Expectativas para Transformers 4 – A Era da Extinção

Ao contrário dos prognósticos, sim, há enormes expectativas para o quarto filme da franqui dos robôs sencientes do planeta Cybertron. Com um ciclo completo na primeira trilogia, o diretor Michael Bay chamou este quarto filme de um “reboot-contnuação” do material anterior: voltam alguns robôs, ou melhor, Bumblebee e Optimus Prime, sai todo o elenco humano encabeçado por Sam Witwicky (Shia LaBeouf), Mikaela Banes (Megan Fox que foi subistituída no terceiro filme por uma versão genérica de cabelos mais claros e coisa do tipo), Capitão William Lennox (Josh Duhamel), Sergento Epps (Tyrese Gibson), Agente Simmons (John Turturro) entre outros que não vão voltar.

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Os trailers do quarto filme da franquia não mentem em momento algum: TF4 é mais do mesmo até no corte do próprio trailer. Tem toda aquela tensão crescente, os Autobots sob fogo cerrado, os vilões em número estupidamente superior, um vilão que provavelmente não é o vilão verdadeiro, humanos tendo um papel importantíssimo na trama geral, uma típica família americana no meio do fogo cruzado entre as facções rivais, um monte de novos transformers para garantir a venda de bonequinhos legais, mas que não tem a menor importância na trama além de figura de fundo ou meros alvos para tiros e explosões, tem também Bumblebee e Optimus Prime no centro de tudo como foram os outros três filmes… nada de novo no front.

Talvez o tom seja mais sério do que o visto na primeira trilogia e com sorte não vamos ter robô mijando, testículo robô balançando, os pais do Sam enchendo o saco, o Tarturro de sunguinha atolada no rabo e acima de tudo, não vamos ter Sam gritando de 5 em 5 minutos “Apitmowuuuuuuse”… Talvez consigamos retornar para algo mais dosado como foi o primeiro filme, onde o humor era alívio cômico e não a tônica completa do filme.

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Claro, é perceptível que num filme desses, com Michael Bay na direção, o que todo mundo quer ver (ou não), é o que esse tipo de filme tem a oferecer: robôs bacanudos se estapenado no que há de melhor na computação gráfica atual em cenas que não poderiam ser feitas de outra forma… e a trama? Bom, a trama é simples: quatro anos após os acontecimentos catastróficos do último filme, o planeta Terra está se recuperando do combate entre os Autobots e os Decptcions que quase destruíram o planeta na ocasião… exatamente como quase fizeram nos dois filmes anteriores.

Os Autobots vivem escodindos e espalhados em segredo pelo mundo até que Cade Yeager (Mark Wahlberg) encontra a carcaça de Optimus Prime e todo o ciclo de perseguição e perigo iminente recomeça quando os caras maus vestidos de preto aparecem para fazer o papel de caras maus vestidos de preto (Setor 7, alguém disse Setor 7?)… bom, o resto você já sabe, basta lembrar dos equivalentes disso nos outros filmes anteriores, só que com outros atores.

Se tudo correr bem, a ameaça da vez fica por conta do transformer Lockdown, uma espécie de caçador de recompensas que está no encalço de Optimus Prime e, muito provavelmente é o joguete de Galvatron, a versão upgrade de Megatron… resumo: Lockdown deve ser nesse filme o que foi Shocwave no terceiro: distração. Muito bom pessoal, esses caras são bem criativos… Claro, o grupo de humanos maus também faz sua ponta no trailer e mostra que nossa espécie aprendeu a fazer engenharia reversa nos cybertronianos e conseguiu produzir seus próprios transformers, outro problema a ser encarado pela equipe de Prime.

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O quarto filme trás finalmente para a telona o que muitos fãs dos Transformers estavam querendo desde o final do primeiro filme lá em 2007: Dinobots. Subfacção dos Autobots, os robôs dino são extremamente poderosos, porém com intelecto bem rudimentar, o que os torna um grupo extremamente perigoso em combate por serem força bruta pura. Os trailers do filme já deixam antever que esse aditivo dos Dinobots é fundamental para que a ameaça de Lockdown seja neutralizada antes da extinção do grupo de Optimus Prime.

Pode parecer implicância de minha parte (deve ser mesmo), mas a única novidade nesse quarto filme fica por conta das possíveis interações dos Autobots com os Dinobots e de como os segundos vão atuar nos combates. Por sinal, os combates e cenas de ação tem sido a única coisa realmente interessante na franquia que foi de “muito bom” do primeiro filme ao “ladeira abaixo” nos demais. Ok, estamos falando de robôs alienígenas em guerra, mas não podemos negar que Michael Bay vem nivelando cada vez mais baixo a qualidade de sua audiência entregando um produto cada vez mais “explosivo” e menos provido de algum tipo de alma/matrix.

TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION

Não que não seja possível uma diversão despretensiosa com os filmes de robozinhos armados com bazucas, só que é gritante a maneira vazia com que Bay e seus companheiros de produção tratam seus personagens sem evoluir nenhum deles, seja humano ou robô e pior ainda, repetindo filme a filme praticamente a mesma sequência de fatos na ação dos mesmos. Chatice? Sim, com certeza, mas tem horas que não existe possibilidade de fechar os olhos para erros gritantes que Bay andou cometendo ao longo da trilogia; a começar pelo triste fato que é o fio fraquíssimo de ligação de um filme a outro, como se quase nada dos acontecimentos anteriores tivesse algum peso geral nas sequências, deixando com isso umas pontas soltas que tem a distância entre os polos de um planeta como Júpiter, por exemplo, do Fallen ao Sentinel Prime tem tanto furo de roteiro e cronologia que dá até medo… sem esquecer que passe o tempo que passar, nenhum personagem da trilogia evoluiu minimamente que seja, sobretudo Sam.

Como a maioria dos que acompanharam Transformers como desenho animado na já distante década de 80, ver o primeiro Transformers foi algo espetacular (mesmo com as muitas falhas que já estavam gritando ali), no entanto a empolgação se perde já no segundo filme quando o diretor resolve tratar como heróis de sua película os humanos, especificamente os chatos como Sam e os militares americanos que são a tara de Bay. Sem esquecer da triste mania que a equipe geral do filme tem de simplesmente sumir com robôs sem motivo algum ou então matá-los de forma bem imbecil (cof cof Iron Hide cof cof).

aoecross

Mas independete dos prognósticos, é melhor conferir na telona mesmo as explosivas cenas de ação do diretor (que trocadilho, hein). Independente de qualquer coisa, é sempre bom ver as cenas queBay cria com os robôs, sobretudo se ele não usar dessa vez um cameraman com parkinson, de modo a permitir ao expectador entender ao menos alguns movimentos em cena e não aquela tremedeira incessante que Bay insiste em usar até mesmo se alguém estiver apenas andando (eu sei, estou exagerando).Sem sombra de dúvidas o aditivo dos Dinobots vai render uns bons momentos em tela com aquelas cenas que você prende o fôlego e alguns segundos depois pensa “puta merda, isso foi espetacular”. Nisso Bay é incomparável.

Agora falta apenas fazer uma história melhor e contar isso de uma maneira melhor, pois não importa o quão despretensioso possa ser um filme, cinema é narrativa/narratividade e Transformers está carecendo muito disso… não é porque estamos falando de robôs alienígenas em guerra que não podemos fazer isso de uma maneira melhor. Sempre gosto de dizer que Miachel Bay deveria dar uma olhada nos games War for Cybertron e Fall of Cybertron que respeitam e executam de forma melhor a mitologia cybertroniana dos Autobosts e Decepticons ainda na guerra civil em seu planeta natal.

Transformer 4 – A era da extinção estrou dia 27 de junho nos EUA e já pegou no primeiro final de semana seus U$ 100 milhões, no Brasil o longa estreia dia 17 de julho. Não há como negar, a franquia é, sem intenção de trocadilhos, uma máquina de fazer dinheiro, então continua esse “nada de novo no front” até os próximos dois filmes dessa segunda trilogia, tenho quase certeza disso.

Transformers: Age of Extinction (2014)
Transformers: Age of Extinction poster Rating: 5.8/10 (217,924 votes)
Director: Michael Bay
Writer: Ehren Kruger
Stars: Mark Wahlberg, Stanley Tucci, Kelsey Grammer, Nicola Peltz
Runtime: 165 min
Rated: PG-13
Genre: Action, Adventure, Sci-Fi
Released: 27 Jun 2014
Plot: Autobots must escape sight from a bounty hunter who has taken control of the human serendipity: Unexpectedly, Optimus Prime and his remaining gang turn to a mechanic (Mark Wahlberg), his daughter (Nicola Peltz), and her back street racing boyfriend (Jack Reynor) for help.
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É Designer de produtos e gráfico, desenhista nas horas vagas e aos trancos e barrancos um estudioso de Semiótica. Nutre estranhas fixações por processos narrativos experimentais e acredita que o mundo caminha para ser cada vez mais parecido com um Game

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