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É O LOBO!!! É O LOBO!!! É O LOBO!!!

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Nem bem começamos a tentar digerir que Ben Aflleck é o novo Batman nos cinemas, a DC/WB decide dar um golpe de misericórdia nos fãs e revela o novo visual de um dos anti-heróis mais legais de todos os tempos da editora: eis que surge o novo Lobo, um amalgama bizarro de elfo com o vampiro Edward.

Segundo o editor-chefe da DC, Bob Harras, a nova versão do personagem é a “verdadeira”, e a que todos conheciam antes não passa de um impostor.

Continuando a sua brilhante explicação, Harras diz que esta nova versão do personagem “é maldoso e brutal em partes iguais” e “mais sombrio e uma idéia mais condizente do que uma força da natureza como ele seria capaz de fazer”.

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Bem, não sei em que esquina da cultura pop me perdi. Mas ao que parece deve existir alguém da Marvel infiltrado na DC Comis, com toda certeza…

Numa simples análise, o Lobo pós-crise (Crise nas Infinitas Terras) ou “O Maioral” como gosta de ser chamado, sempre foi divertido, por ser um boçal com um único compromisso: fazer valer sua vontade; sua essência é ser politicamente incorreto, o único preceito que o personagem ainda segue é o de manter sua palavra custe o que custar, rendendo sempre situações inusitadas.

Sendo assim ele faz um contraponto à linha tradicional de heróis da Distinta Concorrente, a diversão levada ao extremo, mostrando que historias em quadrinhos também tem que ser descontraídas e ter um pé no ridículo antes de tudo, afinal sua missão principal é o escapismo.

Vivemos em uma sociedade sufocante onde tudo parece de cristal, nada pode ser tocado de verdade e não podemos, sequer, esbarrar em nada, pois irá quebrar ou ferir o “direito” dos outros, tudo padronizado ao extremo, o escracho esta sendo varrido para debaixo do tapete definitivamente, e os quadrinhos estão levando isso à risca…

Legenda Lobo nos traços de Simon Bisley E Brian Bolland
Lobo nos traços de Simon Bisley E Brian Bolland

Esta necessidade de revisitar conceitos e “moderniza-los” tornando-os mais “sérios” mostra-se cada vez mais perigosa, há coisas que não devem ser revistas, pois são boas como estão. A sensação que fica é que vivemos tempos cada vez mais pobres e que retirar leite de pedra do que rende ou já rendeu algo bom é o único caminho, a época dos criadores e sonhadores parece ter chegado ao fim, lucros e medidas para se chegar em resultados mais robustos parece ser a única meta, vide a moda  do 3D nos filmes atuais que não passa de uma jogada caça-níqueis sem precedentes, qualquer bomba lançada neste formato que caia no gosto do publico vira sucesso de bilheterias chegando a cifras astronômicas e ganhando com isso um falso ar de qualidade.

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Batman Black and White

Hoje falar em quadrinhos sem falar em cinema é quase impossível, pois todas as manobras feitas nas HQs parecem vislumbrar as telas dos cinemas, já que a mina de ouro parece não ter fim, e neste processo de desconstrução dos universos criados nas paginas dos quadrinhos, os fãs que estiveram sempre ali, alimentando a indústria, foram sumariamente esquecidos, ou varridos para baixo do tapete junto com o escracho.

Viva o novo Lobo “O Maioral”… ¯\_(ツ)_/¯

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É Bacharel em Psicologia, porém optou por sua grande paixão trabalhando como ilustrador e quadrinhista. É sócio do Pencil Blue Studio e Ponto Zero, podendo assim viver e falar do que gosta: quadrinhos, cinema, séries de TV e literatura.

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