Article

ANABELLE APRESENTA BEM TEMAS CATÓLICOS COMO FÉ, POSSESSÃO, REDENÇÃO E MATERNIDADE

Anabelle, a boneca feia de invocação do mal (The Conjunrig no original) é um spin-off que traz bons sustos aliados a uma trilha sonora bem caprichada com uma fotografia subjetiva e com planos intimistas pra gerar aquela tensão na poltrona.

Imagem 001

Os filmes são estilisticamente semelhantes, mas são apenas narrativamente relatados por um adereço em comum: uma boneca assombrada. A boa notícia é que Annabelle é um longa relativamente eficiente; a má é que a personagem-título funcionava melhor como coadjuvante do que como protagonista.

A direção desse derivado ficou sobre responsabilidade de John R. Leonetti responsável pela fotografia de Invocação do Mal e dos filmes da serie Sobrenatural. Confesso que fiquei meio preocupado quando pesquisei o nome do diretor e descobri que ele é o responsável pela desnecessária continuação de efeito borboleta, mas parece que a parceria com James Wan foi salutar no que compete acertar a mão na condução de um filme de terror.

O enredo segue um ano antes dos acontecimentos ocorridos em Invocação do Mal. A história apresenta um jovem casal que vive no subúrbio no sul da California dos anos 1960 e com ruas de palmeiras-alinhadas, uma bela casa, um bebê a caminho. Um lugar pintado em tons dourados e suaves.

As cenas de abertura apresentam uma normalidade convidativa que será virada de cabeça para baixo depois que membros de uma seita satânica invadem a casa do casal depois de uma onda de assassinatos. Coincidentemente, John Form (Ward Horton) acaba de dar à sua esposa, Mia (Annabelle Wallis), um presente, uma boneca rara estilo vintage em um vestido de casamento branco. É tão assustadora como as demais bonecas na prateleira, e a canalização perfeita para um demônio.

Situado logo após os assassinatos da família Manson 1969, Annabelle capta o momento em que otimismo do american dream é substituído pela paranoia de cultos satanistas. Também ocorre mais ou menos entre o lançamento de O Bebê de Rosemary (1968) e O Exorcista (1973), e é sobre mudança dos tempos, nos anos 70, quando moradores de bairros outrora seguros começaram trancar as suas portas e habitantes de apartamentos começaram  a suspeitar de seus vizinhos;  e como uma sociedade começou a ter medo da sua juventude. Você pode sentir essas ideias em “Annabelle”.

O filme teve suas tensões e sustos, mas não chega a se comparar com o original, infelizmente. No entanto, a película foi bem equilibrada e baseou-se essencialmente na história original da boneca.

Há uma bela cena de perseguição do próprio capeta ou de um associado próximo a ele no porão do prédio onde a protagonista reside. A fotografia e ambientação dão um ar claustrofóbico e nervoso constituindo-se como um dos pontos altos da película, contudo infelizmente no momento que a produção se utiliza de computação gráfica sucumbe, pois o recurso destoa grosseiramente.

No final, Annabelle tenta sobreviver com o olhar assustador de uma boneca icônica e um monte de referencias recicladas dos filmes de terror dos anos 70 (a possessão, o guia espiritual e exorcista, a mãe protetora) elementos tão bem usados pelo diretor James Wan em sua película Invocação do Mal. Talvez o grande trunfo de Annabelle seja mesmo Wan, que com sua habilidade prova que filmes podem ser gerados de maneira barata e ter um resultado financeiro além do esperado, ao menos é o que se espera, pois em Invocação do Mal foram gastos US$20 milhões e o mesmo teve um retorno de US$ 318 milhões no mundo todo, vamos ver como Annabelle se sai já que foram investidos meros US$ 6,5 milhões, quantia modesta para os padrões hollywoodianos. No mais para os fãs de terror temos a sequência da franquia principal agendada para o ano que vem.

imagem 002

 

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someonePin on Pinterest

Desenhista que atua no mercado profissional de quadrinhos desde 2008. Desenvolve trabalhos como ilustrador para editoras do mercado americano, cursos e oficinas de desenho e integra a equipe de produção do GibiMais.

167 views
Scroll Up