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Renato Torres e a destemida periferia do incriado

Ter intimidade com as palavras e as construções e as sonoridades de uma língua é o mínimo esperado de um dito poeta. Renato Torres vai muito além da solidez de quem escreve com propriedade. O músico imprime no poeta o ritmo melodioso de quem dedilha em cordas de violão com a mesma desenvoltura com que preenche a folha em branco de versos recheados de rimas ricas e surpresas vocabulares.

Poeta, músico e arte-educador, como é apresentado na orelha de seu primeiro livro, Renato nos presenteia com a versão escrita de sua poesia delicada e lírica. Quem já o conhece dos palcos musicais é capaz de reproduzir sua voz na leitura de seus versos, e até mesmo imaginar seu violão acompanhando a récita mental, num espetáculo único induzido pela identidade veementemente impregnada em tudo o que faz.

 

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Perifeérico é nome e adjetivo para o livro que nos conduz a reparar o fogo oculto no corpo da palavra, e estimar o incerto desejo de ser; ou não. Renato passeia seu olhar por dilemas e vivências, ideias e paixões habituais a todos nós, e é improvável findar a leitura sem se reconhecer em alguns de seus devaneios.

Diante de um apanhado tão notável de poemas, o lançamento da obra tinha que estar à altura do seu conteúdo, e mais uma vez, fomos brindados pela capacidade do Renato de encher nossos corações de enlevo e encantamento no evento preparado para a noite. Preparada, aliás, talvez não seja o termo mais adequado, visto que o poeta e sua trupe abusaram do improviso no sarau representado tão zelosamente por duas vezes, no Rio de Janeiro e em Belém.

O SESC Boulevard, espaço marcado pela arte e cultura produzidas na região, foi o palco escolhido para acolher a performance híbrida, ora musical, ora poética, ora audiovisual, e sempre teatral. A interação com o público, marcada pelas investidas da trupe na plateia, atribuíram ao espetáculo o clima espontâneo capaz de nos aproximar ainda mais do artista, como se fizéssemos parte mesmo da sua obra. O sarau-pocket show-noite de autógrafos contou ainda com a participação dos amigos artistas, disfarçados em meio à plateia, que ora aplaudiam, ora se uniam à trupe e emprestavam ainda mais beleza ao momento.

 

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Uma festa para os olhos, os ouvidos e os corações capazes de crer na força do que é belo. Eis uma forma de encaixar em palavras todo o rol de sensações e impressões gravadas nos que estiveram presentes naquela noite de sábado.

Para adquirir seu exemplar de Perifeérico, acesse a loja virtual da Livraria Relíquia ou fale diretamente com o Renato Torres na sua página no Facebook. E corra, porque a tiragem é pequena!

*”a destemida periferia do incriado” é um verso do poema que dá nome ao livro

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Formada e especializada em design (produtos e gráfico), resolveu fotografar cultura e arte nos intervalos da carreira acadêmica. Optou por não ser rica e trabalhar sem férias no que a faz feliz, unindo ganha-pão e diversão.

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