Hellblazer | Diga olá para John Costantine, o mago

Hellblazer John Costantine

Velho conhecido dos leitores, o mago inglês John Costantine está nos holofotes novamente, depois do encerramento de seu título mensal nos Estados Unidos e de sua reintegração ao Universo DC dos Novos 52, o personagem vai ganhar sua própria série televisiva, o que é mais do que providencial para o megaconglomerado Warner Bros, dono da DC Comics.

Hellblazer foi um título que fez recorde no selo Vertigo, uma legião de fãs e uma fama que o precede, o mago inglês parece que vai ser a próxima onda nas tvs de todo mundo… ou não…

Hellblazer, John Costantine

John Constantine foi criado pelo aclamado roteirista inglês Alan Moore em Swamp Thing issues 37 em Junho de 1985 no período conhecido popularmente como “invasão inglesa nas comics americanas”. Já no ano de 1988, Constantine ganhou sua própria publicação com o título de Hellblazer, lançada pela DC Comics e a partir de 1993 pelo selo Vertigo, a divisão da DC criada exclusivamente para atender a demanda de obras mais complexas, violentas e voltadas para o público adulto.

Hellblazer John Costantine
Capa da edição #300 de Hellbalzer, a última de uma era

Hellblazer é a publicação mais longa pertencente à Vertigo, terminando com a edição de número 300 em 2013. Em maio do mesmo ano Constantine recebeu sua nova publicação com o título Constantine, novamente pela DC Comics e completamente situada na cronologia dos Novos 52 no já conhecido reboot da editora (não conhece? Leia mais AQUI e AQUI).

Nessa nova linha temporal o mago inglês interage com todo o panteão de super-seres da editora e até integra uma versão Dark do super-grupo Liga da Justiça.

Hellblazer se passa em um mundo contemporâneo, onde conflitos envolvendo magia, ocultismo e entidades sobrenaturais acontecem nos bastidores da vida normal, sem que a grande totalidade dos seres humanos sequer desconfie da existência de tais situações e acontecimentos bizarros pelos quais somos assombrados por eras; mesmo não tendo conhecimento algum sobre a realidade paranormal, por vezes estes conflitos acontecem entre nós, aqui mesmo na dimensão terrena, onde na maioria das vezes nossa raça é apenas mero joguete, alimento ou moeda de troca nas mãos de forças desconhecidas.

John Constantine é um típico anti-herói politicamente incorreto. Versado nas artes mágicas e detetive do oculto, de moral questionável, ele é um inglês nascido em Liverpool; mau educado e desiludido, John persegue uma vida repleta de vícios entre o céu e o inferno e apesar de ser considerado um dos feiticeiros mais poderosos do mundo, raramente faz uso da magia de forma espalhafatosa, preferindo confiar em sua astúcia e esperteza para derrotar seus inimigos de modo que a sujeira em suas mãos e casaco seja a menor possível.

Constantine é provavelmente mais conhecido pelo grande público através do filme homônimo lançado nos cinemas em 2005 e protagonizado pelo ator Keanu Reeves.

O personagem do filme muito pouco tem a ver com o original. John não possui poderes psíquicos ou sobrenaturais e nunca foi um suicida, não “trabalha” em Los Angeles e nem tem cabelos escuros.

Para constar, o visual e aparência de John Constantine foi originalmente inspirado no músico Sting, baixista e vocalista da banda The Police ao grande estilo do que se fazia muito nos títulos da Vertigo escritos por ingleses. Foi o mesmo caso do personagem Morpheus, o Sandman de Neil Gaiman, que tem seus traços e cabelo inspirados em Robert Smith da banda The Cure.

Constantine, a série

Recentemente a rede americana de televisão NBC anunciou a produção de uma nova série com o nome Constantine, sob a produção executiva de David Goyer (Corvo: Cidade dos Anjos, Blade, Batman Begins, Jumper, Motoqueiro Fantasma, Superhomem)… e diante disso vem a grande pergunta: o que será que podemos esperar?

Se nos basearmos pelo trailer que está rodando a internet, veremos que pelo menos desta vez o ator protagonista (Matt Ryan, a voz de Edward Kenway em Assassin’s Creed IV: Black Flag) é britânico e é loiro, mantendo uma boa semelhança física com o Constantine das hqs. Mas… continua tendo poderes sobrenaturais? Papa Midnite é um anjo caído? John está atrás de uma garota com algum tipo de conexão paranormal de novo? e que é filha de um velho amigo?

É cedo para tirar muitas conclusões sobre a serie de modo geral, mas especular sobre trailers é um bom exercício sobre a nossa própria percepção de John Constantine. A primeira delas é a ausência do real e verdadeiro melhor amigo do mago: o cigarro.

Em momento algum o personagem está fumando, acendendo ou apagando um cigarrinho… em um mundo que ruma cada vez mais para eliminar o tabagismo dos olhos das pessoas nos meios de entretenimento (ninguém mais nas Hqs fuma, por exemplo), teriam os poderes de Constantine a capacidade de mantê-lo um fumante inveterado?

Bom, o trailer nos deixa vislumbrar um isqueiro em ação em determinado momento… ao menos em um mundo com alguma lógica, as chances de uma pessoa ter um isqueiro e ser fumante são bem grandes… ou deveriam ser.

A despeito de todas as questões sobre a roupagem do personagem de modo geral, não é novidade alguma que sua versão na cronologia dos Novos 52 não agrada nem um pouco os fãs da extinta Hellblazer, justamente o grupo de pessoas que já está com os dois pés atrás com a forma que atuará o Constantine da série, bem como sua personalidade de modo geral, já que em Hellblazer o mago é sempre contido, apesar de ser extremamente cínico, mordaz, sarcástico e irônico em tempo integral.

De todo modo as produções televisivas no segmento que adapta Hqs tem se saído bem de forma mais geral. Agentes da Shield e Arrow, por exemplo, contam com fãs fervorosos e fiéis a elas assim como há os fanboys Marve e Dc tradicionais que defendem com unhas e dentes os produtos que consomem. Com a chegada também da telessérie do velocista Flash, Constantine vem engrossar as fileiras de personagens de Hqs em outra mídia e independente de qualquer coisa, mercadologicamente isso já é ponto positivo.

Ah, claro, tem toda a expectativa de vermos outros personagens da Dc passeando ali por perto do quintal do John no melhor estilo “universo compartilhado” que é a nova coqueluche das adaptações… e não tenho medo algum de ter um cara que se veste de verde com arco e flecha ou um cara correndo com um traje espalhafatoso vermelho aqui e ali, já que Constantine integra o UDC normal desde 2013… então é só ligar as peças, vai que cola.

E aí? Vale ou não vale acompanhar? Olha, sinceramente acho que sim… e se não valer, paciência, já foi, não vai ter como reverter nada e basta parar na hora que quiser, quem assiste coisa que não quer e achando ruim ou é doido ou é burro.

Mas o trailer deixa boas coisas serem antevistas para a série se a mesma realmente vingar para a audiência. Já se ensaia ali a presença de elementos da saga Hábitos Perigosos do cultuadíssimo Garth Ennis, um dos mais famosos e importantes arcos de Hellblazer.

Com visual caprichado pelo que antecede o trailer, a série mostra potencial, resta saber se o mesmo será usado ou não para narrar um verdadeiro universo oculto em nosso mundo, uma das coisas mais trabalhadas no personagem ao longo desses anos todos de Hellblazer.

Hellblazer | Para quem quer ler…

Hellblazer tem outro recorde, dessa vez em território nacional: é uma das séries mais desconexas e irregulares em termos de publicação cronológica da Vertigo já foi editadas por aqui.

Acredito que John Constantine já deva ter passeado por todas as editoras nacionais que já publicaram algo de quadrinhos Vertigo em nosso país, sendo que nenhuma delas fez um bom trabalho com o riquíssimo material que tiveram em mãos.

Entretanto, mais recentemente, a editora Panini vem realizando um trabalho sistemático de publicar material de Hellblazer de forma coesa e cronológica. Os encadernados Hellbalzer: Origens, com um total de sete volumes, contendo toda a fase de James Delano a frente do título foram o passo mais importante dessa ação editorial, uma vez que outras histórias já estavam sendo publicadas no título mensal Vertigo (encerrado na edição 51), que dava sequência quase direta ao último material publicado pela extinta Pixel Media.

Seguindo o sucesso da série Origens, a Panini lança outro lote de encadernados que reunem a fase de Ennis com o título Hellblazer: Infernal – Hábitos Perigosos, justamente aquele arco fodão citado acima que todo bom interessando em Constantine deve obrigatoriamente ler.

É nesse arco que Constantine descobre ser portador de um câncer de pulmão em estado avançadíssimo… o que o coloca na mira de tudo que não presta nessa vida e, pior de tudo, com muito, muito medo da morte.

Talvez justamente por ser um dos arcos mais importantes da cronologia de Hellblazer e, por tratar de algo tão delicado quanto um câncer ocaionado por fumo desmedido, é que muitos fãs costumam dizer sem nenhum receio que se não há ciarro não há John Constantine. Excesso? Talvez não, pois não são poucas entre as 300 capas de Hellblazer que o mago inglês está envolto em fumaça de cigarro enquanto tem um deles preso aos lábios ou entre os dedos.

Mas de qualquer forma, vamos dar boas-vindas ao nosso amigo de sotaque engraçado e olhar taciturno, ele é John Constantine, e veio tomar chá conosco.

Hellblazer | Galeria 

 

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É Designer de produtos e gráfico, desenhista nas horas vagas e aos trancos e barrancos um estudioso de Semiótica. Nutre estranhas fixações por processos narrativos experimentais e acredita que o mundo caminha para ser cada vez mais parecido com um Game

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