Não há deuses entre nós | HQs da Valiant no Brasil

O leitor mais antento e interessado na mídia das HQs, e não só em uns dois ou três logotipos e nomes mais conhecidos do mercado, já deve (ou deveria) conhecer o material da editora americana Valiant que vem sendo publicado por aqui pela competentíssima HQM Editora, a mesma que lança sucessos como The Walking Dead muito antes do material virar febre como série televisiva.

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Com papel de ótima qualidade e dois títulos coesos e com um leque relativamente pequeno de personagens, a Valinat chega ao leitor brasileiro em dois mixes: XO-Manowar e Universo Valiant, cada qual com seu conjunto de personagens. Já abordamos o material da Valiant em outros textos (AQUI e AQUI) e agora começamos um especial mais detalhado, temos no presente texto aspectos bem gerais e referentes ao material atualmente em publicação no país, dando um vislumbre do que aguardo o leitor.

Universo Valiant – Uma alternativa

Valiant_logo_newO Universo Valiant, e aqui me reporto ao todo ficcional da editora como contexto de um mundo onde não há deuses voando por aí com suas cuecas por cima das calças ou maiôs cavados na hora de combater o crime… não, não há super-heróis ao estilo tradicional e convencional como é nas grandonas Marvel e DC Comics. A premissa dos personagens da Valiant é sim a de super-seres, no entanto com uma abordagem mais, digamos assim, ficcional humanista, com dramas e seres imperfeitos dentro de um mundo fictício, mas ainda assim cheio dos falhas do mundo real.

Aqui os caras sangram, se entorpecem com medicamentos, usam calças jeans, camisetas brancas, metralhadoras, são gordos, magros, feios, bonitos, negros, corruptos, mercenários e tudo mais… o Universo Valiant é plural, é múltiplo e vasto, ainda assim dotado de doses cavalares de humanidade mesmo em seres como Bloodshot e sua pele branca, seus olhos vermelhos e seu sangue cheio de nanites por mililitro cúbico; ou em Aric de Dácia, visigodo removido de seu tempo, vestido com uma armadura alienígena praticamente indestrutível, deslocado de seu tempo e de sua cultura; ou em Peter Stanchek, adolescente problemática que comete pequenos furtos para suprir seu vício por medicamentos que cessam as vozes em sua cabeça…

Aqui não tem uma invasão alienígena por semana (para o bem ou para o mal), mas não faltam ideias excelentes conduzidas por um ótimo time de artistas.

De forma geral o contexto da Valiant bloca seus personagens em nichos próprios de modo bem evidente. Aos poucos, como se trata de um começo, os títulos e personagens seguem suas próprias demandas de forma isolada, mas aos poucos vão se interligando conforme os títulos avançam. Grosso modo imaginei que a divisão mais óbvia seria mais ou menos assim:

XO-Manowar

Sci-fi espacial, com alienígenas, armaduras sencientes, ação, combates e aspectos históricos garantindo reviravoltas na trama. É talvez a HQ mais “viagem” dentro do UV e seu grande vínculo com o cosmos em geral, de onde pode surgir toda sorte de novas ameaças.

Espadas de energia, viagens interplanetárias, uma raça que “semeia” dos seus por todo universo, uma armadura indestrutível adorada como divindade, um guerreiro visigodo de 402 D.C deslocado de seu tempo, conspirações dentro dos grandes escalões de poder da humanidade e ação desenfreada são algumas das coisas a serem encontradas em XOM.

Ao ser raptado, Aric de Dácia foi escravizado pela raça autointitulada “A Vinha”, mas por um golpe do destino acabou tendo a posse da armadura Shanhara e desencadeando uma verdadeira guerra contra seus captores, guerra essa que colocou o futuro da Terra em jogo…

Valiant

Bloodshot

Sci-fi de conspiração, tecnologia, guerra, espionagem e manipulação envolvendo agências e projetos governamentais de diversos escalões de poder e hierarquias. A ação focada em combates armados é constante na trama de Bloodshot, no entanto a trama é muito mais elaborada que essa superfície da violência e guerra; o foco inicial gira em torno da busca do personagem por sua verdadeira origem dentro do Projeto Espíritos Ascendentes (P.E.A) e sua estranha ligação com os psiônicos, seres dotados de habilidades ímpares.

Manipulado pela última vez, Bloodshot decide dar um tiro definitivo contra o P.E.A e descobrir no interior de suas instalações qual seu verdadeiro passado, se é que isso é possível…Valiant

Harbinger

Seria o núcleo jovem do UV, algo similar aos X-men da Marvel ou aos Titãs da Dc Comics; com a diferença que os psiônicos da Valiant não são tão glamurosos e atraentes como são sempre os jovens com super-poderes e sua quase totalidade. Dividos e espalhados em grupos distintos, os psiônicos são o centro de uma poderosa guerra entre Toyo Harada, talvez o mais poderoso entre os psiônicos, e o super-soldado Bloodshot, manipulado pelo Projeto Espíritos Ascendentes (P.E.A).

Atualmente os psiônicos estão divididos em três grupos distintos, a saber: Os Renegados, sob comando do instável Peter Stanchek; os Harbingers propriamente ditos, membros da fundação comandada por Harada, cuja elite é chamada de “Eggbreackers”; os jovens fugitivos escoltados por Bloodshot e por fim os psiônicos da chamada Geração Zero que, assim como os fugitivos eram prisioneiros do P.E.A. As chamada Guerras Harbingers envolvem um confronto de forças diversas pelo controle dos psiônicos em diversas instâncias, o que acaba gerando o embate entre Harada e o super-soldado Bloodshot. As Guerras Harbingers trata-se do primeiro crossover dentro do UV, envolvendo a cronologia dos títulos Harbinger, Bloodshot dentro do mix nacional chamado, olha só, Universo Valiant.HAR_007_interlocking

Shadowman

Seria o núcleo intimamente ligado ao mundo mágico e sobrenatural dentro da Valiant, mais especificamente com a cultura afro-americana mais diretamente, ao menos nas primeiras edições é o que fica mais evidente. Encantamentos, mundo dos mortos, limbo, portais entre dimensões, criaturas possuídas, runas de invocação e outras coisas integram o background de Shadowman, cuja função é proteger nosso mundo dos poderes ocultos ligados a magia e seu uso indevido.

Jack Boniface, atual portador da demanda do Shadowman desconhece completamente sua origem, órfão desde muito cedo passou a vida em busca de suas origens, até o momento em que essas origens vieram até ele na forma de dons ligados ao mundo além do nosso e dos perigos que querem atravessar as leias naturais que separam os vivos dos mortos…

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Archer & Armstrong

Tecnicamente encarei A&A como o nicho relacionado ao fantástico e aos mistérios da história humana de modo geral. Imortais, seitas e sociedades secretas manipulando a história humana, a economia etc; a imortalidade é um dos temas caros aos dois personagens, sendo que Armstrong está andando por nosso mundo há séculos, e seu irmão, Gilad Anni-Padda, o Guerreiro Eterno, é o protetor dos Geomantes, seres que recebem a dádiva de grandes poderes e grandes responsabilidades em nosso mundo ao longo do tempo.

A grande dinâmica dos temas complexos da obra é intercalada com uma verve bem humorada pela dupla de protagonistas. O contraponto entre a malícia e vida mundana de Armstrong e a inocência de Acher dão sempre o tom das aventuras da dupla ao redor do mundo para combater organizações como o Um Porcento e O Nulo.Valiant

Valiant | Por onde começar?

Valiant

Atualmente o material da Valiant, como dito logo na abertura deste texto, está disposto em dois mixes, cada um contendo uma média de dois a três títulos, conforme a necessidade da cronologia se alinhar por aqui.

A princípio a estreia foi com XOM, dividindo espaço com Bloodshot, alguns números adiante Bloodshot passou para o mix estreante chamado Universo Valiant, dividindo espaço desta vez com a publicação Harbinger, o que viabilizou a publicação do crossover Guerras Harbinger.

Deste modo XOM passou a conter, em substituição as HQs de Archer & Armstrong e Shadowman.

XOM está com sua edição #11 nas bancas e UV na edição #6, ambas custando R$ 12,90. As duas publicações estão disponíveis para venda no site da HQM Editora pelo preço de capa do período de lançamento das mesmas (AQUI).

Além do ótimo acabamento, galerias de capas variantes, bons roteiros e desenhistas competentíssimos, o fato de apenas duas revistas mensais darem conta de todo um universo coeso é uma excelente relação de custo x benefício.

E, caso você seja um fã do gênero de super-heróis que vive reclamando de um sem número mega-sagas quase que mensalmente, de heróis divinais e seus poderes sem limites, trajes coloridíssimos e mulheres com peitos, bundas e cinturinhas impossíveis, talvez esse material da Valiant esteja sendo feito sob encomenda para você, fã de heróis de ação e aventura, mas que tem aquela preguiça enorme de sair de sua zona de comodismo e não dá um passo além do padrão vigente no gênero dos super-heróis…

Pois é, está é a oportunidade que você esperava para parar de reclamar e começar a ler um alternativa viável e com muitos pontos inovadores… e dentro de seu orçamento, com toda certeza.

O próximos textos deste especial abordará mais detalhadamente as histórias de Bloodshot, o super-soldado em busca de seu passado e em rota de colisão com os psiônicos.

Sobre a HQM Editora

A HQM Editora, segmento editorial do portal sobre quadrinhos HQ Maniacs, surgiu em 2006 lançando Invencível eOs Mortos-Vivos (The Walking Dead) criações de Robert Kirkman, dois títulos de destaque da Image Comics. A editora também é a casa de Estranhos no Paraíso (a premiada série de Terry Moore), Zoo (de Nestablo Ramos), além de várias obras de autores nacionais e estrangeiros. (Retirado do site da HQManiacs)

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É Designer de produtos e gráfico, desenhista nas horas vagas e aos trancos e barrancos um estudioso de Semiótica. Nutre estranhas fixações por processos narrativos experimentais e acredita que o mundo caminha para ser cada vez mais parecido com um Game

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