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Kick-Ass 2

Quebrar tudo ou chutar bundas nem sempre é tão fácil como parece…

 

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Não temos como começar a falar de Kick-Ass 2 sem antes falar brevemente de Kick-Ass: Quebrando tudo, o primeiro filme que foi muito bem executado e conquistou diversos fãs, satiriza o universo dos super-heróis de forma ácida, criativa e fundamentalmente com uma visão divertida deste mundo colorido e extravagante, utilizando para isso um elenco primoroso, uma violência gráfica que esta sincronizada com a proposta do roteiro e o mais importante: não excluiu quem nunca leu uma historia em quadrinhos na vida, mesmo o filme sendo oriundo destas.

Kick-Ass 2 herda vários destes elementos e mimetiza outros tantos, almejando com isso não só manter o status quo estabelecido, como aprofundar a experiência do expectador neste universo, já que a historia de origem já fora contada de forma magistral no primeiro. Contudo eis que uma peça fundamental da equação é substituída, o diretor. Sai Matthew Vaughn (Stardust, X-Men Primeira Classe) entra Jeff Wadlow, que além de dirigir assina o roteiro, resumindo, a diferença é brutal.

Temos Kick-Ass (Aaron Taylor-Johnson) tendo que lidar com as consequências provocadas pelo seu aparecimento, novos fantasiados surgindo; uma evolução que lembra os efeitos do surgimento do Batman em Batman Begins e suas consequências em Batman TDK, só que aqui tudo de maneira tosca é claro, pois o único que se assemelha a um super-herói neste segundo filme é Hit- Girl (Chlöe Grace Moretz) que esta envolta em um dilema que consiste em duas opções extremas, abandonar a máscara e quebrar a promessa que fez ao Big Daddy, de sempre ser uma super-heroina, e com isso seguir a vida pacata e normal de uma garota de 15 anos que Marcus (Morris Chestnut) o seu tutor, lhe incentiva a levar, ou continuar atuando como Hit-Girl e deixar todo o resto pra trás.

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Cedendo a pressão de Marcus num primeiro momento a ninja-mirim e psicopata dá lugar a Mindy Macready que, mesmo com todas suas habilidades, terá que enfrentar o estranho e ameaçador mundo das meninas mais populares da escola e das descobertas da adolescência, tudo num mesmo pacote e para piorar, não pode usar o que sabe para revidar ao bullying, estando completamente sozinha desta vez sem as sábias orientações do seu amado Big Daddy. Isto acaba rendendo algumas tiradas divertidíssimas como a hilária cena envolvendo orgasmo feminino e boybands. Criando um arco bem humorado que se assemelha mais a uma comédia adolescente do que um filme de super-heróis, porém isto cobra um preço muito alto, não temos quase Hit-Girl na tela.

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Se por um lado a trama de Mindy toma um rumo que funciona relativamente bem, não podemos dizer o mesmo de Dave Lizewski / Kick-Ass, se no primeiro filme o fraco Aaron Taylor-Johnson é salvo pelo resto do excelente elenco e pela surtada Hit-Girl, nesta continuação isto não acontece, mesmo ele dividindo a tela com outros heróis e com a formação do supergrupo Justiça Para Sempre, que poderia ter rendido bem melhor não fosse à falta de rumo deste núcleo, e principalmente, por terem podado um elemento chave que poderia ter feito toda diferença.

Sim, estamos falando do apático Jim Carrey (Coronel Estrelas e Listras). Por dedução pura e simples, filme surtado mais Jim Carrey igual à personagem surtado ok? Não… o que vemos é que ele esteve deslocado o tempo todo e só serviu para dar peso na divulgação do filme, se a intenção era botar um artista consagrado para tentar suprir as lacunas deixadas por Nicolas Cage e pelo excelente Mark Strong, o que vemos é um fiasco total e um puta desperdício de talento…

Rumamos para ver o que aconteceu com outro elemento fundamental a trama. Chris D’Amico/Red Mist (Christopher Mintz-Plasse) agora obcecado em vingar a morte do pai nos oferece a melhor evolução do filme; o mesmo deixa para traz Red Mist e cria The Motherfucker, sua resposta ao primeiro super-herói é se tornar o primeiro super-vilão desta realidade. Criando sua liga do mal com destaque para a violenta Mother Rússia (Olga Kurkulina), um verdadeiro tanque de guerra. Esta jornada pelo vilão supremo acaba rendendo quase tão bem quanto o arco de Mindy, contudo temos outro excelente ator desperdiçado, John Leguizamo num papel descartável.

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Contudo, mesmo com todos os elementos aparentemente no lugar, com vários diálogos afiados e divertidos, principalmente os reservados a Hit-Girl/Myndi Macready, inúmeras citações a cultura pop, humor negro, violência estilizada e demais maneirismos do primeiro filme, falta algo, a sensação é que estamos prestes a presenciar uma reviravolta no ritmo da película que tudo vai degringolar e vamos ter um surto coletivo, porem nada evolui e algumas coisas chegam a incomodar.  A forma como a violência gráfica é tratada parece fora de contexto, algo não funciona, a tênue linha do estilizado para o gratuito é ultrapassada inúmeras vezes, sem falar no irritante lembrete através de uma frase recorrente e desnecessária ao longo do filme “Isso não é uma história em quadrinhos, isso é vida real” torna tudo mais pesado e arrastado. Falta inspiração, brincar com todos estes elementos do mundo dos super-heróis requer sutileza, Matthew Vaughn comprovou saber conduzir muito bem todas essas minucias em Kick-Ass: Quebrando Tudo e X-Men Primeira Classe, um filme mais leve, que também se vale de forma eficaz desta mecânica.

Kick-Ass 2 funciona mas não empolga, talvez a película careça de uma providencial “injeção de adrenalina” para salvar tudo no ultimo segundo, só que ela não vem. O filme é uma missão ingrata para Jeff Wadlow , mas no final talvez pelo primeiro ser tão bacana e continuar ecoando tão bem na cabeça do publico ele acaba atuando como um bálsamo para esta fraca, porém oportuna continuação, pois ao se apropriar dos elementos que deram certo no primeiro, ela cumpre o papel de entreter e divertir,  não chega a comprometer um possível futuro da franquia, e da para entender quem curtir e achar o filme tão bom quanto o primeiro, ou até melhor, afinal o argumento de “isso é um filme de super-heróis, e não deve ser levado a sério”, mesmo gasto, nunca funcionou tão bem…

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No saldo geral uma questão é reafirmada: mais do que nunca, o que se tem de melhor nisso tudo é a junção perfeita da carismática Hit-Girl, a interpretação precisa e divertida da talentosa Chlöe Grace Moretz, que mesmo limitada pelo roteiro rouba todas as cenas em que aparece, comprovando mais uma vez que merecemos ganhar um filme solo da ninja psicopata mais querida do cinema, e sem duvida alguma, conduzido pelo olhar de Matthew Vaughn.

 

 

Seguindo a moda, o filme conta com uma cena pós-créditos também…

 

Ficha Técnica:

Kick-Ass 2.

Direção: Jeff Wadlow.

Roteiro: Jeff Wadlow.

Duração: 103 min.

País: EUA.

Ano: 2013.

Elenco: Aaron Taylor-Johnson, Chloë Grace Moretz, Christopher Mintz-Plasse, Jim Carrey, Morris Chestnut.

 

Cotação: 2,0

dois-pontos

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É Bacharel em Psicologia, porém optou por sua grande paixão trabalhando como ilustrador e quadrinhista. É sócio do Pencil Blue Studio e Ponto Zero, podendo assim viver e falar do que gosta: quadrinhos, cinema, séries de TV e literatura.

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