescer e ganhar fãs em sua jornada…

Resta saber se nossa super-heroína vai conseguir “driblar” ou “vencer” o maior dos vilões do “mercado nacional”, a falta de apoio e divulgação. Algo que muitas obras que visam promover o que os quadrinhos foram projetados para ser, entretenimento barato e para grande massa, e principalmente acessível, não contam, ou por desconhecimento ou por pura falta de interesse do meio profissional e consumidor que se “viciou” a olhar somente o que vem de fora, ou pior, restrito as grandes editoras norte-americanas, Marvel e DC Comics

Mesmo com as facilidades de se imprimir uma revista em quadrinhos hoje em dia, é sempre bom lembrar que existe o material humano, como roteirista, desenhista, arte-finalista, colorista e demais membros de uma equipe que na maioria das vezes não consegue viver do seu ofício em um país que não olha para educação, saúde e quem dirá cultura, onde a corrupção esta entranhada nos mais variados setores, de forma banal e corriqueira…

Fica a pergunta, a quem interessa o fortalecimento e profissionalização de um “mercado nacional de quadrinhos”?

SERVIÇO

  • Roteiro: Reginaldo Nakamura
  • Arte de capa e hq: Alan Campos
  • Capa colorida (couché brilho 120g.)
  • Formato (14x20cm)
  • 28 páginas em preto e branco
  • Impressão digital
  • Preço: R$4,90
  • Universo Editorial de Publicações Independentes
  • Maxine pode ser adquirida entrando em contato com:
  • Reginaldo Nakamura: reginaldonakamura@hotmail.com
  • Gil Mendesuniversoeditoraindependente@gmail.com
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É Bacharel em Psicologia, porém optou por sua grande paixão trabalhando como ilustrador e quadrinhista. É sócio do Pencil Blue Studio e Ponto Zero, podendo assim viver e falar do que gosta: quadrinhos, cinema, séries de TV e literatura.

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