HQ Saga de Brian K. Vaughan fatura prêmio no Hugo Awards — [Atualizada]

Brian K. Vaughan, escritor de HQs e roteirista televisivo, vem de uma crescente em sua carreira nas grandes editoras americanas Marvel e DC Comics, em cada uma fez trabalhos elogiadíssimos pela crítica especializada e, mais importante de tudo, pelo público.saga1

 

 

Entre os grandes sucessos de Vaughan estão em destaque as séries Ex-Machina e a Y: o último homem, ambas publicas e concluídas pela Panini Brasil na forma de encadernados para bancas (formato americano, capa cartonada).

Além de seus trabalhos autorais de reconhecido valor, sobretudo por serem seu laboratório de teste livre de amarras cronológicas, se destacam suas passagens por personagens de ponta como Batman, X-Men, Homem-Aranha, Mulher-Maravilha, Liga da Justiça, Lanterna Verde e outros trabalhos autorais menos conhecidos como “Os Escapistas” e “Os lões de bagdá” (prêmio Harvey Awards  de melhor graphic novel em 2007).

Também vale descatar que Os Fugitovs(2003), foi seu primeiro trabalho a repercurtir no mercado americano.

O escritor Brian K. Vaughan
O escritor Brian K. Vaughan

Em maço de 2012, ao lado da ilustradora Fiona Sataples, Vaughan emplacou mais um série autoral espetacular: Saga, publicada mensalmente pela Image Comics. Saga está arrancando elogios e destaque no mercado com indicação e obtenção de prêmios diversos para a obra e para seus criadores.

Saga faturou três prêmios no Eisner Awards 2012 (o equivalente do Oscar para os quadrinhos) nas categorias melhor série em andamento, melhor escritor e melhor nova série.

Nada, nada, Vaughan só dividiu a quantidade nas prinicpais categorias com o mestre Chirs Ware e seu Buildign Stories. Mas chamou bastante atenção da indústria do entretenimento em geral quando Saga faturou uma premiação em alta conta para o mercado editoral: o conceituado prêmio Hugo Awards da World Science Fiction Society, focado, sobretudo, ao mercado de literatura de sci-fi e que já premiou gente do naipe de Philip K. Dick, Frank Herbert, Arthur C. Clark e outros mestres da sci-fi clássica.

O prêmio de Saga foi na categoria “história gráfica” criado em 2009 dentro do Hugo. Ou seja, é questão de tempo até alguém se interessar pela atual empreitada de Vaughan para algum tipo de adaptação.

Com as mais diversas influências do mundo da ficção espacial e da fantasia épica, principalmente em Star Wars (sabres de luz, cara, sabres de luz :D), segundo o próprio autor, Saga tem no centro de sua trama o casal Alana e Marko, de raças diferentes, apaixonados, em fuga desesperada e com sua filha, Hazel, nos braços.

Quase um Romeu e Julieta com com armas lasers… o que, convenhamos, não é demerito algum, já que o drama do casal se parado por alguma condição adversa é um das premissas mais universais de nossa cultura, e Vaughan, pela experiência que tem e liberdade de tocar sua obra sem amarras editoriais, deve ter dado aos seus leitores, fãs ou não, um universo de loucuras bizarramente admiráveis.

O próprio casal centro da obra é automaticamente diferente entre si: ela tem asas meio insetóides meio “fada”, ele tem chifres como os de um bode (ou seria melhor dizer fauno?). Hazel é um híbrido dessas duas raças.

A desenhista Fiona Staples caprichou no visual da série, as cores são vivas e tudo vibrantes dando bem essa noção de diversidade racial e cultural, os traços são reforçados pelas “pinceladas” artificiais de uma colorização computadorizada que não tenta se esconder que é justamente isso, o que dá a obra uma beleza aparentemente rústica, mas ao mesmo tempo planejada para ser exatamente desse jeito. Staples e seus aliens, paisagens e mundos coloridos artificalmente ganharam um fã por aqui…

saga2Interessante notar como Vaughan se cerca por de desenhistas com traço cheio de forte para  séries igualmente cheias de personalidade. Pia Guerra em Y: o último homem, Tony Harris em Ex-machina, Niko Henrichon em “Os leões de bagdá” e agora Staples em Saga, são exemplos de artistas que parecem liberar uma pegada mais alternativa ou mais detalhista em seus trabalhos para textos  de séries de maior liberdade como Saga.

Não à toa, o leitor mais atento, pode notar como são justamente essas incursões de escritores e desenhistas que estão rendendo frutos bem proveitosos para a atual indústria das Hqs que se tornou celeiro para os executivos desesperados da indústria cinematográfica buscarem combustível para adaptações.

As seis primeiras edições de Saga foram republicas em coletânea no mês outubro de 2012, tendo esgotado rapidamente, provando mais uma vez que algo de muito interessante vem destas páginas.

Com todos os elogíos e premiações, somados ao prestígio do trajeto do escritor Brian K. Vaughan, é até uma questão de tempo para que, muito provavelmente, a editora Panini Brasil se empenhe em começar a lançar Saga no Brasil nos moldes do que foi feito com Y: o último homem e Ex-machina, mas com a ressalva de que a janela entre o lançamento dos volumes americanos e os brasileiros deve ser relativamente grande para evitar que as edições brasileiras sofram algum tipo de corte, porque atrasos são certíssimos, já que a Panini demorou anos para concluir as duas séries citadas acima.

Bom, eu particularmente estou no aguardo de que o material venha para o país, afinal tem coisa bem menos interessante recebendo atenção dos editores brasileiros e como os órfãos de Y: o último homem estão aí com dinheiro sobrando, é uma boa oportunidade de preencher a lacuna por obras mais livres do que o tradicional mercado de super-heróis e mega-eventos.

ATUALIZAÇÃO – Saga leva seis das 22 premiações do Harvey Awards 2013

Arrebatando elogios da crítica e do público desde o lançamento, Saga faturou mais seis prêmios no harvey Awards deste ano. Isso mesmo, mais seis prêmios para a já aclamada série que, pelo visto, vai encher de sorrisos o pessoal da Image Comics.

Veja os prêmios que a série levou logo abaixo.

  • Melhor nova série,
  • melhor série ou minissérie,
  • melhor edição ou história (primeira edição),
  • melhor roteirista (Brian K. Vaughan),
  • melhor desenhista(Fiona Staples)
  • melhor colorista (Fiona Staples).

 

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É Designer de produtos e gráfico, desenhista nas horas vagas e aos trancos e barrancos um estudioso de Semiótica. Nutre estranhas fixações por processos narrativos experimentais e acredita que o mundo caminha para ser cada vez mais parecido com um Game

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